Julho de 2016 - Itinerário para a educação na fé

     As leituras do ano litúrgico são um perfeito itinerário para a educação na fé. E as leituras dos domingos do mês de julho têm uma ligação entre si, que nem sempre percebemos, porque estamos acostumados a meditar em cada trecho do Evangelho isolado dos demais. Isso não é de todo errado, porque a Palavra de Deus é sempre tão rica que permite muitos modos de interpretação, e sempre é proveitosa.

      Mas também os trechos do Evangelho que ouvimos na liturgia também são isto exatamente: trechos. E, no seu conjunto, ganham outra força e sentido mais profundo.

     Nos domingos deste mês de julho, continuando o Tempo Comum, a liturgia nos apresenta no dia 09 a parábola do Bom Samaritano, portanto um que não era judeu, não pertencia ao povo eleito, muito longe do sacerdote e do levita, mas o único que foi capaz de descer dos seus problemas e de se colocar ao mesmo nível do tombado à beira do caminho. Ele é o verdadeiro modelo do cumprimento da lei religiosa, a lei do amor.

     E a medida do amor não se confunde com a preocupação por fazermos um montão de coisas, “acumular pontos”, como fez em Betânia a irmã Marta. Pelo contrário, o amor consiste em fazermos as coisas atentos às inspirações de Jesus, como fazia a irmã Maria “sentada aos pés do Senhor” (Evangelho do 16º domingo comum). “Amar como Jesus amou, sonhar como Jesus sonhou, pensar como Jesus pensou. Viver como Jesus viveu, sentir o que Jesus sentia, sorrir como Jesus sorria e, ao chegar ao fim do dia, eu sei que dormiria muito mais feliz”. Os santos definiam isso como fazermos tudo como se tudo dependesse apenas de nós, mas esperarmos tudo como se tudo dependesse apenas de Deus.

     Isso supõe confiar em um Deus Pai amoroso, providente, a quem pedimos tão simplesmente o pão de cada dia, em vez da sofreguidão em acumularmos o estoque suficiente para os próximos seis meses (Evangelho do 17º domingo comum).

     Realmente, para que acumularmos tanto, inclusive se podemos perder tudo subitamente? Ou ainda por que querermos lutar tanto pelas coisas, mas nos esvaziamos do sentido de nossas vidas, sendo ricos apenas para nós, mas não para Deus (Evangelho do 18º domingo comum)?


Padre Assis Moser, sdb.
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