Novembro de 2015 - Jesus Messias ou Ungido

     Messias é hebraico/aramaico e Cristo é grego: ambos os termos significam 'ungido'(com óleo, utilizado este na investidura dos reis de Israel. Desde a profecia de Natan (2 Sam 7,12-16, cada rei de Israel, ungido, se tornava por isso um 'messias'. Mas os profetas de Israel não poupavam denúncias aos reis infiéis, orientando os anseios populares para um rei futuro, que seria o Rei Messias por excelência (sem jamais, porém, chamá-lo de messias. O povo hebreu dava grande importância à expectativa messiânica.

     A revelação de Jesus como Messias é narrada com solenidade nos evangelhos. Mc 8,29 relata a resposta de Pedro à pergunta de Jesus: "Quem dizeis vós que eu sou?" O apóstolo respondeu: "Tu és o Messias". 

     Estamos no ponto alto do Evangelho de Marcos. A resposta de Pedro é como que o coroamento da 1ª parte de Mc. "Esta fé é autêntica, mas permanece imperfeita, pois o título de Messias corre ainda o perigo de ser entendido numa perspectiva de realeza temporal (cf Jo 6,15)"(VTB, c. 581). 

     A glória temporal dos ungidos da realeza davídica foi apenas uma figura. E o sentido pleno do messianismo de Jesus só aparecerá com clareza após sua ressurreição. Durante a vida pública Jesus impusera um rigoroso silêncio a respeito, o chamado "Segredo Messiânico" já estudado por nós.

     "Evangelho de Jesus, Messias" (1,1a): aí o 'de' é equivalente a 'isto é', 'que consiste em': logo, Jesus Messias é conteúdo do Evangelho. Faz parte do versículo programático (1,1). A realidade messiânica de Jesus é 'evangelho', é 'feliz notícia', assim como sua divindade (1,1b). Observamos que Messias ou Cristo não é aí nome próprio, mas título. Contudo, no Novo Testamento se tornará "como que seu nome próprio (empregado sem artigo: 1Co 15,12-23)"(VTB, c. 583).

     Em 14,61, temos a pergunta do sumo sacerdote: "Tu és o Cristo, o Filho do Bendito?" Aí "o termo 'Cristo' nos lábios do sumo sacerdote faz alusão ao Messias esperado pelos judeus; a denominação 'Filho do Bendito' apresenta esse Messias como objeto de uma especial predileção por parte de Deus" (J. Caba).

     A ideia programática de Mc 1,1 é, portanto, apresentada nas duas partes do seu evangelho: a revelação da messianidade culminará na conclusão da 1ª parte em 8,29 com a afirmação solene: "Tu és o Messias"; a 2ª parte mostrará a natureza ou em que consistirá ser Messias. É aqui que, para indicar essa natureza, é introduzido o título Filho do Homem (não falamos aqui das passagens de 2,10 e de 2,27-28, que merecem outra consideração). Por isso, a 1ª parte é denominada com razão 'O Mistério do Messias', e a 2ª o é como 'O mistério do Filho do Homem'. Assim a expressão "Filho do Homem" envolve um aspecto de sofrimento (como em Isaías) e um aspecto de glória (como em Daniel).

Padre Alcides Pinto da Silva atua na Obra Social São João Bosco, em Campinas

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