Maio de 2017 - O simbolismo dos números

     Quando o professor dá nota 10 ou 100 a um aluno, o que realmente lhe importa não é o valor quantitativo da nota, mas o valor qualitativo, simbólico: se convencionou que 10 ou 100 indicariam que o trabalho apresentado pelo aluno foi perfeito, ótimo.

     Nessa mesma linha de pensamento nossa cultura assumiu que 1º de abril, os números 13 ou 1000 – ‘já falei mil vezes sobre isso e você não aprendeu’ – e tantos outros seriam, segundo o contexto, mais que tudo simbólicos. Ora, no gênero apocalítico esse ‘simbolismo aritmético’ tem uma importância e amplidão de uso especiais. Foram contadas nada menos que 283 ocorrências com números cardinais, ordinais, mesmo fracionais, no original escrito apocalítico que estamos analisando!

     Comecemos com o número 7: ele indica totalidade, algo completo. O autor falará das 7 igrejas, dos 7 selos, das 7 trombetas, das 7 taças - o tipo de totalidade é indicado pelo contexto. Em 5,12 temos 7 qualificações do Cordeiro, um louvor perfeito. Já a metade de 7 (= 3 e meio) indica uma totalidade pela metade, uma parcialidade (de duração, de intensidade...). Assim os 3 tempos e meio (= 3 anos e meio) de 12,14 indicam uma duração limitada para a perseguição: se transformarmos isso em meses, serão 42 meses (11,2), nos quais “se sentirá o peso desta situação: o tempo parecerá longuíssimo mesmo com a consciência de que se trata de uma emergência” (U.Vanni). E se transformarmos os 3 anos e meio em dias (12,6), isto é, 1260 dias? Responde ainda Vanni: indicará “a assistência quotidiana da parte de Deus, como acontecia com o maná no Antigo Testamento”.

     Se 7 é o número da totalidade e da perfeição, o 6, que é 7 menos 1, indica algo imperfeito. Em 13, 17-18 se fala do número da besta: 666, que segundo alguns autores indica imperfeição radical, mas para a maioria trata mais provavelmente de um caso de gematria. Neste caso, se somamos o valor das letras hebraicas do nome Nero César, perseguidor dos cristãos, dá exatamente 666.

     Quanto ao número 12, número pleno que quer evocar as 12 tribos de Israel e os 12 apóstolos, dele deriva o número 144000 (=12X12X1000), “multiplicação ideal entre as 12 tribos de Israel e os 12 apóstolos do Cordeiro: Antigo e Novo Testamento se compenetrariam assim a ponto de formar um único povo de Deus”, diz Vanni. 

     O número 1000 indica “a totalidade própria do nível de Deus e da ação de Cristo (20, 2.3.4.5), explica ainda o mestre Vanni. Deste modo 144000 “simboliza a plenitude do povo de Deus” (TEB). E o número 10? A despeito da aparência contrária, parece indicar algo limitado: os 10 chifres do dragão (12,3) indicariam um poder limitado, apesar da sua aparência ameaçadora. Pode-se dizer o mesmo do número 5 (ver 9,5.10).

     Preenchido meu espaço, do número 4 digo apenas que indica o mundo criado, a “universalidade do mundo visível” (ver 4,6s). A todos, bom proveito!

Padre Alcides Pinto da Silva atua na Obra Social São João Bosco, em Campinas
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