Profissão de Fé: compromisso de seguir Jesus até as últimas consequências

Aconteceu no dia 19 de janeiro de 2020, na Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora - Bom Retiro, SP, a Primeira Profissão Religiosa de Irmã Luana Oliveira, do Instituto Filhas Maria Auxiliadora (FMA) - Salesianas de Dom Bosco. Com o lema de vida “Deus retirou-me de mim mesma, para ligar-me a Ele e dar-me a seu povo (São Francisco de Sales), e eu respondi: “Vós me chamastes, Senhor: aqui estou!” (1Sm 3,5), ela segue sua missão em Guaratinguetá, na Pastoral da obra social da Casa do Puríssimo Coração de Maria


     Nesta edição, em entrevista ao Em Família, a religiosa Irmã Luana Oliveira fala sobre a consagração religiosa que é a máxima expressão do Batismo, do compromisso cristão de seguimento de Jesus até as últimas consequências. Segundo ela, é o movimento de amor do Criador para com a criatura amada. Amor que se traduz em um chamado de Deus que retira a consagrada de si mesma, para fazê-la sua e entregá-la para uma missão em meio ao seu povo, no caso dos salesianos, de modo especial às jovens e aos jovens. Confira!

     Qual é a sua cidade de origem e como foi o seu contato com a Igreja?
     Nasci em Cunha, interior de São Paulo. Participei até meus nove anos da Igreja Evangélica, com minha avó materna. Sempre gostei de estar perto de Deus e sentia que Ele tinha algo especial para mim. Por incentivo da minha madrinha de Batismo, comecei a fazer a catequese em preparação para a Primeira Eucaristia, e foi aí que me senti tocada por Deus, senti que era na Igreja Católica o meu lugar. Nessa época, o que trago de mais forte e que foi alicerce para minha vocação, foi a presença de Nossa Senhora. Pelo fato de minha mãe não ser católica, eu não tinha contato com Maria como Nossa Mãe, e uma das minhas catequistas tinha arraigado em si um amor especial por Nossa Senhora e nos transmitia isso. Foi então que aprendi a amar Maria como minha Mãe e a recorrer a ela sempre que eu precisava. É por isso que, como Dom Bosco, posso dizer que ‘na minha vida, foi ela quem tudo fez...’.

     Você começou a vivenciar o chamado desde que idade? 
     Foi a convite dessa mesma catequista que me fez enxergar Nossa Senhora que comecei a fazer leitura na missa na comunidade e a servir o altar como coroinha. Depois ela me convidou para se líder da Infância Missionária, com o lema: ‘Crianças evangelizando crianças’. Aos 11 anos, assumi uma missão que me encantou: ser catequista! E assim, fui me envolvendo nos grupos paroquiais e me encantando sempre mais. 

     Como você conheceu as Irmãs Salesianas?
     Em minha cidade não há presença dos padres e nem das irmãs salesianas, só a Paróquia Diocesana. Mas há um Oratório Festivo, fruto de uma semana missionária, que é coordenado por leigos e pela paróquia. Comecei a participar do Oratório por causa do teatro, e foi ali que tive contato com o carisma salesiano.

     Conheci as irmãs salesianas em 2009, em um encontro vocacional paroquial. Logo de início me encantei com a missão que realizavam, o jeito diferente que me acolheram e de acolherem e estarem entre os jovens.  Recebi o convite para fazer a experiência vocacional, morando com as irmãs, em 2010, quando estava terminando o ensino médio, porém não pude ir. Com os acontecimentos, pensei que não era essa a minha vocação, já que não foi possível quando eu queria. Só hoje compreendo que Deus tem seu tempo certo para tudo. 

     Como foi despertada e fortalecida a sua vocação salesiana? 
     Em minha vocação, uma salesiana teve grande influência, Ir. Bernardina. Mesmo não tendo feito a experiência vocacional, ela sempre me escrevia, enviava livros salesianos, e, às vezes, ia me visitar. Enquanto isso eu tinha desistido de ser religiosa, estava cursando Pedagogia, mas sentia que algo faltava para me preencher, mesmo gostando das atividades na paróquia, sentia o desejo de me doar totalmente por algo maior, por uma causa que ajudasse as pessoas, que transformasse a realidade de alguém de forma positiva. Então, percebi que o chamado de Deus ainda ecoava em meu coração e em 2014, quando estava no último ano da faculdade, retomei o contato com Ir. Bernardina e participei de um encontro vocacional. Aquele encontro para mim, como dizia Madre Mazzarello, foi ‘a hora de acender a chama do amor de Deus’ e comecei a sentir que era isso que faltava para me preencher. 

     A partir do acompanhamento das irmãs salesianas você decidiu fazer uma experiência de vida com elas?
     Em 2015 decidi fazer a experiência e conhecer as irmãs mais de perto. Morei por um ano em Guaratinguetá, na Casa do Puríssimo Coração de Maria, onde desenvolvia uma oficina de teatro na obra social. Em 2016 entrei para o Aspirantado, primeira etapa da formação, no ano seguinte fui para o Postulado, etapas vivenciadas em São José dos Campos e, em 2018, entrei para o Noviciado, etapa de dois anos que antecede a Profissão Religiosa. 

     O que tem a dizer sobre sua experiência com adolescentes e jovens no Alto da Lapa? 
     O Noviciado é no Alto da Lapa, onde pude fazer uma bonita vivência apostólica no Centro Juvenil Dom Bosco, desenvolvendo a Formação Humana com os jovens e na Paróquia São João Bosco: em 2018 sendo catequista de Primeira Eucaristia e, em 2019, tive a oportunidade de dar uma formação para catequistas, grupo de pais missionários e leigos, abordando o tema da Autotranscedência de Madre Mazzarello e a necessidade de sermos cristãos, pais, catequistas, educadores resilientes e autotranscendentes, para desenvolver tais habilidades nos nossos jovens de hoje. Foram experiências que me ajudaram muito na formação, pois na Paróquia São João Bosco tive contato com leigos comprometidos que me ensinaram muitas coisas. Agradeço a Deus pela oportunidade de realizar meu trabalho pastoral nesta paróquia, em um momento tão decisivo em minha vida. 

     Qual mensagem você deixa para os paroquianos e para jovens?
     Madre Mazzarello tem uma frase que diz: “Que cada ponto seja um ato de amor a Deus”. Com essa frase, desejo que cada paroquiano, na missão como cristão, saiba fazer de sua vida um ato de amor a Deus, realizando tudo com amor e por amor, em vista do bem e dos jovens, especialmente dos mais pobres. E acreditem sempre que Deus está ao nosso lado e Nossa Senhora Auxiliadora é uma Mãe sempre presente em nossas vidas, assim, como foi na vida de Dom Bosco e Maria Domingas Mazzarello. Conto com a oração de vocês e que Deus suscite sempre mais vocações religiosas e leigos comprometidos com o anúncio do Reino. E a você jovem, que sente seu coração fazer cócegas e não sabe o que é, que tal conhecer melhor o caminho dos salesianos e das salesianas? Já pensou em seguir Jesus como Irmã Salesiana? Deus espera a sua resposta generosa! Não tenha medo, pois vale a pena dizer sim!
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