Salesianos na Ásia

Ao final dos anos trinta do século XIX, a leitura dos Anais da Propagação da Fé oferecia a Dom Bosco uma boa informação sobre as missões na Índia e na China como também, nos mesmos anos, os Oblatos de Maria Virgem, que dirigiam o santuário da Consolação de Turim, com a sua partida para as missões na Birmânia (Mianmar). Na foto ao lado, o Reitor-Mor dos salesianos, padre Ángel Fernández Artime, em sua primeira visita às obras salesianas na Ásia, em abril de 2015

     Notável influência sobre Dom Bosco deve ter exercido também o cônego José Ortalda, diretor do Conselho Diocesano da Associação de Propaganda Fide por 30 anos (1851-1880), promotor de uma espécie de seminário menor para vocações missionárias e editor de uma revista missionária.

     O interesse missionário pela Ásia cresceu ainda mais em Dom Bosco no momento da canonização em Roma, em 1862, dos 26 protomártires japoneses e da beatificação em 1867 de mais de 200 mártires japoneses, celebrada solenemente também em Valdocco. Por Turim também passaram muitos bispos missionários, entre os quais, em novembro de 1859, Dom Luis Celestino Spelta († 1862), Vigário Apostólico de Hupei (China), e, nos anos seguintes, Dom Daniel Comboni, com quem Dom Bosco manteve uma troca de opiniões sobre as missões na África. Contato não lhe faltou nem mesmo com o missionário italiano na Geórgia (USA), Bettazzi, em vista da direção de uma escola de artes e ofícios ou um seminário, nos quais também estava interessado o bispo local. Até 1870, embora teoricamente sensível às necessidades missionárias, Dom Bosco cultivava outros projetos em sede nacional. 

     A presença em Roma de 180 bispos de “terras de missão” para o Concílio Vaticano Primeiro ofereceu a ocasião de Dom Bosco encontrar-se com muitos deles e também ser por eles contatado. 

     Em Valdocco, em novembro de 1869, foi recebida uma delegação de bispos chilenos; em julho de 1870, o arcebispo de São Francisco (USA) pediu e obteve a direção de um internato com escola profissional (nunca realizado). No mesmo ano, foi a vez do piemontês Dom Domingos Barbero, Vigário Apostólico em Hyderabad (Índia), que lhe pediu duas irmãs disponíveis para a Índia. Também visitaram Valdocco Dom Luís Moccagatta, Vigário Apostólico de Shantung (China) e o seu sucessor Dom Elígio Cosi (1819-1885).

     Em 1873, em Valdocco, Dom Timoleone Raimondi ofereceu a Dom Bosco a possibilidade de dirigir escolas católicas na Prefeitura Apostólica de Hong Kong. A tratativa, que durou mais de um ano, bloqueou-se por vários motivos. O mesmo aconteceu naqueles anos para fundações missionárias em outras partes da Índia e na Austrália, para as quais Dom Bosco entabulou tratativas com os bispos, dadas então como concluídas pela Santa Sé, enquanto na verdade eram apenas projetos in fieri. A disponibilidade do reitor do colégio irlandês de Roma, Mons. Toby Kirby, de dar alunos de língua inglesa não levou a nada de concreto. Não foi o que aconteceu com o projeto argentino-patagônico, que unindo a atenção aos emigrados italianos e a evangelização dos índios, foi aceito e lançado por Dom Bosco em tempos muito áridos. Facilitaram-no a semelhança de língua, cultura e tradições. 

Fonte: Sussurando o Evangelho - Primeiro Anúncio e a Formação Profissional na Ásia - Francesco Motto - SDB
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