Janeiro de 2016 - Introduzem-nos na sua obra grandes mestres

     R.E.Brown, grande exegeta americano: "Em 1955, minha primeira dissertação, apresentada em seminário como candidato ao doutoramento na Universidade de John Hopkins, versou sobre as epístolas e sobre o Evangelho de São João. Estava tão longe de pensar que começava um caso de amor, que ia durar um quarto de século, com o setor mais cheio de riscos da literatura do Novo Testamento". E Brown diz para nós algo muito prático:" Nos dias de hoje, quando os católicos discutem sobre quanta autoridade deverão ter o Papa, os bispos e os sacerdotes e até os leigos e quando os cristãos discutem se a mulher deveria ser ordenada ministra da Eucaristia, a voz de João faz-se ouvir em advertência. A maior dignidade que se deve ambicionar não é nem a papal, nem a episcopal, nem a sacerdotal; a maior dignidade é a de pertencer à comunidade dos discípulos amados de Jesus Cristo."

     R. Schnackenburg, autor de um monumental comentário sobre São João, do qual tiro essas palavras: "Talvez não exista outra obra em que se faça sentir de maneira tão aguda, como no evangelho de João, a tensão, tão notada nos nossos dias entre 'fé e história', 'história e mito', 'conhecimento histórico e inteligência da fé'." Para ele o 4º evangelho é "uma das mais ricas e controvertidas obras do Cristianismo Primitivo".

     Lutero, que tanto amou a Palavra de Deus (em atenção ao diálogo ecumênico): "Nunca na minha vida li algum livro escrito com palavras mais simples, entretanto são palavras inefáveis".

     João é importante sobretudo pelo seu conteúdo profundo de mensagem. Para uns ele é "um lago, cuja límpida superfície não permite imediatamente supor a profundidade das águas" (D. Mollat); para outros ele é uma montanha, como disse Santo Agostinho: "Irmãos caríssimos, João era uma daquelas montanhas das quais está escrito: as montanhas recebam a paz para o seu povo e as colinas a justiça (Sl 71,3). As montanhas são as grandes almas; as colinas são as pequenas almas (...). Portanto, irmãos, João era uma daquelas montanhas, ele que disse: 'No princípio era o Verbo e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus'. Tinha recebido a paz, aquela montanha; e contemplava a divindade do Verbo. Que montanha era aquela!... Como era santa! Quão elevada entre as montanhas que receberam a paz para o Povo de Deus, afim de que as colinas possam receber a justiça! ... Levantai, pois, meus irmãos, os olhos para essa montanha; quero dizer: levantai-vos na direção do Evangelista, levantai-vos para sua inteligência".

     Gostaria que essas últimas palavras-convite de Santo Agostinho calassem fundo no coração dos queridos leitores, paroquianos da Dom Bosco e Salesianos Cooperadores, nesse ano de 2016.

     Seguirão, com a graça de Deus, até o final de 2016 doze exposições na forma conhecida de pequenos artigos sobre o Evangelista João e o seu Evangelho. Posso garantir que vão gostar e os votos de ano novo que lhes faço certamente se tornarão realidade.

Padre Alcides Pinto da Silva atua na Obra Social São João Bosco, em Campinas
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