Bom dia!           Domingo 22/10/2017     09:54
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Sentindo-se em casa, do outro lado do mundo

Padre William de Lima, de 41 anos, foi ordenado em 2014. Meses depois, respondendo ao apelo missionário da Congregação Salesiana, foi enviado a Angola e não fazia ideia de que responderia a um chamado tão longe de casa. Três anos depois, em visita ao Brasil, ele visitou diversas casas salesianas e, na Paróquia São João Bosco, esteve com a comunidade na missa de sábado, dia 23 de setembro de 2017. Nesta edição, o Em Família reproduz entrevista concedida à Revista Santa Terezinha em Ação, onde o missionário conta a sua experiência junto ao povo africano.


     Já tinha passado pela sua cabeça ser missionário?

     Quando a gente decide ser padre já decidimos ser missionário. Mas desta forma eu nunca tinha pensado não. É claro que o assunto, a proposta, é fascinante. Você conhece histórias, se interessa por projetos, mas nunca acha que fará parte dele, a não ser que isso já seja um desejo. Nunca foi o meu e fiquei muito grato e feliz em receber o convite. 

     E como ele aconteceu? Foi pego de surpresa?

     Sim. Porém foi um chamado de Deus e me senti muito privilegiado. Padre Edson, meu inspetor até então, foi quem me falou da possibilidade. Na época eu trabalhava em Campinas e era padre há pouco mais de um ano, e quando recebi o convite fiquei muito agradecido.

     Do convite à sua partida durou quanto tempo? 

     Pouco mais de quatro meses. Foi bom porque não criei muitas expectativas. Pesquisei o que tinha que pesquisar e fui de coração aberto. Lembro do padre Edson me falar e pedir para eu rezar e tomar discernimento. Foi tudo muito rápido e cheio de boas surpresas. Quando cheguei foi amor à primeira vista! O povo africano é singular, porém muito parecido com o brasileiro na acolhida. Quando cheguei à Angola, mais precisamente em Luanda, onde moro hoje, fui recebido de braços abertos. Lembro-me de chegar e no mesmo dia, ainda um pouco confuso por conta do fuso horário, fui apresentado para a comunidade. Me levaram para uma sala onde acontecia uma reunião de mulheres, mães. Jamais me esquecerei o que foi dito neste momento. “A partir de hoje, padre, o senhor é nosso pai, nosso irmão, e também somos as suas mães, sua família. Se sinta em casa”. Eu, de fato estava em casa.

     Apesar das semelhanças com o Brasil, a África tem suas peculiaridades. O que chamou mais a sua atenção?

     A paróquia da qual sou vigário é muito popular. No tempo da guerra, esse lugar, o Mercado de Roque Santeiro, era um ponto de encontro, podemos dizer assim. Se tornou muito conhecido e populoso. Quando cheguei fiquei impressionado com as necessidades desse povo. No Brasil, em alguns lugares, as pessoas sofrem muito com a falta de assistência. Mas na África, as necessidades são as mais básicas mesmo. Em vários lugares não tem água, como na escola em que trabalho e que tem mais de sete mil alunos, não tem esgoto, muitos não têm comida e nem acesso à saúde. É muita gente e o governo não consegue dar assistência completa.

     Então o papel da Igreja seria fundamental?

     Sim, sem dúvida. Além de ajudar nestas necessidades básicas, também ajuda muito com a questão da saúde. Para se ter uma ideia, na nossa comunidade tem três hospitais. Hoje, por falta de recurso, funciona apenas um, mas acreditamos que em breve os outros voltem a operar. Mas vale dizer aqui que, apesar de todas essas dificuldades, a alegria, o entusiasmo e a vontade de viver deste povo motivam e inspiram. Aprendo muito com eles todos os dias. 
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