Mais um sacerdote salesiano assassinado

Tensão em Burkina Faso, cenário de contínuos ataques terroristas e atos criminosos contra as comunidades religiosas. Dia 17 de maio de 2019, o sacerdote espanhol, padre Fernando Fernández, foi esfaqueado pelo cozinheiro no refeitório do Centro Dom Bosco

     Nenhuma matriz terrorista por trás do ato, mas a vingança do cozinheiro da comunidade salesiana, demitido há dois meses pelo padre Fernando. Durante a agressão também ficou gravemente ferido o padre Germain Plakoo-Mlapa, diretor de estudos, de origem togolesa, levado imediatamente para o hospital. O assassino foi preso pela polícia local.

     Padre Fernández era o ecônomo do centro Dom Bosco em Bobo-Dioulasso, a segunda maior cidade de Burkina Faso, localizada a cerca de 300 km a oeste da capital Ouagadougou. Em Bobo Dioulasso desde 1994, os salesianos construíram e administram um centro de assistência para meninos e meninas de rua, um centro de alfabetização e um centro de treinamento vocacional, com mais de 300 alunos.

     Desde o início de 2019, nove sacerdotes foram mortos em todo o mundo: 6 na África e 3 na América Latina.

Reações 

     A situação em Burkina Faso preocupa o mundo e a própria Igreja. O papa Francisco expressou nos últimos dias sua tristeza pelo ataque à igreja de Dablo e pelo massacre dos fiéis. O bispo de Kaya, Dom Theophile Nare, exortou os cristãos a não cederem ao medo e "à tentação da vingança".

     O arcebispo de Ouagadougou, Dom Philippe Ouédraogo, visto o caráter étnico-religioso das ações terroristas, pediu à população para se opor à violência com fé e união. "Somos um povo e continuaremos a ser um povo", disse ele. O número de ataques atribuídos a grupos jihadistas como o Ansarul Islam e o autoproclamado Estado Islâmico - que são predominantes - continuam a aumentar, minando sobretudo a coexistência pacífica entre cristãos e muçulmanos.

     O ministro das Relações Exteriores de Burkina Faso advertiu que o terrorismo no Sahel está ganhando terreno e que parece ser financiado pelo mercado de ouro, extraído das minas. A ONU expressou sua profunda preocupação com a contínua deterioração da segurança e da situação humanitária e afirmou a "vontade de contribuir para evitar mais desestabilização", não somente em Burkina Faso, mas em todos os países que fazem parte do chamado G5, nomeadamente Chade, Mali, Mauritânia e Níger.

O assassinato do salesiano espanhol é mais um episódio de uma série de crimes contra as comunidades religiosas do país, palco de vários ataques terroristas, particularmente no norte e no centro-norte
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