Junho de 2017 - Apocalipse e seu simbolismo cósmico

     No simbolismo cósmico do Apocalipse entram o céu, a terra, o sol, a lua, as estrelas, os relâmpagos e os trovões, o arco-íris, o raio, o granizo, o mar, os rios, as fontes, os montes, as ilhas, o ouro, as pedras preciosas, o ferro, o bronze, a vindima, a colheita... Ponto alto é o simbolismo da cidade (Nova Jerusalém e Babilônia, que é a Roma perseguidora), o ponto de chegada é um novo cosmo: Novo Céu e Nova Terra! (21,1).  Nos elementos citados pode haver um nível realístico, isto é, da nossa realidade cotidiana de sempre, e o nível simbólico.

     Começaria com três elementos indicativos da transcendência de Deus: o céu que pode ser realisticamente  apenas o firmamento (6,14; 16,21...), mas passa a ser simbolicamente a zona ideal da transcendência de Deus (3,12; 4,1.2; 5,3.13; 8,1...); as estrelas que podem ser símbolos, como aparece em 1,20, em que a estrela é relacionada com  o anjo da Igreja; ou quando se trata da sua queda sobre a terra (9,1); ou quando é aplicada a Cristo como estrela luminosa da manhã (22,17), mas prevalece seu sentido realístico como em 6,13; 12,4 e alhures (como símbolos, apontam para a ‘transcendência de Deus relacionada de algum modo com a ação criativa’); quanto aos relâmpagos e trovões, que no Antigo Testamento já são algo transcendente e voz de Deus (Salmo 29,5), eles carregam e reforçam  ainda mais  tal conotação (4,5; 8,5; 11,19; 16,18-21). Como diz U.Vanni, “a referência genêrica à voz de Deus no Antigo Testamento tornou-se um falar articulado, com um conteúdo preciso, ainda que misterioso”. Em 10,4, por exemplo, é pedido ao vidente João que sele “o que disseram falando os 7 trovões”.

     O sol se apresenta quase como “criatura física predileta de Deus”. Realisticamente é comparado com o rosto de Cristo (1,16) ou com a face de um anjo (10,1). Já simbolicamente aparece em 12,1 com a mulher vestida de sol “para indicar o rico cuidado de Deus em relação a ela” (Vanni). E o mar? Aparece, por exemplo, realisticamente em 18,17.19.21, sendo idealizado negativamente em 13,1 como “a sede opaca do mal, quase sinônimo de abismo. Na nova criação deverá superar a sua negatividade (cfr. 21,1)”. Que dizer, finalmente, dos impressionantes transtornos cósmicos? O sol se escurece (9,21), a lua se torna toda como sangue (6,12), uma parte das estrelas é jogada na terra pela força do dragão (12,4), os montes e ilhas são deslocados para outros lugares (6,14), etc. etc. Quanto aos terremotos, eles têm uma ação especial no Apocalipse (de 14 vezes que aparecem no Novo Testamento, sete são no Apocalipse!) e indicam “o equilíbrio instável da atual situação do mundo”. Sobre os transtornos cósmicos em geral, então, eles são alterações que exprimem uma presença estimulante, até provocante da parte de Deus.

Fonte quase total dessa matéria é de U.Vanni


Padre Alcides Pinto da Silva atua na Obra Social São João Bosco, em Campinas
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