Novembro de 2016 - Hora de reunir dicas para ler com proveito

     Logo no início do ano, particularmente nos dois primeiros meses, apresentei no Em Família alguns pensamentos dos primeiros doutores ou santos padres e de autores modernos sobre a beleza, a importância e a atualidade do Evangelho segundo João. Queria estimular o leitor a sintonizar com a mente e o coração do Evangelista, o que me parece importante, hermeneuticamente falando, para compreendê-lo. É a primeira dica.  No artigo de maio tentei mostrar alguns elementos do pensamento teológico do autor: segunda dica. Muito útil o confronto entre o modo de pensar de João com o de Paulo, no mês de outubro: terceira dica. Em julho ofereci a quarta dica: um rápido estudo sobre o simbolismo de João. Muito importante o toque sobre o vocabulário usado por João, exposto nos meses de agosto e setembro.

     Gostaria de oferecer em novembro ainda duas dicas: ter presentes ao ler esse Evangelho a estrutura do livrinho e o escopo ou finalidade que o autor se propôs para o conjunto do Evangelho. Para a estrutura gostaria de fazer algumas observações, sendo a primeira sobre o termo hora: Jesus o usa várias vezes para indicar o momento da volta ao Pai pela sua morte e ressurreição/glorificação (não se trata de hora do relógio!). Nos 12 primeiros capítulos sempre é dito que essa hora ainda não chegou (Cfr. 2,4; 7,30; 8,20...), até que em 13,1 diz, finalmente, o Evangelista: “Jesus, sabendo que chegou a sua hora de passar desse mundo ao Pai...”. Aí já temos esboçada a estrutura desse Evangelho. Dois grandes períodos constituem nele as duas partes:

     PRÓLOGO (“ouverture”) - Jo 1,1-18

     PARTE I: Livro dos SINAIS - 1,19-12,50

     PARTE II: Livro da HORA (ou da GLÓRIA) - 13,1-20,31

     EPÍLOGO (ou apêndice) - 21, 1,25

     A primeira parte se chama Livro dos SINAIS e vai até a sua conclusão em 12,37-50. Nele Jesus antecipa e expõe com sinais o que acontecerá na hora. Assim, por exemplo, o diálogo com Nicodemos de Jo 3 quer mostrar que na hora haverá um novo nascimento; a cura do cego de nascença de Jo 9, que na hora a luz vencerá as trevas; a ressurreição de Lázaro de Jo 11, que na hora teremos acesso à nova vida, etc. A conclusão do Livro da HORA é 20, 30-31. Peço que busquem no vocabulário exposto em agosto e setembro o sentido do termo SINAL-SINAIS. Por que, enfim, Livro da HORA ou da GLÓRIA? Porque para João a paixão e morte de Jesus já é gloriosa.

     Finalmente, uma última dica: ter presente durante toda a leitura o escopo ou finalidade revelados pelo Evangelista: “Estes (sinais) foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e, para que, crendo, tenhais a vida no seu nome”. 

Padre Alcides Pinto da Silva atua na Obra Social São João Bosco, em Campinas
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