Janeiro de 2016 - O que fica para trás na Virada do Ano

     A dupla dinâmica Natal e Ano Novo traz sempre consigo os costumeiros pedidos ao Papai Noel para que o Ano que se aproxima seja realmente Novo e Feliz. Então, a lista de pedidos ao bondoso velhinho sempre se alonga demais, e não contempla que a gente precisa na mesma medida se livrar dos pesos inúteis que carregamos do Infeliz Ano Velho, infelicidades que carregamos já quase sem mais perceber. Por isso, neste fim de ano, nas conversas com as pessoas, fiquei atento a alguns depoimentos de pessoas que decidiram, como se diz hoje, se desapegar de verdadeiros trastes.  São coisas que revelam como cada um sabe o que pega no pé.

     Umas coisas envolvem atitudes com relação aos outros: "Para o Ano Novo decidi não me lamentar mais de nada para ninguém, porque percebi que estava me tornando vítima, procurando a compaixão das pessoas. E isso não me faz bem e me tornava um peso para os outros".  "Tenho uma irmã que, sempre que me visita, é só para chorar as mágoas e pedir algum dinheiro emprestado, que nunca resolve a questão, porque ela é incapaz de se organizar. Vou precisar aprender a dispensar urgentemente essa irmã, para que ela cresça e caminhe com as próprias pernas".

     Outros depoimentos revelam decisões que envolvem particularmente só aquela pessoa, mas revelam também um descontentamento com a atual situação: "Me dei conta do tempo enorme que eu perco assistindo ao Brasil Urgente e Cidade Alerta na tevê, que só me dão sobressalto, não me ensinam nada e me esvaziam. Em janeiro vou voltar a ler todos os dias, reaprender a me interessar por outras coisas, me concentrar de novo e aproveitar melhor o meu tempo". "O quartinho de despejo está cheio de coisas nas quais não mexo faz mais de três anos, porque fico pensando que qualquer dia desses vou acabar precisando, mas nunca preciso. Vou mandar tudo embora para aprender a ser livre das coisas". "Percebi que estou cada vez mais preguiçoso. Quanto menos me mexo, menos quero me mexer. Moro no quarto andar, e sempre uso o elevador.  Pois a partir de 1º de janeiro, vou usar apenas a escada. Sei que no começo vou subir bufando, mas já está decidido".

     E você o que deseja de novo para o Ano Novo? E o que vai deixar para trás de Ano Velho?

Padre Ailton António dos Santos, pároco
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