Dezembro de 2015 - Jesus Filho do Homem e Jesus Filho de Deus

     Dedicamos esse ano de 2015 ao estudo de Marcos. Estando para encerrar tal estudo, vimos ser necessário apresentar ainda os dois assuntos que acabamos de indicar no título deste artigo. É o que tentaremos fazer sem mais.

     Jesus Filho do Homem: como bem se lembra o leitor, tínhamos denominado a 2ª parte desse evangelho “O mistério do Filho do Homem” e dissemos por quê. Acrescentamos agora que os estudiosos de Mc distinguem em geral nele dois grupos de textos: um se refere ao Filho do Homem num contexto parusíaco, glorioso (Ele vem sobre as nuvens do céu como juiz: 8,38; 13,26; 14,62) e o outro num contexto de sofrimento/ressurreição (8,31; 9,12.31; 10,33.45; 14,21.41). Esse título de Jesus, portanto, “é a expressão da consciência (de Jesus) de ser o Messias, cuja missão é ao mesmo tempo morrer pelos homens e julgá-los” (J.Schmid). Jesus operou aí uma junção da afirmação do Filho do Homem glorioso de Daniel 7,13s com a do Servo Sofredor de Isaías. Pode ser, porém, que a expressão seja alguma vez apenas uma perífrase de ‘eu’ ou o equivalente de ‘homem’, como em 2,10 e 3,28s, respectivamente (é útil observamos que tais passagens se acham na 1ª parte de Mc...).

     Jesus Filho de Deus: é certo que o evangelista dava a esse título grande importância, pois ele comparece nos pontos chave do seu evangelho, ao todo 6 ou 7 vezes: 1,1.11; 3,11; 5,7; 12,6b; 14,61; 15,39. “Abre-se com esse título (1,1) e fecha-se praticamente com o mesmo na frase que pronuncia o centurião, após a morte de Jesus (15,39)” (J.Alonso Díaz). Essas passagens não se situam, contudo, todas, num mesmo plano: Mc 1,1 é uma confissão de fé do evangelista na divindade de Jesus; já Mc 14,61 (a pergunta do Sumo Sacerdote: “És tu o Cristo, o filho do Bendito?”) é apenas uma interrogação sobre o possível messianismo de Jesus. Quanto à confissão do centurião de 15,39 (“Esse homem era verdadeiramente o Filho de Deus”), é provavelmente apenas o equivalente de Lc 23,47 (“Este homem era realmente justo”). Mas os gritos dos demônios (3,11; 5,7), como escreveu B. Rigaux, “vão além”. Mais claras ainda na revelação da essência divina de Jesus são as teofanias do batismo de Jesus (1,11) e da sua transfiguração (9,7).

     Chegamos ao fim, caro leitor! Aproveitou-se das 12 instruções sobre o Evangelho de Marcos? Ele é fascinante e arrasta a gente para Jesus. Se puder, dê uma olhada nos diversos conteúdos apresentados, depois faça uma leitura seguida de Mc, do capítulo primeiro ao capítulo 16. Esse ano estudamos o evangelho de JOÃO Marcos, no próximo ano estudaremos o de um outro João, isto é, JOÃO evangelista, o filho de Zebedeu, também belíssimo...


A você que me acompanhou com atenção e carinho, um Feliz e Santo Natal!

Padre Alcides Pinto da Silva atua na Obra Social São João Bosco, em Campinas
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