Outubro de 2015 - Jesus e os demônios

     Como disse Charles Beaudelaire, "a astúcia mais refinada do diabo é fazer-nos  crer que ele não existe". Mas não seria ele apenas um símbolo? O IV Concílio lateranense (1215) definiu que não: "O diabo (...) e os outros espíritos  maus foram por Deus criados bons por natureza, mas tornaram-se maus por si mesmos". O próprio Concílio Vaticano II a ele se referiu várias vezes. Assim se exprimiu, por exemplo, na Gaudium et Spes: "Constituído por Deus em estado de justiça, o homem, contudo, instigado pelo Maligno, desde o início da história abusou da própria liberdade".

     O evangelho de Marcos (Mc) é o que mais fala do demônio.  Já desde o início (1,21-28) nos apresenta Jesus libertando um possesso do demônio. A narração da cura do possesso de Gerasa em 5,1-20 é rica de pormenores. Em Tiro livra do demônio a filha da mulher fenícia em razão de sua fé (7,24-30). Quando Jesus escolhe os Doze, a eles confere o poder de expulsar demônios (3,14s). Até mesmo pessoas que não seguem Jesus expulsam demônios invocando o seu nome (9,38s). Para Marcos a luta de Jesus contra o demônio entra no contexto da chegada do Reino de Deus, assunto e realidade de extrema importância para Ele, Jesus.  Segundo o grande exegeta F. Mussner, "esse irromper do Reino de Deus se demonstra concretamente no aniquilamento poderoso e irresistível do reino de Satanás, tipicamente ligado ao fenômeno dos endemoninhados".

     Para quem acha a ideia da existência do demônio superada, valem as palavras de um outro grande exegeta, R. Schnakenburg: "Mesmo  segundo a concepção hodierna do mundo, permanece possível, assim me parece, crer na existência de 'potências e autoridades' espirituais reais e pessoais: isso pode até contribuir decididamente para uma verdadeira e plena compreensão do mundo e da história".

Padre Alcides Pinto da Silva - atua na Obra Social São João Bosco, em Campinas
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