Agosto de 2015 - O protagonismo dos jovens

     Um dos pontos altos da educação salesiana, que Dom Bosco vivenciou nos seus tempos de Oratório em Turim e que ele transmitiu aos salesianos, é a descoberta e o fomento do protagonismo dos jovens, a convicção de que eles têm muita capacidade e, por isso, sempre propôs as atividades e os ideais mais elevados e exigentes do honesto cidadão e do bom cristão, até chegar às alturas da santidade. Celebramos neste mês 200 anos do nascimento de Dom Bosco e, então, precisamos relançar o seu projeto, a sua intuição educativa e trazê-la para os nossos dias.

     Uma coisa que salta aos olhos em experiências como a Semana Missionária que os nossos jovens e adolescentes empreenderam neste último mês de julho, no município de Paraisópolis, no sul de Minas Gerais, é a capacidade e o exercício de protagonismo: abraçam ações desafiantes, executam com alegria, superam dificuldades. Procedem à revisão das atividades, reprogramam, fazem as devidas correções de rotas e readaptações. Os adultos educadores, os jovens mais velhos assessores os acompanham e orientam, mas não os substituem.

     Além das visitas às casas das famílias, há as atividades educativas, recreativas e pastorais com os adolescentes nas sedes das igrejas e capelas, ou das escolas cedidas para o trabalho. Isso se chama protagonismo, assumir a dianteira. E ainda as tarefas assim ditas "domésticas": varrer e limpar, colocar em ordem os ambientes, arrumar as próprias coisas no alojamento (camas e outras tralhas). E o resultado de tudo isso é um enorme amadurecimento e enriquecimento humano.

     Enquanto isso, como é a prática de vida dos adolescentes e jovens em casa? Esses mesmos adolescentes e jovens encontram espaço para assumir as responsabilidades sobre as próprias coisas e as coisas do grupo familiar? Têm espaço para tomar iniciativas? Ou, ao invés, continuam recebendo tudo pronto na mão, de mão beijada, hóspedes de honra na própria casa, ou como bebês, incapazes?

     Todos nascem criancinhas. Mas não existe outro caminho na vida senão nos tornarmos adultos. E o caminho é irmos assumindo tarefas e saindo do mundo, para adentrarmos no mundo da realidade, com todas as suas consequências.

Padre Ailton António dos Santos, pároco
 
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