Junho de 2016 - Tudo tem seu tempo determinado

     No meu primeiro paroquiato na São João Bosco, no Alto da Lapa (1995-1997), não tínhamos festa junina. Motivo? Segundo o Conselho Paroquial da época, não havia jeito de dar certo: um ano tinha sido o frio cortante, siberiano, nos dias da festa; no outro ano, a chuva; e a afluência do público, sempre fraca.  Por isso, naqueles anos a paróquia vinha trabalhando para consolidar outra festa, a da Primavera, para ver se acertava o passo. E, para ser sincero, os resultados ainda não convenciam.

     Mas eis que uns quatro anos depois, nos tempos do padre Mauro Bombo como pároco, já tinha voltado a Festa Junina, com todo o pique, do mesmo jeito que é hoje: forte, vibrante, familiar, exatamente como deve ser a festa duma paróquia pujante, como a São João Bosco. Assim são os tempos, as coisas e as pessoas: sempre mudando.

     E assim devemos agir nós no tempo com relação às coisas: com o senso da oportunidade. Não se deve forçar os tempos. Não se deve dar murro em ponta de faca. De que adianta querer apressadamente ir em frente, se os outros não conseguem acompanhar? “Penso que cumprir a vida seja simplesmente / compreender a marcha e ir tocando em frente / como um velho boiadeiro levando a boiada / eu vou tocando dias pela longa estrada eu vou / estrada eu sou.” (Renato Teixeira, Tocando em frente).

     Por outro lado, só ficar esperando é atestado de preguiça e de incompetência. “Quem sabe, faz a hora, não espera acontecer” (Geraldo Vandré, Caminhando).

     Dom Bosco, um realizador, sempre dizia: “Eu sempre fui à frente conforme os tempos e às circunstâncias indicavam”. Portanto, há uma beleza e uma sabedoria na alternância e no suceder das coisas, conforme nos dizem as próprias Sagradas Escrituras, no livro do Eclesiastes, capítulo 3, vale conferir: 

     “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu... Tudo fez formoso em seu tempo.”
 
     Não aceitar isso é permanecer infantil, eterno tirano imaturo, que, quando se vê contrariado, tira as calças e pisa em cima, resmungando: “É golpe!”


Padre Ailton António dos Santos, pároco
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