Fevereiro de 2017 - Sua atualidade para nossos dias

     O Apocalipse “é a grande epopeia da ESPERANÇA CRISTÃ, o canto de triunfo da Igreja perseguida”, segundo Boismard. Esta é a primeira nota de atualidade do Apocalipse que apresento: a esperança. Quis o autor sagrado confortar os cristãos no meio das perseguições e incertezas do seu tempo. Se a Igreja entrou em choque com o império romano perseguidor, isso acontece também hoje num mundo secularizado ao extremo. Nosso país mesmo vive às voltas com sérios problemas no campo político, econômico, social, sendo o povo mais carente a principal vítima. Urge, então, enquanto se luta, não perder a esperança! “Essas visões são, no dizer de R.H. Charles, geradoras de fé, de otimismo e de alegria.

     Um segundo aspecto de atualidade do Apocalipse é a IGREJA. Como diz U.Vanni, “a Igreja representa para todo o Apocalipse um tema fundamental (...). Fala-nos de uma totalidade de igrejas, fala-nos de igrejas locais; interessa-se pela vida interna da Igreja; procura individuar e exprimir as leis do seu comportamento a respeito das forças que lhe são hostis.” Ela é o centro de interesse do Apocalipse. Ora, a partir do Concílio Vaticano II a reflexão sobre a Igreja se tornou muito intensa: seu documento que maior atenção mereceu foi a Lumen Gentium sobre a Igreja (ocupou a 5ª parte de todos os discursos, isto é: 453, além das 33 congregações gerais!). Se no Concílio o Apocalipse foi citado 24 vezes, 18 dessas citações estão na Lumen Gentium! O Apocalipse certamente nos ajudará a conhecer, a admirar e a amar mais a Igreja a que pertencemos.

     Um terceiro ponto da atualidade do Apocalipse é o da LITURGIA. Logo no começo vemos em 1,4-8 que tudo começa em clima litúrgico bem no Dia do Senhor (domingo-1,10), dia em que a Comunidade se reunia para a celebração da Ceia. Há um interessante diálogo litúrgico inicial entre o leitor que proclama e a comunidade ou grupo que responde. “O leitor (que faz a leitura publicamente) propõe um conteúdo à assembleia, ao grupo que escuta, o qual, a certa altura, reage e exprime o que sente, o que experimenta em relação ao conteúdo que o leitor propõe. Depois retoma a palavra o leitor que dá uma outra mensagem, produzindo uma reação ulterior do grupo. Há, enfim, a conclusão, sempre em chave dialógica, do leitor, que resume o sentido global desse diálogo. (...) Em todo o Apocalipse existe uma interação entre o leitor que apresenta a mensagem e o grupo de escuta que reage” (U.Vanni). Aqui nos lembramos do outro documento, ‘o mais pacífico’ do Vaticano II que foi sobre a liturgia: a Sacrossanctum Concilium, que deu nova vida às nossas celebrações.

     Gostaria, enfim, de lembrar que nos ricos anos da Teologia da Libertação na América Latina,o Apocalipse foi um dos textos bíblicos preferidos na nossa reflexão e vida eclesial.

Padre Alcides Pinto da Silva atua na Obra Social São João Bosco, em Campinas
Voltar Topo Enviar a um amigo Imprimir Home