Agosto de 2017 - Dedicação preventiva à juventude

     Nos seus primeiros tempos de padre em Turim, Dom Bosco (1815-1888) prolongou seus estudos no Pensionato Eclesiástico, tendo como professor entre outros o padre José Cafasso, pouco mais velho que ele (1811-1860). 

     Padre Cafasso frequentava as prisões da cidade, a ponto de permanecer nelas até tarde da noite e, às vezes, a noite inteira. Levava aos presos charuto e rapé, mas, sobretudo, a conversão aos ladrões e assassinos cruéis.  

     Os pesquisadores dizem que essas conversões por vezes eram lentos e atormentados arrependimentos e, em outras situações, conversões imediatas que aconteciam também a poucos instantes antes do enforcamento. O “padre da forca”, como é chamado, usava imensa misericórdia e possuía uma prodigiosa intuição dos corações. Tratava os seus “santos enforcados” como “gentis cavalheiros”, de tal forma que o condenado sentia tão forte o amor paterno de Deus que queria unir-se a Ele, como o bom ladrão, crucificado ao lado de Jesus no Calvário. 

     Assim, o padre José Cafasso foi canonizado, declarado padroeiro dos padres confessores, dos encarcerados e dos condenados à morte.  Ele não só os ouvia e os confessava, mas na hora suprema, os acompanhava até a forca.

     Dom Bosco, jovem sacerdote, acompanhou muitas vezes seu mestre, o padre Cafasso, nesse trabalho junto aos prisioneiros, entre os quais estavam muitos jovens. E por que não permaneceu nesse tipo de trabalho? Porque justamente intuiu a importância de trabalhar com a juventude para que ela não viesse a cair nesse buraco, porque daí se tornaria muitíssimo mais difícil o trabalho, se é que ele seria possível. E, aconselhado pelo mesmo São José Cafasso, destinou suas energias à juventude no campo da educação, na prevenção.

     E Dom Bosco dedicou a sua vida a tornar os jovens “honestos cidadãos e bons cristãos”. Herdeiros dessa visão profética, os salesianos se colocam sempre “com Dom Bosco e com os tempos”, e, como ele mesmo dizia, “queremos estar sempre na vanguarda” para oferecer aos jovens o melhor que estiver ao nosso alcance.

Padre Ailton António dos Santos, pároco
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