Santos bem-aventurados da Arquidiocese de São Paulo

Durante as celebrações eucarísticas, na oração pelo primeiro Sínodo Arquidiocesano de São Paulo 2019, temos pedido a intercessão dos Santos e Beatos da Arquidiocese de São Paulo. Mas, como acontecem as coisas para alguém ser considerado Bem-Aventurado ou Santo?


     Inicialmente, a fama de santidade que acompanhava já em vida essas pessoas. Depois da morte delas, se recolhem os testemunhos que atestem que aquela pessoa praticou as virtudes cristãs em grau heroico. Concluído e aprovado esse processo na diocese em que ocorreu a morte, ele é enviado para análise para uma instância superior, em Roma. Se aprovado, nessa etapa, fica-se à espera do(s) milagre(s) obtidos por intercessão do candidato, como sinais da comprovação divina. Primeiramente para o grau de Bem-Aventurado e, posteriormente, para o grau de Santo. Tudo isso é prova do cuidado da parte da Igreja Católica em apontar tais personagens como exemplos de vida cristã para os fiéis. Na Arquidiocese de São Paulo já existem três Santos: Padre Anchieta, Frei Galvão e Madre Paulina. E outros dois Beatos ou Bem-Aventurados: Madre Assunta e Padre Mariano. Nesta edição, o Em Família apresenta um breve resumo das vidas desses heróis da vida cristã.



Padre José de Anchieta: vida direcionada para o ensino e o sacerdócio

     São José de Anchieta (1534 — 1597) foi um padre jesuíta espanhol, Santo da Igreja Católica e um dos fundadores das cidades brasileiras de São Paulo e do Rio de Janeiro, é copadroeiro do Brasil. Foi o primeiro dramaturgo, gramático e poeta nascido nas Ilhas Canárias. Autor da primeira gramática da língua tupi, e um dos primeiros autores da literatura brasileira, para a qual compôs inúmeras peças teatrais e poemas de teor religioso e uma epopeia.

     Desde jovem, José de Anchieta padecia de tuberculose óssea, que lhe causou uma escoliose, agravada durante o noviciado na Companhia de Jesus. Este fato foi determinante para que deixasse os estudos religiosos e viajasse para o Brasil. Aportou em Salvador, com menos de vinte anos de idade, onde ficou menos de três meses. Logo partiu para a Capitania de São Vicente, onde permaneceria por doze anos.

     Anchieta abriu os caminhos do sertão. Além de educar e catequizar os indígenas, também defendia esse povo dos abusos dos colonizadores portugueses que queriam escravizá-los e tomar-lhes as mulheres e filhos. Foi companheiro de Estácio de Sá na fundação do Rio de Janeiro. Por esta época, foi ordenado sacerdote aos 32 anos de idade. O apostolado não impediu Anchieta de cultivar as letras, compondo seus textos em quatro línguas - português, castelhano, latim e tupi, tanto em prosa como em verso.

     Embora a campanha para a sua beatificação tenha sido iniciada na Capitania da Bahia em 1617, só foi beatificado em junho de 1980 pelo papa João Paulo II.  O processo durou 417 anos e foi um dos mais longos da história.



Irmã Paulina: vítima de amor e reparação pela santificação de suas filhas

     Amabile Lucia Visintainer (1865 — 1942) foi uma religiosa tirolesa canonizada por papa João Paulo II. Recebeu o título de Santa Paulina. Nasceu numa família de poucas posses que em 1875 emigrou para o Brasil como muitos outros tiroleses italianos. A família Visentainer se estabeleceu em Santa Caterina, na cidade de Nova Trento.

     Desde muito cedo, atuante nos serviços religiosos da sua paróquia, emite os votos em 1895 e torna-se Irmã Paulina do Coração Agonizante de Jesus. Ela dá início à Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição. Em 1903, deixa Nova Trento e, no bairro do Ipiranga, em São Paulo, ocupa-se de crianças órfãs e de ex-escravos abandonados.

     Foi notória a consolidação do seu trabalho, sobretudo nos Estados de Santa Catarina e São Paulo. As Irmãs assumem missões evangelizadoras onde lhes for possível: na educação, na catequese, no cuidado às pessoas idosas, doentes e crianças órfãs. A Congregação floresce. Tudo caminha bem. Só faltava a manifestação do ódio, da inveja, do ressentimento… Ela chegou logo. Durante alguns anos teve que enfrentar muitos desafios, perseguição e indiferença. 

     Em 1938 já demonstrava sérios problemas de saúde causados pelo diabetes, que lhe causou várias amputações. Passou os últimos meses de sua vida cega. Faleceu em 9 de julho de 1942.

     Foi beatificada pelo papa João Paulo II por ocasião da sua visita a Florianópolis. Foi por fim canonizada em 19 de maio de 2002 pelo mesmo Papa. É considerada a primeira Santa brasileira, mesmo não tendo nascida no Brasil.



Beata Assunta: dotada de sabedoria para ouvir, partilhar, valorizar

     Assunta Marchetti nasceu em Lombrici, de Camaiore, província de Lucca, Itália, no dia 15 de agosto, dia da Assunção de Nossa Senhora ao Céu, daí seu nome. Toda a família se dedicava ao trabalho da moagem de cereais, e como meeiros dos proprietários, dependiam do moinho não só para o sustento como para a moradia. Além do pesado trabalho, a mãe adoentada confiava em Assunta no cuidado dos irmãos menores. Ela era a terceira filha de 11 irmãos. Seu desejo era tornar-se Irmã, o que foi adiado porque seu irmão mais velho, José Marchetti, ingressou no seminário de Lucca, e ordenou-se padre em 1892.

     Eram os anos da grande imigração italiana para as Américas. Impulsionado pela pregação do Beato Dom João Batista Scalabrini, apóstolo dos migrantes, seu irmão, padre José, embarcou para o Brasil em outubro de 1894. Em fevereiro do ano seguinte iniciou a construção do Orfanato Cristóvão Colombo, em São Paulo. Retornando à Itália, convidou a irmã Assunta para abraçar a causa dos migrantes. Com 24 anos, a resposta de Assunta marcou o resto da sua vida. No mesmo ano partiu para o Brasil, deixando definitivamente sua pátria. Chegando em São Paulo, enfrentou o insano trabalho de cuidar de centenas de órfãos, gestantes, imigrantes afetados pela cólera e tantos outros males. Assunta se colocou à frente de um grupo inicial com quatro irmãs, ocupando tanto o posto de superiora como o de cozinheira. Foi a coluna que sustentou a congregação, sobretudo após a morte prematura do irmão e fundador, aos 27 anos.

     Após 53 anos de vida missionária, Madre Assunta morreu como viveu: tranquila, calma, serena, meiga, carinhosa, no meio dos órfãos, em 1º de julho de 1948. Hoje as Irmãs Carlistas são mais de 800, presentes em 20 nações de 4 continentes. Madre Assunta foi beatificada no dia 25 de outubro de 2014 na Catedral da Sé, em São Paulo.



Beato Mariano: mensageiro da esperança e do amor

     Beatificado no dia 5 de novembro de 2006, na Catedral da Sé, em São Paulo, durante celebração presidida pelo representante do Vaticano, o Cardeal José Saraiva Martins, o Beato Mariano de La Mata tem seus restos mortais sepultados na Paróquia Santo Agostinho, no bairro da Liberdade, onde atuou até a sua morte, em 5 de abril de 1983.

     Mariano nasceu em Barrio de La Puebla, em Palência, na Espanha, em 31 de dezembro de 1905. Cresceu num ambiente cristão e foi incentivado a ingressar na Ordem Agostiniana também pelo fato de três de seus irmãos terem abraçado a Ordem.

     Em 1930, foi ordenado sacerdote, e no ano seguinte, enviado em missão para o Brasil. Em 1933, assumiu o Colégio Santo Agostinho, em São Paulo, onde foi professor, secretário e ecônomo. Em 1949, foi para o Colégio Agostiniano de São José do Rio Preto (SP), sendo diretor por três anos e professor. A seguir, transferiu-se novamente para o Colégio Santo Agostinho, em São Paulo, onde permaneceu até o fim da vida. Reconhecidamente generoso, espontâneo, desprendido e sensível diante da dor, padre Mariano teve sua vida marcada pelo amor aos que sofrem – era chamado de “mensageiro da caridade e do amor”.

     O milagre aprovado pela Congregação para as Causas dos Santos e pelo papa Bento XVI para a beatificação do padre Mariano ocorreu 1996, em Barra Bonita (SP), com a cura do menino João Paulo Polotto, após um acidente na rua. 



Frei Galvão: poder da cura em tempos de escassez

     Antônio de Sant’Ana Galvão, mais conhecido como Frei Galvão é o primeiro Santo nascido no Brasil. Ele é o quarto filho de uma família numerosa, profundamente religiosa e de elevado status social e político. Seu pai e sua mãe eram generosos e preocupados com os pobres. 

     Aos 13 anos, Galvão foi enviado pelos pais ao seminário jesuíta Colégio de Belém, na Bahia, com a finalidade de estudar ciências humanas. Ele aspirava se tornar um padre jesuíta, mas a perseguição antijesuíta liderada por Marquês de Pombal fez com que ele se mudasse para um convento franciscano em Taubaté, seguindo o conselho do pai. 

     Aos 21 anos, se tornou um noviço e, durante o noviciado, Galvão se tornou conhecido por sua piedade, zelo e virtudes exemplares. Frei Galvão fez sua profissão solene em 16 de abril de 1761, assumindo o voto de defender o título de “Imaculada” da Virgem Maria, ainda considerada uma doutrina polêmica na época. 

     Frei Galvão era muito procurado pelo seu poder de curar doenças numa época em que os recursos médicos eram escassos. Numa dessas ocasiões, escreveu num pedaço de papel uma frase em latim do Ofício de Nossa Senhora (“Após o parto, permaneceste virgem: Ó Mãe de Deus, intercedei por nós”). Em seguida, enrolou o papel no formato de uma pílula e deu-o a uma jovem cujas fortes cólicas renais estavam colocando sua vida em risco. Depois que ela tomou a pílula a dor cessou imediatamente e ela expeliu uma grande quantidade de cálculo renal. A história das pílulas se espalhou rapidamente e Frei Galvão teve que ensinar as irmãs do Recolhimento como fabricá-las, o que elas fazem até os dias de hoje.
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