Por que o Vaticano prepara um encontro sobre a Amazônia?

Desde que foi lançado, o Sínodo da Amazônia tem gerado muitas polêmicas e divergências até mesmo entre representantes do alto clero. Mas por que a Igreja decidiu refletir sobre a Amazônia e o que pode sair do encontro?

     A ideia do papa de convocar uma reunião sobre a Amazônia, segundo o Vaticano, vem das dificuldades de a Igreja atender os povos da região, especialmente os indígenas. "O problema essencial é como reconciliar o direito ao desenvolvimento, inclusive o social e cultural, com a tutela das características próprias dos indígenas e dos seus territórios", afirmou Francisco, em fevereiro de 2017.

     Os países amazônicos são Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, Venezuela, Suriname, Guiana e Guiana Francesa. No total, são cerca de 34 milhões de pessoas, dos quais mais de 3 milhões são indígenas de 390 grupos étnicos diferentes.

     Faltam padres, as distâncias entre as comunidades são longas e a carência de serviços públicos acaba fazendo com que a Igreja assuma papéis de assistência social. O tema do sínodo é "Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral". Porém, o Vaticano afirma também que "o Sínodo Amazônico é um grande projeto eclesial, cívico e ecológico". Portanto, acredita que vá além dos limites da Igreja.

     Vale lembrar que Francisco é, até hoje, o Papa que mais se dedicou à pauta ambiental. A encíclica Laudato si' (Louvado seja) foi um dos documentos mais importantes que já escreveu e teve impacto, por exemplo, nas discussões que levaram ao Acordo de Paris. Para Francisco, os problemas sociais e ambientais não podem ser analisados separadamente.


O que deve ser discutido?

     O "instrumento de trabalho" que orienta o sínodo tem críticas fortes ao modelo de desenvolvimento que vem sendo aplicado na Amazônia. 

     Veja abaixo alguns pontos importantes que serão debatido pelos participantes do sínodo:

     - Água: O rio Amazonas é como uma artéria do continente e do mundo, flui como veias da flora e fauna do território, como manancial de seus povos, de suas culturas e de suas expressões espirituais.

     - Mudanças climáticas: Níveis de 4° C de aquecimento, ou um desmatamento de 40% constituem “pontos de inflexão” do bioma amazônico rumo à desertificação, o que significa a transição para uma nova condição biológica geralmente irreversível. 

     - Desenvolvimento e governos: Muitos projetos destrutivos, em nome do progresso são apoiados pelos governos locais, nacionais e estrangeiros. 

     - Urbanização: A exploração da natureza e dos povos amazônicos (indígenas, mestiços, seringueiros, ribeirinhos e também aqueles que vivem nas cidades), provoca uma crise de esperança."

     - Migração: "Os processos migratórios dos últimos anos acentuaram também as mudanças religiosas e culturais da região.

     - Ecologia integral: Reconhecimento da relacionalidade como categoria humana fundamental.
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