Abril de 2017 - Duas palavras e um enorme desafio

     Estamos para começar a Semana Santa. E é aí que começa o problema. Chamamos de Semana, e semana propriamente não é, pois vai da Quinta-Feira ao Domingo. Portanto, são só quatro dias. Depois a chamamos de Santa, e o que propriamente fazemos de santo nesses dias, além de cuidarmos da viagem, da bacalhoada, do ovo de chocolate?! E, assim, está criada a confusão!

     Porém, se consagrarmos esses dias para celebrarmos com Cristo os mistérios centrais da fé cristã, então, com razão podemos chamar de Semana Santa.

     Se, no domingo de abertura pegarmos nas mãos as palmas e os ramos, recebermos Cristo, que vem a nós mansamente montado em um jumento, e não belicoso sobre um cavalo de general, ou numa Ferrari de endinheirado, estamos aptos a começar a nossa caminhada com Ele. 

     Se, depois dessa recepção, não O abandonarmos porque Ele não derrubou para nós os romanos que dominam as nossas vidas, exatamente como nós queríamos, mas, pelo contrário, nos incomodou e contrariou porque estávamos fazendo do Templo um mercado dos nossos interesses...

     Se, depois, como Ele, pudermos falar que entregamos o nosso corpo, e derramamos o nosso sangue, sem que isso soe apenas poesia vazia... Se, depois, na intimidade da Ceia com os outros discípulos, não estivermos preocupados em só nós sermos os maiorais, pisando sobre os outros... Se estivermos dispostos a lavar os pés uns dos outros... Se estivermos atentos para que nenhum outro se desgarre de nós para, como Judas, garantir a sua parte por fora... Se depois conseguirmos velar ao menos uma hora com Ele diante do silêncio do Pai... Se depois disso conseguirmos acompanhá-Lo na suprema soledade da entrega total ao Pai entre o suor de sangue... Se depois tivermos a capacidade de acompanhá-Lo lado a lado quando Ele é considerado um bandido e renegado... Se com nossas vidas não O renegarmos diante dos outros, por vergonha, por medo, por covardia... 

     Se, depois, como Madalena, em meio ao mundo ainda mergulhado no escuro e na tristeza geral, tivermos a capacidade de sair correndo anunciando que Ele está vivo em nossas vidas... Então teremos vivido a Semana Santa da Páscoa da Ressurreição. Caso contrário, terá sido só e apenas um feriado.

     Feliz Páscoa da Ressurreição! 


Padre Ailton António dos Santos, pároco
Voltar Topo Enviar a um amigo Imprimir Home