Sínodo vira pauta de governo pela 1ª vez nos últimos anos

Entre 6 e 27 de outubro de 2019, a Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos se reunirá para discutir o tema Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral. A pedido do papa Francisco, o encontro vai refletir sobre como a Igreja pode contribuir junto às comunidades tradicionais amazônicas para uma ecologia ambiental, econômica, social, cultural e da vida cotidiana


     O Sínodo é um encontro de bispos de todo o mundo, convocado pelo Papa, para discutir temas ou problemas relacionados à Igreja. Nos últimos anos, as Assembleias Especiais, categoria no qual está enquadrado o Sínodo da Amazônia, trataram de temas como África e Oriente Médio, realizadas respectivamente em 2009 e 2010.

     Os eventos mais recentes foram classificados como Assembleias Gerais, podendo ser ordinárias ou extraordinárias. Em 2018, o tema discutido pelos cardeais foi “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”. Em 2014 e 2015, a pauta era “Os desafios Pastorais da Família no contexto da evangelização”. Não há uma periodicidade fixa para a realização dos Sínodos.

     Participam 250 bispos, em evento de 23 dias de duração no Vaticano. Dois pré-eventos também fazem parte da agenda do Sínodo da Amazônia, um já ocorrido no Peru em janeiro e um seminário agendado para março na Arquidiocese de Manaus. O objetivo principal que cerceia as discussões dos eventos, além de definir como a Igreja Católica pode intervir em conflitos, é identificar novos caminhos para a evangelização daquela porção do Povo de Deus, especialmente dos indígenas, frequentemente esquecidos e sem perspectivas de um futuro sereno, também por causa da crise da Floresta Amazônica, pulmão de capital importância para o planeta.



Sínodo da Amazônia preocupa o governo de Jair Bolsonaro

     País que abriga 60% da floresta amazônica, o Brasil estará, de um jeito ou outro, sendo discutido no Sínodo da Amazônia, o encontro dos bispos da Igreja Católica que ocorrerá em outubro, no Vaticano. A discussão sobre a preservação da maior floresta tropical do mundo não anda agradando o governo do presidente Jair Bolsonaro, que vê a reunião como uma agressão à soberania nacional.

     Após criticar abertamente o encontro e afirmar que os órgãos de espionagem do estado brasileiro estão de olho na Confederação Nacional de Bispos do Brasil (CNBB), o general Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, transformou o Sínodo da Amazônia em um problema de segurança nacional.

     O governo enxerga a Igreja Católica como antiga aliada do Partido dos Trabalhadores (PT) e vê assuntos como meio ambiente, mudanças climáticas e direitos indígenas como a face oculta do esquerdismo, que precisa ser denunciado. Em entrevista à imprensa, o general Augusto Heleno afirmou que há entidades e organizações não-governamentais estrangeiras, além de autoridades internacionais, que querem interferir no tratamento dispensando à Amazônia brasileira.

Presidente Jair Bolsonaro (direita) e general Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI)
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