Dom Bosco: visão para o mundo contemporâneo

Agosto é o mês em que católicos salesianos lembram mais particularmente de Dom Bosco, sacerdote, educador e consagrado Pai da Juventude. Aqui estão destacados tópicos que têm a ver com o mundo contemporâneo, embora Dom Bosco tenha vivido no século XIX, no norte da Itália, em plena revolução industrial, e na efervescência política da reunificação da Itália

 
     Tudo tem início com um sonho profético! Aos nove anos de idade, o menino João Bosco sonhou que estava em frente à sua casa, na roça, quando a molecada à sua volta começou a brigar. João tentou colocar ordem na bagunça. Não conseguindo com bons modos, como era mais forte que os outros, apelou aos próprios braços e punhos. Um estranho personagem apareceu e lhe disse: “Não com pancadas, João, mas com amor você vai conquistar as pessoas.” 

     João olhou à sua volta, e em vez de seus colegas, passou a ver feras. E o estranho personagem continuou: “Com bondade, você vai conquistar as pessoas.” E as feras se transformaram em mansos cordeirinhos. Joãozinho disse: “Eu não estou entendendo nada.” E o personagem disse: “Eu lhe darei a Mestra.” Ele desapareceu, e no seu lugar apareceu uma senhora de grande majestade, que disse a Joãozinho: “Torne-se humilde, forte e robusto.” E João respondeu: “Eu não estou entendendo nada!” E aquela senhora lhe disse: “A seu tempo, tudo compreenderás.”

     Na manhã seguinte, ele contou à família o sonho. Um irmão disse:  “Quer dizer que você mais tarde vai ser pastor de ovelhas.” O outro irmão, o mais velho, que não gostava dele, emendou: “Quer dizer que você no futuro vai ser chefe de bandidos.” A mãe, D. Margarida, disse: “Quem sabe se você não vai se tornar padre?!” E a avó encerrou a conversa: “Não se deve acreditar em sonhos.”

     De galho em galho – A situação em família estava se tornando incontornável. O irmão mais velho se enfurecia com o fato de João procurar estudar. Ele achava que para trabalhar na roça não precisava estudos. Mas João queria estudar para se tornar padre. 

     Mamãe Margarida não teve outro jeito senão enviar João para trabalhar no sítio de parentes, e assim ter sossego em casa, e proporcionar para João um certo respiro. Foi assim que João Bosco saiu de casa, e começou a viver em outros ambientes. Assim, para se sustentar fora de casa, João foi aprendiz de sapateiro, de tipógrafo, de alfaiate, garçom. Sem perceber, foi aprendendo ofícios urbanos, que mais tarde ele ensinaria para os jovens que estavam saindo da roça para viver na cidade grande.

     Quando, enfim, entrou para o seminário, sofreu com a distância e a indiferença dos padres que trabalhavam no seminário. Isso só o incentivou a, mais tarde, como padre, ele dar o primeiro passo para se aproximar das pessoas, especialmente dos jovens.

     Os primeiros passos como padre – Ordenado padre, começou a trabalhar com seu professor, o Pe. José Cafasso, que trabalhava com os prisioneiros, que acompanhava até à forca os que eram condenados à morte. Isso foi incomodando o jovem padre Bosco a fazer alguma coisa pelos jovens antes que eles caíssem na cadeia. Porque, senão, poderia ser muito tarde.

     Um dia 8 de dezembro ele estava preparando-se para celebrar a missa, quando na sacristia o sacristão mandou um jovem ajudar D. Bosco como coroinha. O rapaz disse que não sabia fazer isso. Então o sacristão o espantou com um espanador. D. Bosco repreendeu o sacristão  e mandou-o buscar o jovem, que era seu amigo. O sacristão foi de volta chamar o rapaz. Dom Bosco perguntou para o menino: Qual o seu nome? Bartolomeu Garelli. Quantos anos você tem? Dezesseis. De onde você é? De Asti. E o seu pai e a sua mãe? Morreram.

     Depois da missa, continuaram a conversa. Você sabe ler e escrever? Não. E fazer contas? Também não. Já fez a Primeira Comunhão? Não. E vai ao catecismo? Não, porque eu não sei nada, e as crianças menores ririam de mim. Você sabe assobiar? Isso, sim. E juntos assobiaram uma música. Até que enfim! E se eu preparasse você para a Primeira Comunhão, você toparia? Assim, sim.

     No domingo seguinte, Bartolomeu Garelli apareceu, trazendo uns colegas, também como ele vindos da roça à procura de alguma na cidade de Turim. E assim o grupo  foi crescendo. Durante a semana, Dom Bosco acompanhava os jovens em seus locais de trabalho, conversava com os empregadores, redigia contratos de trabalho entre os patrões e os seus jovens, que foram os primeiros documentos em vista de uma justiça trabalhista.

     Mas havia também o problema da moradia. E Dom Bosco foi acolhendo uns jovens. A situação era melindrosa, porque a casa que Dom Bosco tinha conseguido, ficava próxima a uma casa de prostituição. Então Dom Bosco foi à roça buscar a própria mãe, para ficar com ele e com  os seus moleques.  E assim foi alfabetizando, ensinando os ofícios da cidade a eles.

     O trabalho foi crescendo, e Dom Bosco foi envolvendo os próprios jovens no cuidado dos jovens mais jovens. E assim formou o grupo dos salesianos.

     O primeiro grupo dos  salesianos – Trabalhar com Dom Bosco não se apresentava como problema, mas... Em plena época de reunificação da Itália, havia uma publicidade que apresentava os frades como inúteis e inimigos do povo. Diante disso, o primeiro grupo de jovens salesianos entrou em crise. Até que um deles, João Cagliero, explosivo, disse: “Frades ou não frades, vamos ficar com Dom Bosco, fazendo o trabalho dele, com ele.” E assim o trabalho deslanchou.

     O trabalho educativo se apoiava em três eixos: razão, religião, e carinho. Não sobrecarregar o jovem com um monte de exigências que ele nem entende. Poucas regras, porém claras e constantes. Religião para motivar o jovem para os ideais mais sublimes. E carinho, espírito de família, para envolver os jovens.

     A obra de Dom  foi crescendo, se alastrando, inicialmente pela cidade de Turim, no  norte da Itália, depois por toda Itália, França, Espanha. Mas Dom Bosco queria atingir o mundo todo. Ele sonhou com populações indígenas que lhe pediam que enviasse os salesianos. Inicialmente, Dom Bosco pensou que se tratasse dos peles-vermelhas norte-americanos. Foi estudar... mas as montanhas que ele no fundo da visão, não correspondia às montanhas dos Estados Unidos. Pensou que se tratasse de populações do interior da China... mas a vegetação que ele tinha visto em sonhos, também não correspondia.

     Aí pensou que se tratasse de povos que viviam nos Montes Atlas, no norte da África. Mas os pássaros da região não correspondiam ao que ele tinha visto em sonhos. Finalmente, descobriu que se tratava dos patagões, indígenas do sul da Argentina, com os Andes nos fundos. Daí enviou os salesianos para Buenos Aires, para acompanhar os imigrantes italianos que se transferiam para a Argentina, para os salesianos tomarem pé, e depois rumarem para a Patagônia, Terra do Fogo. Também enviou os salesianos para a Uruguai, para o Brasil.

     No século XIX, Dom Bosco sonhou com Brasília, motivo pelo qual ele é co-padroeiro de Brasília,  junto com Nossa Senhora Aparecida. É que entre os construtores de Brasília, muitos eram ex-alunos salesianos e sabiam dos sonhos de Dom Bosco, colocaram-no como co-padreiro de Brasília, juntamente com Nossa Senhora Aparecida.

     Se a gente quiser saber do que morreu Dom Bosco, vamos escutar o diagnóstico do médico que tratava dele: “Dom Bosco não morre de uma doença específica. O organismo dele está todo consumido, todo gasto pelo trabalho incessante que ele sempre desenvolveu, como um tecido todo velho e gasto.” O desafio que Dom Bosco via no seu século XIX não é diferente do desafio que vemos nós hoje: fazer dos jovens “e honestos cidadãos e bons cristãos”. E o que dizia Dom Bosco no seu tempo, ele o repete para nós  hoje:

     “Se você quiser fazer uma coisa, que dê muita alegria a Deus, eduque a juventude. Agora, se você quiser fazer uma coisa muito boa, que dê muita alegria a Deus, então eduque a juventude. Mas se você quiser fazer uma coisa excelente, que dê muita, mas muita alegria a Deus, então eduque a juventude.”


Santuário de Dom Bosco, em Brasília



Dez mandamentos de Dom Bosco para o cuidado com os filhos

     O mês de agosto é celebrado como mês de Dom Bosco e tem um dia reservado para a comemoração do Dia dos Pais. Com isso, o Em Família traz nesta edição 10 conselhos de Dom Bosco aos pais. 

     1 - Valorize o seu filho. Quando respeitado e estimado, o jovem progride e amadurece.

     2 - Acredite no seu filho. Mesmo os jovens mais 'difíceis' trazem bondade e generosidade no coração.

     3 - Ame e respeite o seu filho. Mostre a ele, claramente, que você está ao seu lado, olhe-o nos olhos. Nós é que pertencemos a nossos filhos, não eles a nós.

     4 - Elogie seu filho sempre que puder. Seja sincero: quem de nós não gosta de um elogio?

     5 - Compreenda seu filho. O mundo hoje é complicado, rude e competitivo. Muda todo dia. Procure entender isto. Quem sabe ele está precisando de você, esperando apenas um toque seu.

     6 - Alegre-se com o seu filho. Tanto quanto nós, os jovens são atraídos por um sorriso; a alegria e o bom humor atraem os meninos como mel.

     7 - Aproxime-se de seu filho. Viva com o seu filho. Viva no meio dele. Conheça seus amigos. Procure saber onde ele vai, com quem está. Convide-o a trazer seus amigos para a sua casa. Participe amigavelmente de sua vida.

     8 - Seja coerente com o seu filho. Não temos o direito de exigir de nosso filho atitudes que não temos. Quem não é sério não pode exigir seriedade. Quem não respeita, não pode exigir respeito. O nosso filho vê tudo isso muito bem, talvez porque nos conheça mais do que nós a ele.

     9 - Prevenir é melhor do que castigar o seu filho. Quem é feliz não sente necessidade de fazer o que não é direito. O castigo gera mágoas, a dor e o rancor ficam e separam você do seu filho. Seja prudente! Pense duas, três, sete vezes, antes de castigar. Não faça nada movido pela raiva.

     10 - Reze com seu filho. No princípio pode parecer “estranho”. Mas a religião precisa ser alimentada. Quem ama e respeita a Deus vai amar e respeitar o seu próximo. Quando se trata de educação não se pode deixar de lado a religião.
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