A figura de Maria vista por Lutero (IV)

     Após comentar a bem-aventurança de Maria (Lc 1,48), Lutero observa o versículo 49 - “Pois aquele que faz todas as coisas, fez grandes coisas em mim, e santo é seu nome.” 

     No agir de Deus acontece permanentemente a elevação da criação e em especial do ser humano. A vontade misericordiosa de Deus faz grandes coisas acontecerem. A palavra grega traduzida por “grandes coisas” é megála, e significa: coisas boas, verdadeiras e belas, feitos extraordinários.

     Tal como a herança de Abraão dada a Isaac (Gn 25,5s), generosa e abundante, afirma Lutero: “Deus não quer que seus verdadeiros filhos se consolem com seus bens e presentes por maiores e numerosos que sejam, quer espirituais, quer materiais. Muito antes, eles devem consolar-se com sua graça e com ele próprio, sem desprezar os dons” (p. 41).

     A atitude de Maria nesse versículo é de reconhecer a ação de Deus em seu favor sem delongas, simplesmente ela canta a ação do Senhor, proclama seus feitos. Essa é a atitude esperada do orante. A filha de Sião reconhece o poder extraordinário do Senhor. Toda a iniciativa é D’Ele. Somente Ele é capaz de fazê-la mãe de Deus.

     Lutero insiste em dizer algo sobre o feito grandioso nomeando-o, é o filho gestado por Maria: “As ‘coisas grandes’ nada são senão o fato de Maria ter chegado a ser mãe de Deus... Ninguém se iguala a ela, porque ela tem um filho com o Pai Celestial. E que filho! Ela própria é incapaz de descrever esse acontecimento por ser muito grande” (p. 43).

     Glorificar o nome santo de Deus é a atitude dos que sabem das magníficas coisas por Ele realizadas. Maria é modelo de quem louva em espírito e verdade: “Ela nada faz. Deus é que faz todas as coisas. Devemos suplicar a ela para que, por amor a ela, Deus faça o que pedimos. No mesmo sentido também devemos suplicar a todos os santos para que, em todos os casos, a obra seja sempre exclusiva de Deus” (p. 45). 


Por Eraclides Reis Pimenta, SDB

Observações da leitura da obra: Magnificat: O louvor de Maria - Martim Lutero - Editoras Sinodal e Santuário, 2015.

Voltar Topo Enviar a um amigo Imprimir Home