Abril de 2017 - Conhecendo os seus símbolos

     Vou me servir dos estudos de um dos maiores estudiosos dos símbolos do Apocalipse: Ugo Vanni. Mas utilizarei também o comentário de outro mestre: G. Ravasi. Começo, então, com duas citações desses autores: “O simbolismo ocupa, na interpretação do Apocalipse, um lugar central. Todos os comentadores antigos e modernos estão de acordo nisto (...). Para compreender o Apocalipse ocorre interpretar os seus símbolos” (U. Vanni); “O simbolismo é quase o manto que se estende sobre todas as páginas do Apocalipse: achamo-nos diante de um verdadeiro e próprio arsenal de imagens, comparações, sinais, símbolos, metáforas, que muitas vezes são tiradas da Bíblia e procuram desvelar e revelar a realidade profunda da história” (Ravasi).

     Por hoje me deterei no simbolismo cromático, isto é, no simbolismo das cores. A cor predominante é o branco (15 vezes): o autor fala da “pedrinha branca” (2,17) e muitas vezes se refere a essa cor (os anciãos em 4,4, os mártires em 6,11, todos os salvos em 7,9.13). O ‘cavalo branco’ (6,2; 19,11) exprimirá a força messiânica própria de Cristo ressuscitado, que, presente e ativa na história humana, se desenvolve com leis e modalidades todas próprias. Os ‘exércitos celestes, vestidos de branco sobre cavalos brancos’ (19,14) participam da força vitoriosa e irreversível da ressurreição de Cristo (...). 

     O “trono grande branco” (20,11) indica a qualidade de juiz, ela também própria de Cristo ressuscitado” (Vanni). “O branco, então, indica a realidade em nível divino, transcendente, própria de Cristo ressuscitado”, conclui o mesmo autor apenas lembrado. E a vida eterna.

     Outras cores são: o vermelho simplesmente (2 vezes), que pode ser especificado como “vermelho cor de fogo (1 vez) e vermelho escarlate (4 vezes); o verde (3 vezes); a ‘cor jacinto’ (1 vez) e a ‘cor sulfúrea’ (1 vez). Ainda a cor preta de 6,5.

     O uso das cores não é, portanto, só estético: elas “adquirem uma dimensão qualitativa de significado, explicável em termos intelectuais”, afirma U. Vanni. Assim, por exemplo, o vermelho do cavalo de 6,4 por um lado, e o do dragão de 12,3 por outro, sugerem “a crueldade que não poupa a vida humana, ‘o sanguinário’”.

     Conta o exegeta católico Erick Peterson que, criança, abriu cheio de curiosidade e às escondidas o Apocalipse: a visão dos 4 cavaleiros (6,1-8) o deixou profundamente impressionado. Oxalá possamos, nós também, ficar impressionados como Blake, Bloch, Canetti, Eco, Hölderlin, Hugo, Lamartine, Lawrence, Michaud, Rosmini, Schelley e muitos outros escritores. Impossível esquecer imagens tão marcantes, não raro de grande beleza.

     A todos, enfim, desejo uma Santa Páscoa com  muita cor branca.


Padre Alcides Pinto da Silva atua na Obra Social São João Bosco, em Campinas
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