Emoção marca 1º Encontro de ex-alunos do Centro Juvenil Salesiano

Movidos pela saudade, jovens trouxeram suas famílias para celebrar a união e o reencontro


     Repleto de risos, abraços apertados e muitas histórias para contar. Assim foi o 1º Encontro de ex-alunos do Centro Juvenil Salesiano, realizado em 21 de agosto. Durante a confraternização, além de matar a saudade, muitos aproveitaram para apresentar suas famílias. E assim gestores e educadores da obra mantida pela Paróquia São João Bosco acompanham de perto o crescimento de mais uma geração de crianças conectadas por essa ação social.

     Alguns têm em seu histórico passagens por todas as etapas do projeto, desde a creche até o profissionalizante, como é o caso da vendedora Ana Cristina Soares de Araújo. Outros amaram tanto a experiência que acabaram se integrando ao quadro de professores do Centro Juvenil, como a educadora Jaqueline da Silva Oliveira. Mesmo morando em Taipas, ela afirma que não abre mão de fazer parte de uma comunidade tão unida e especial.

     Nesta edição, o Em Família traz algumas histórias que marcaram essa geração:

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     “Fui criado no orfanato Lar Infantil, na Pompeia, onde recebi uma boa educação dos 2 aos 18 anos de idade. Na Igreja Nossa Senhora do Rosário participava do Encontro dos Adolescentes com Cristo (EAC), onde aos 13 anos conheci o tio Benjamin Souza Cunha, que considero meu pai.

     Desde criança almejava entrar para o Exército e ele me ajudou a realizar esse sonho. Fui escoteiro e naquela época falava que queria ser um oficial de trânsito. Conheci o Centro Juvenil em 1989, quando ajudei na divulgação da campanha adote uma criança. Auxiliava como voluntário dando aulas de música. Chegamos até a montar uma fanfarra. Lembro que tínhamos um grupo de aproximadamente 100 alunos entre crianças (4 a 7 anos), juniores (8-12) e adolescentes (13 a 18). 

     Hoje sou viúvo e tenho a missão de criar meu filho Gabriel, após a partida da Paula, minha esposa. Ela faleceu após uma repentina batalha contra o câncer, quando ele tinha 1 ano e 8 meses, em novembro de 2010. Na época fiquei bem assustado, foi uma luta, mas recebi grande apoio do Benjamin. 

     Pretendo passar esses valores para o Gabriel, uma criança muito carinhosa, inteligente e que tem me ajudado muito mais do que eu a ele. Aprendo com ele todos os dias.

     Gostaria de me casar novamente, pois prezo muito pela instituição família, que considero o berço, o alicerce da sociedade. Hoje sou pastor de uma igreja evangélica, mas a religião católica foi extremamente importante na minha vida, para a formação de caráter. Devo grande parte do que sou hoje à Igreja Católica. A considero meu alicerce.”

     Carlos Alberto Leite, 46 anos, 2º sargento do Exército 

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     “Entrei no Programa Vida Melhor (Provim), da Rede Salesiana de Ação Social, aos 11 anos. Frequentava as atividades no período da manhã e a tarde seguia para a escola. Ao terminar o ensino fundamental passei a frequentar os cursos que são oferecidos no Centro Profissionalizante/CEDESP Dom Bosco. Conclui os cursos de Técnico Administrativo, Corte e Costura e Informática.

     Ao chegar ao ensino superior escolhi Pedagogia, realizando um desejo que sempre tive como vocação: ensinar. Hoje, como educadora, dou aula de culinária para as crianças de 6 a 8 anos do projeto. Não me vejo trabalhando em outro lugar. Isso aqui faz parte da minha vida.

     Moro em Taipas e minha mãe me trouxe para cá quando criança porque trabalhava perto, na Cerro Corá. Não vejo a hora de trazer minha filha, a Sofia, de três anos, para estudar aqui.

     Tenho uma identificação muito forte com a história dessas crianças, pois sempre vejo um pouquinho de mim através delas. É bom demais. Hoje meus professores são meus colegas de trabalho o que torna o cotidiano uma delícia. Isso aqui faz parte da minha história, da minha vida.”

     Jaqueline da Silva Oliveira, 28 anos, educadora do Centro Juvenil

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     “Ingressei como educadora na creche do projeto social da Paróquia São João Bosco em 1999. Morava no interior e vim para São Paulo com o objetivo de trabalhar em uma obra social. Um ano depois fui convidada para trabalhar no Centro Juvenil, com crianças e adolescentes, e na sequência fui para o Centro Profissionalizante/CEDESP Dom Bosco. Deixei o projeto por um tempo para trabalhar como professora de português em escolas privadas, mas sempre participei da comunidade.

     Trabalhar em uma casa salesiana é acreditar que os jovens têm poder de transformação sobre suas próprias vidas, sobre sua própria história. Sempre ouvimos que ninguém chega numa casa salesiana por acaso, mas sim trazido pelas mãos de Nossa Senhora Auxiliadora. Acredito cada dia mais nessa máxima.

     Senti isso presente na minha vida e na vida dos jovens que conheci aqui. São histórias de sucesso: alunos que estão cursando universidades, fazendo pós-graduação e já estão batalhando pela educação de seus filhos. Em resumo, com uma boa orientação vejo que muitos souberam conduzir as suas vidas. Os paroquianos talvez não tenham noção do impacto de sua contribuição mensal para esse trabalho. É recompensador ver os frutos dessa experiência, o resultado concreto e real para o futuro desses jovens.

     O grupo reunido aqui hoje se reencontrou através das redes sociais e agora está em contato para trocar experiências, oferecer contatos de vagas de emprego, organizar doações. Grande parte vem de bairros muito distantes, da Zona Leste, mas não abriram mão de comparecer. O nosso reencontro é uma bela forma de manter essa corrente do bem girando.” 

     Vanessa Cristina da Cunha Caires, 36 anos, professora do Centro Juvenil

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     “Fiz no Centro Profissionalizante/CEDESP os cursos de Elétrica, Informática, Técnicas Administrativas e Costura Industrial. Essa rotina fez parte da minha formação entre os 15 e 17 anos. Venho de uma família muito humilde e pela falta de uma figura paterna, minha mãe não queria aceitar o que todos diziam, que seus filhos seriam vagabundos. Ela, sempre muito coruja, fez questão de nos incentivar a estudar para nos preparar profissionalmente. Fiz teste em vários cursos profissionalizantes, mas em razão das condições financeiras da minha família acabei optando pelo Centro Juvenil Dom Bosco, que oferecia café e almoço. Eu chegava às sete, tomava café, tinha o curso, almoçava e seguia para a escola.  Isso cria um laço fundamental entre as pessoas. Nos faz lembrar que somos humanos, nos aproxima. Foi uma experiência que me marcou para o resto da vida.

     Aqui somos incentivados a continuar estudando. Graças a esse estímulo consegui entrar na faculdade de Ciências Biológicas, sou professor de Biologia, Física e Química no ensino de adultos e dou aula em uma escola particular.

     Esse respeito ao indivíduo é um ponto muito marcante em minha formação. Aprendemos a enxergar que existe um ser humano, além do profissional. Fiz cursos em outros lugares, onde a realidade é outra. Pelo CEDESP também participei da semana missionária, na divisa com o Paraná. Foi uma experiência inesquecível.”

     Diogo Sappia, 27 anos, professor

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     “Participo do projeto desde a creche e retornei na minha adolescência junto com minha irmã porque minha mãe precisava trabalhar. Ela sempre se preocupou muito com a nossa educação. Tenho recordações muito boas do Centro Juvenil, lugar acolhedor que proporcionou a minha entrada no mercado de trabalho.

     Fiz todos os cursos profissionalizantes oferecidos pelo Centro Profissionalizante/CEDESP (Costura Industrial, Elétrica e Técnicas Administrativas), o que foi fundamental para a conquista do meu primeiro emprego. Quando me preparava para começar o curso de Informática fui chamada para trabalhar em um escritório de contabilidade através do programa Jovem Cidadão. Além das aulas técnicas, aprendi como me portar no ambiente de trabalho, o que escrever em um currículo. Tudo isso foi muito importante para o meu início profissional e me deu uma perspectiva de vida. 

     Hoje sou casada, tenho três filhos, o Rafael, a Ana Júlia e o Enzo, e moro em Itaquera. Tem outra unidade mais próxima da minha casa, mas faço questão de comparecer e manter o contato com essas pessoas que foram tão importantes para a minha história.”

     Ana Cristina Soares Araújo, 29 anos, vendedora

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Por Fabiana Holtz, colaboradora especial
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