Outubro de 2015 - Do Patropi ao Brasil de hoje

     Uma contagiante canção de Jorge Benjor, de mais de 40 anos, unia a alegria de ser brasileiro com o futebol e a modernidade representada por um automóvel, no caso um fusca:

     “Moro num país tropical, abençoado por Deus, e bonito por natureza, mas que beleza! [...]

     Tenho um fusca e um violão, sou Flamengo, tenho uma nêga chamada Tereza.”

     De lá para cá muita coisa mudou, e continua mudando, infelizmente... O Brasil era na época visto como “o país do futuro”. Hoje, ao invés, aumenta o número de brasileiros vivendo no estrangeiro, à procura de melhores condições de vida, em busca de um futuro melhor.

     O futebol na época da canção estava prestes a se tornar tri-campeão, vindo depois a se tornar penta. Agora, de tão explorado por dirigentes e políticos venais, viu sua seleção amarelinha levar um vareio de bola em pleno solo pátrio, perdendo de 7 a 1 para os outrora cinturas-duras alemãs. 

     O ex-presidente da CBF José Maria Marin, já conhecido por roubar medalhas que devia distribuir aos atletas campeões, está preso na Suíça com a perspectiva de ser extraditado para os Estados Unidos.

     Por sua vez, outro personagem da mesma canção Patropi, a Volkswagen, na época fabricante do Fusca e atual maior montadora automotiva do mundo, foi flagrada em enorme falcatrua tecnológica e ética, em mais de onze milhões de veículos. Menos mal que poucos dias depois, seu CEO Martin Winterkorn teve de apresentar sua renúncia. A empresa perdeu mais de 27 bilhões de euros na bolsa, e enfrenta risco de perder mais na justiça, o que ensombra o futuro da empresa.

     O Brasil, que na canção era “abençoado por Deus”, agora se arrasta, esperando por uma solução  da Operação Lava-Jato.
É para este Brasil e para este mundo que se espera dos cristãos uma ação de inserção para construir um mundo de justiça e solidariedade: “As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo”, como ensina o Concílio Vaticano II e insiste o papa Francisco.

Padre Ailton António dos Santos, pároco
Voltar Topo Enviar a um amigo Imprimir Home