Setembro de 2017 - A Bíblia é o livro do Deus vivo!

     Tem gente que gosta de enviar pela Internet mensagens de otimismo, de esperança. Diariamente se dedica a isso, e tem uma enorme lista de destinatários. Os livros de autoajuda, cheios de conselhos e exemplos sadios, vendem às enxurradas. Afinal, todo mundo precisa de um pouco de consolo, de colo. Mas as mensagens açucaradas têm um duro limite: a realidade do dia a dia, que teima em não concordar com o mundo cor-de-rosa, idealizado.

     Porque, mais dia ou menos dia, a dor vem sem mandar aviso prévio, e muitas vezes não exatamente por culpa desse ou daquele. E aí a gente é forçado a chegar a outras conclusões. Por exemplo, que o conforto não é a suprema solução que confere ares de verdade às coisas. Que não existe almoço grátis. E que, infelizmente, nem sempre o bem triunfa.

     Alan Kurdi, o menino refugiado sírio de três anos, cujo afogamento causou consternação ao redor do mundo, tinha escapado das atrocidades do grupo autointitulado “Estado Islâmico” na Síria. Alan e sua família eram de Kobane, a cidade que ganhou notoriedade por ter sido palco de violentas batalhas entre militantes extremistas muçulmanos e forças curdas.

     O pai do menino, Abdullah, fugira com a mulher, Rehan, e outro filho, Galip, de 5 anos, para tentar chegar ao Canadá, onde vivem parentes da família. Teema Kurdi, tia dos meninos que vive na cidade canadense de Vancouver há vinte anos, disse ao jornal National Post que vinha tentando conseguir uma travessia mais segura para os parentes. Contou que vinha financiando a estadia deles na Turquia, mas que Abdullah tinha decidido entrar como refugiado na Europa por conta da situação precária em que estariam vivendo.

     As mensagens que nos chegam, nos chegam através de palavras e de fatos, que precisam ser interpretados. Todas as palavras e fatos são interpelações que nos chegam. Alguns confirmam as coisas nas quais acreditávamos. Outras questionam, e contrariam frontalmente. Alguns nos dão razão, e outros nos denunciam sem misericórdia.

     Também a Bíblia, o livro da Palavra de Deus, é assim. Muitas passagens nos enchem de consolação. Outras são e serão eternamente incômodas, e ferem os nossos interesses ou os interesses dos grupos a que pertencemos.

     Neste mês de setembro, em que é celebrado o mês da Bíblia, vale reforçar que a Bíblia é o livro do Deus vivo, e não simplesmente livro de autoajuda.

Padre Ailton António dos Santos, pároco
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