Aspectos importantes sobre a Campanha da Fraternidade 2020

Todos os anos, a Igreja no Brasil propõe uma temática para reflexão da Campanha da Fraternidade. Ao longo de mais de 50 anos, a CNBB já propôs diversos temas relevantes para a sociedade refletir e engajar-se

     Todos os anos a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) apresenta a Campanha da Fraternidade (CF) como caminho de conversão quaresmal. É uma atividade ampla de evangelização que pretende ajudar os cristãos e pessoas de boa vontade a vivenciarem a fraternidade em compromissos concretos, provocando, ao mesmo tempo, a renovação da vida da Igreja e a transformação da sociedade, a partir de temas específicos.

     A Campanha da Fraternidade tem seu início na Quarta-feira de Cinzas, e termina solenemente no Domingo de Ramos, quando acontece a Coleta da Solidariedade, gesto concreto da campanha. No entanto, o tema continua sendo debatido nas dioceses durante todo o ano. 

     A cada cinco anos a Campanha da Fraternidade é realizada em conjunto com outras igrejas cristãs e aberta para todas as religiões que se identificarem com o tema e queiram participar. A última Campanha da Fraternidade Ecumênica aconteceu em 2016, com o tema “Casa comum, nossa responsabilidade”.

     Ano passado, papa Francisco enviou uma mensagem por ocasião da abertura da Campanha da Fraternidade CF 2019. Na mensagem, ele afirma que todas as pessoas e instituições devem se sentir protagonistas das iniciativas e ações que promovam condições de vida social que permitem aos indivíduos, famílias e associações alcançar mais plena e facilmente a própria perfeição.

     O secretário executivo de Campanhas da CNBB, padre Patriky Samuel Batista (foto), ressalta as diversas ações de cuidado em favor da vida promovidas pela Igreja em várias partes do Brasil e, também, as diversas situações onde a vida tem sido descuidada e necessita de uma intervenção evangélica fruto de um coração convertido pela Palavra de Deus. 

Campanha da Fraternidade remete ao cuidado com a vida

Em entrevista ao Vatican News, o secretário executivo comentou que a CF 2020 destaca a questão do cuidado a vida em todos os âmbitos. Com o lema inspirado no Bom Samaritano. “Olhando o cenário atual, não somente no Brasil, mas no mundo todo, percebemos diversas realidades onde a vida tem sido descuidada”, enfatiza. “O tema vai desde a questão do aborto, dos pobres e da questão ecológica, olhando sobretudo as periferias existenciais. Talvez essa deva ser uma das primeiras campanhas que toca diretamente nas periferias existenciais como papa Francisco nos fala”. 

     Ainda segundo padre Patriky Samuel Batista, situações como depressão, automutilação, o número de pessoas desaparecidas, que no Brasil chega a 800 mil também estarão como pano de fundo. “O desejo da Campanha da Fraternidade para 2020 é conscientizar, à luz da Palavra de Deus, para o sentido da vida como dom e compromisso, que se traduz em relação de mútuo cuidado dentre as pessoas, na família, na comunidade e também na sociedade”, explica. “A vida é um intercâmbio de cuidados, e para nós que cremos que Jesus é a vida, a Campanha da Fraternidade vai nos ajudar a refletir isto: quando nós nos dispomos a cuidar uns dos outros, a vida recobre um novo sentido.”

     A imagem escolhida para a ilustrar a CF de 2020 foi de Santa Dulce dos Pobres, cercada de pessoas no Pelourinho em Salvador.



A CF 2020 apresenta dez objetivos específicos

  1 Apresentar o sentido de vida proposto por Jesus nos Evangelhos.

  2 Propor a compaixão, a ternura e o cuidado como exigências fundamentais da vida para relações sociais mais humanas.

  3 Fortalecer a cultura do encontro, da fraternidade e a revolução do cuidado como caminhos de superação da indiferença e da violência.

  4 Promover e defender a vida, desde a fecundação até o seu fim natural, rumo à plenitude.

  5 Despertar as famílias para a beleza do amor que gera continuamente vida nova.

  6 Preparar os cristãos e as comunidades para anunciar, com o testemunho e as ações de mútuo cuidado, a vida plena do Reino de Deus.

  7 Criar espaços nas comunidades para que, pelo Batismo, pela Crisma e pela Eucaristia, todos percebam, na fraternidade, a vida como dom  e compromisso.

  8 Despertar os jovens para o dom e a beleza da vida, motivando-lhes o engajamento em ações de cuidado mútuo, especialmente de outros jovens em situação de sofrimento e desesperança.

  9 Valorizar, divulgar e fortalecer as inúmeras iniciativas já existentes em favor da vida.

10 Cuidar do planeta, nossa Casa Comum, comprometendo-se com a ecologia integral.



Vida e obra de Irmã Dulce inspira cartaz da CF 2020

Tema “Fraternidade e vida: dom e compromisso’, remete à figura de Irmã Dulce, canonizada em outubro de 2019, oficialmente declarada a primeira santa brasileira


     Qual seria a imagem que poderia caracterizar o bom samaritano para os dias atuais? Padre Patriky Samuel Batista, nomeado secretário executivo de Campanhas da CNBB Nacional em junho de 2019 explica: “Lembramos de diversas mulheres, religiosas, leigas, e dentre tantas possibilidades, nós olhamos Santa Dulce, vida doada e vida santificada. Ela que fez de um galinheiro uma obra de cuidados extraordinário, também se tornou sinal da obra de Deus, se aproximando e cuidando. Dai então a escolha de Santa Dulce como este ícone do Bom Samaritano para os dias de hoje, que estimula também a caminhada missionária da Igreja. Vida doada e vida santificada!”

Servir com espírito  de humanidade

     Os elementos que compõem a identidade visual da Campanha da Fraternidade buscam transmitir sua mensagem como oferta de diálogo da Igreja com a sociedade, buscando debater assuntos de relevante interesse dos brasileiros.

     A proposta para este ano foi inspirada pelo lema “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10,33-34). O trecho, extraído da Parábola do Bom Samaritano, nos encoraja, a partir de Jesus Cristo, a servir com espírito de humanidade, cuidado e amor para com o próximo, sementes de fraternidade.

     Estender a mão ao próximo é missão dos discípulos e discípulas de Cristo. Foi essa marca que várias testemunhas da fé nos deixaram como legado. É o caso de Santa Dulce dos Pobres, o Anjo Bom da Bahia. Ela é uma das representações do “bom samaritano dos nossos tempos”. Por isso, sua imagem é apresentada em perspectiva de destaque no cartaz.

     Na ilustração, as pessoas que a cercam simbolizam uma população vulnerável, que clama por vida em plenitude. É possível perceber também a pluralidade que engloba diferentes faixas etárias, etnias e outras particularidades típicas de uma população multicultural, em um país com dimensões continentais como o Brasil.

     O cenário escolhido para a composição do desenho foi o bairro do Pelourinho, localizado na capital do estado da Bahia, Salvador, berço de nascimento de Santa Dulce, representação de um Brasil de tantos lugares e culturas. As pessoas estão na rua, área comum de encontro e convívio, mas também onde se vivenciam dores e angústias. “Assim, contemplamos uma Igreja em saída, que está nas ruas e vai ao encontro das pessoas”, observa padre Patrick.

     Na arte, foi aplicada a técnica de mosaico. Nela, cada peça desempenha um importante papel para a formação completa do desenho. De modo mais evidente, a composição expressa a viva unidade na diversidade de dons e serviços que nos animam a construir uma sociedade mais sensível e comprometida com as necessidades de nossos irmãos e irmãs e de todo o planeta. 

Fonte: portalkairos.org.br
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