Julho de 2016 - A importância da correção fraterna

     Neste Ano Santo Extraordinário da Misericórdia a Igreja nos incentiva a fazermos as obras de misericórdia, quer as físicas quer as espirituais. E uma delas é dar pão a quem tem fome. Na Paróquia São João Bosco são distribuídas mensalmente cestas básicas às famílias cadastradas. E num mundo de tanta abundância de um lado e tanta desigualdade de outro, todos os dias 40 mil pessoas morrem de fome devido à falta de partilha, de solidariedade e de um sistema de distribuição mais justo.

     Também no tocante a esse item, somos chamados a aprender a diferença entre fome e apetite. Fome é quando não se tem o que comer, enquanto muitas vezes o que sentimos é simplesmente apetite. E, então, esbanjamos e desperdiçamos alimento, deixando comida no prato, por ter simplesmente “enjoado”.

     Quando eu estudava inglês na Cultura Inglesa, uma colega foi passar dois meses na Inglaterra, hospedando-se na casa de uma família para aprimorar o seu inglês. Num dos primeiros dias dela lá, a mãe da família fez uma torta e a serviu. Após comer ela disse: “Que delícia! Vou querer mais um pedaço!” E a mãe de família, com simplicidade, respondeu: “Desculpe! Não existe outro pedaço. Como estamos em quatro pessoas, fiz a porção suficiente para dar um pedaço para cada um!”

     Experimente comer com um alemão ou com um francês, e verá que eles, com o pão, até limpam o molho que restou no fundo do prato, e comem. Sem dúvida, tendo passado pelas dificuldades das guerras, foram educados ao valor da comida. Entre nós brasileiros, o erro já começa ao se fazer a comida: preparamos verdadeiras montanhas como se fôssemos alimentar todo um exército. Daí lotamos a geladeira até que se tenha que jogar fora, porque o alimento está começando a azedar.

     Entre as obras de misericórdia espirituais, está o corrigir os pecadores. Hoje, em épocas do politicamente correto, está na moda não se intrometer na vida do outro, com a alegação de respeito. Convém aí a pergunta: o que é mais respeitoso, julgar e não dizer nada, ou assumir a responsabilidade de ajudar o outro a se corrigir?

     O nosso mundo impregnado de individualismo nos manda ficar na nossa. Mas a fraternidade, a solidariedade e a compaixão nos impelem a redescobrir a importância da correção fraterna, para caminhar juntos rumo à santidade.

Padre Ailton António dos Santos, pároco
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