Novembro de 2016 - Papa Francisco celebra a Reforma Protestante

     Na segunda-feira dia 31 de outubro e na terça, 01 de novembro, o papa Francisco esteve em viagem apostólica à Suécia, por ocasião da abertura dos 500 anos da Reforma Protestante de Martinho Lutero. Uma “surpresa” ter aceito o convite, declarou em uma coletiva de imprensa Dom Anders Arborelius, Bispo Luterano de Estocolmo e, “uma decisão corajosa do Papa”, afirmou em recente entrevista o Reverendo Martin Junge, secretário da Federação Luterana Mundial.

     Gratidão, penitência, esperança, três palavras que bem ilustram esse evento histórico. Gratidão pelo intenso diálogo registrado nos últimos 50 anos. Penitência, arrependimento, pelas feridas, violências, mal-entendidos provocados por ambas as partes: com a Reforma, guerras brutais de religião ensanguentaram a Europa nos séculos XVI e XVII. Por fim, esperança de que o trabalho rumo à unidade não pare, avance. 
Francisco não foi à Suécia para celebrar a divisão, mas para demonstrar a vontade de união, que significa superar uma mentalidade baseada no confronto. Francisco foi à Suécia não para fazer memória a um acontecimento que trouxe tanto sofrimento ao Corpo de Cristo, mas para, com o seu gesto, propor um futuro de alegria, de comunhão e união naquilo que é compartilhável.

     O Papa insiste no ecumenismo de sangue, no ecumenismo da oração, no ecumenismo do encontro, no ecumenismo do trabalho em favor dos pobres, marginalizados, refugiados, pontos que oferecem uma base comum de encontro. As questões teológicas por vezes são as mais difíceis de serem resolvidas. Por isso Francisco foi a Lund, para mostrar a sua proximidade, como declarou em recente entrevista: “a distância nos faz adoecer”.

     A presença do Papa nas celebrações adquire um significado especial não somente dentro do mundo luterano e católico. A presença do Papa em Lund é fruto do diálogo iniciado oficialmente em 1967, com o Concílio Vaticano II, é fruto de um caminho já percorrido.

     Celebrar conjuntamente a Reforma era algo impensável até há poucos anos. Esta celebração conjunta lança um olhar para o futuro, com um testemunho cristão comum corajoso nos dias de hoje, tão dilacerado por conflitos e divisões.

Padre Ailton António dos Santos, pároco
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