Documento final do Sínodo da Amazônia é votado e aprovado

Na votação, os padres sinodais aprovaram, quase por unanimidade, todos os 120 parágrafos do texto


     O Documento final do Sínodo dos Bispos para a região Pan- Amazônica foi votado e aprovado em 26 de novembro. O texto foi divulgado a pedido do papa Francisco. 

   Dividido em cinco capítulos, o texto pede uma conversão que tem diferentes significados: integral, pastoral, cultural, ecológica e sinodal. Entre os temas apresentados estão a Igreja com rosto indígena, migrante, jovem, um chamado à conversão integral, um diálogo ecumênico, a importância dos valores culturais dos povos amazônicos, a dimensão socioambiental da evangelização, uma Igreja ministerial e novos ministérios, além da presença e vez da mulher e muitas outras propostas.

     Em entrevista exclusiva à Rede Aparecida de Comunicação, o Cardeal Cláudio Hummes, relator-geral do Sínodo, falou que este foi um passo importante para a Igreja e ressaltou que está feliz com o resultado: “Em primeiro lugar quero agradecer à sensível a presença de Deus e do Espírito Santo que nos guiou. Muitos rezaram para isso e o Espírito Santo esteve realmente aqui. Eu estou muito feliz com o resultado. Foi realmente algo importante para nossa gente, para o território da Amazônia, importantíssimo porque continua esse trabalho que a Igreja já fez e está fazendo em relação a grande crise ambiental e socioambiental, ecológica e climática. A salvação da Amazônia é fundamental para o futuro da humanidade. Creio que foi um passo muito importante nesse sentido este Sínodo. Estou muito feliz e tenho certeza de que agora nós temos mais luzes para trabalhar e muito mais impulso também”, afirmou.



Pastoral urbana e as famílias

     O texto conclusivo do Sínodo se detém no tema da pastoral urbana, com um foco particular nas famílias: nas periferias da cidade, elas sofrem pobreza, desemprego, falta de moradia, além de vários problemas de saúde. Torna-se, portanto, necessário defender o direito de todos à cidade como desfrute justo dos princípios de sustentabilidade, democracia e justiça social. É preciso lutar, lê-se no texto, a fim de que os direitos fundamentais básicos sejam garantidos nas “favelas” e nas “villas misérias”.  

     Central deve ser também o estabelecimento de um “ministério de acolhimento” para uma solidariedade fraterna com migrantes, refugiados e sem-teto que vivem no contexto urbano. Nesse âmbito, uma ajuda válida vem das Comunidades Eclesiais de Base, “um presente de Deus para as Igrejas locais da Amazônia”. Ao mesmo tempo, as políticas públicas são convidadas a melhorar a qualidade de vida nas áreas rurais, a fim de evitar a transferência descontrolada de pessoas para a cidade.
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