Fevereiro de 2016 - As meias ainda úmidas

     Um amigo meu tinha uma empresa com uns duzentos funcionários e uma chefe de setor que introduziu notáveis progressos por cerca de três, quatro anos. Até que começaram a surgir dificuldades dela com o gerente-geral.  Uma vez era uma coisa, outra vez era outra. E cada vez mais esse amigo tinha que intervir para resolver o meio-de-campo entre os dois.

     A chefe de setor chegou várias vezes a falar em sair da empresa. E esse meu amigo se via na condição de ter que segurar as pontas. Por sua vez, o gerente-geral sempre se mostrava disponível para alguma solução que se apresentasse. Bastava sinalizar.

     Até que numa sexta-feira a chefe de departamento novamente chegou ao seu limite, e mais uma vez foi pedir as contas. O meu amigo pediu um final de semana para pensar melhor, e ver se encontrava uma solução.

     E no domingo de manhã, ao se preparar para ir à missa, calçou as meias, mas ao sair do quarto sentiu um desconforto. Parecia que as meias estavam meio úmidas. Voltou, tirou as meias, apertou-as entre as mãos levando perto da pele do rosto, e elas lhe pareceram secas. Voltou a calçá-las.

     Inútil. Ao sair do quarto, elas lhe pareceram de novo meio úmidas. De novo ele voltou a tirá-las. Mais uma vez conferiu com as mãos levadas perto do rosto. Mais uma vez lhe pareceram secas.

     Calçou-as de novo. Quando estava saindo do quarto, pela terceira vez lhe pareceram de novo meio úmidas. Daí ele voltou a se sentar na cama. Porém dessa vez com uma nova decisão. Pegou outro par da gaveta, novo e definitivamente seco. E foi para a missa.
Na segunda-feira chegou à empresa e foi direto à encarregada de setor: “Olhe, fiquei de pensar no final de semana no seu caso, e de fato pensei. E cheguei à conclusão de que você não deve, mesmo, permanecer na empresa. O seu tempo aqui passou. E você precisa ser feliz em outro lugar”. 

     Logo ele escolheu uma nova chefe para o setor que se deu muito bem. Tinha aprendido a lição das meias-meio-úmidas-meio-secas.
Estamos ainda no começo do ano! Não vamos arrastar do ano velho para este ano ainda novo os pares de meias-meio-úmidas-meio-secas. 


Padre Ailton António dos Santos, pároco
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