Novembro de 2017 - Ecoando o dia de finados

     No mês de dezembro de 1976, com uma ordenação sacerdotal, foi inaugurada a nova igreja da Paróquia São João Bosco, que antes funcionava num barracão sobre o barranco que ficava junto à divisa do terreno com o vizinho. Todos podem imaginar o esforço da comunidade paroquial para levantar a igreja: rifas de automóvel, bingos, promoções, etc.  Uma numerosa equipe de leigos envolvidos, muita gente com liderança invejável e energia para dar e vender. 

     O pároco de época era o padre Essetino Andreazza, que dá nome à sala que fica no fundo da igreja. Tinha 46 anos de idade, muito jeito para construções, era muito simpático, e fino no trato com as pessoas. Acabada a construção na igreja, foi feito ecônomo da Inspetoria Salesiana. Veio a falecer neste ano de 2017 na cidade de Americana.

     Já o prédio dos cursos profissionalizantes da nossa Obra Social e das reuniões pastorais foi  construído na década do noventa. O pároco de então, o padre  Júlio Comba, homem de grande erudição, autor de vários livros de língua latina, também contou com uma equipe de leigos dedicados. 

     Mas os tempos eram outros. Inflação galopante. E um fantasma o acompanhava: fazia uns vinte anos, quando ele entrava para trabalhar em uma nova casa salesiana, essa estava com a situação financeira no vermelho, ou, senão, quando ele saía, a situação também era no vermelho. E o padre Júlio era, de natureza, bastante tímido. E se sentia deslocado no seu trabalho em uma cidade como São Paulo, pois tinha por mais de trinta anos  trabalhado em cidades pacatas e pequenas do interior: Lavrinhas, Lorena e Pindamonhangaba. E quando foi transferido para Americana, levou um susto: nem imaginava que no Brasil houvesse cidades como aquela. Para ajudar, ele estava avançado em anos: quando concluiu a construção, estava com 74 anos. E entregou a paróquia sem nenhum centavo de dívida para pagar.

     Quando a Paróquia decidiu homenagear o padre Júlio Comba dando o nome dele para o prédio, não estava somente sendo agradecida, mas homenageando alguém que literalmente tinha feito de tripas coração para superar os próprios temores e limites. 
Essa breve memória de dois antigos párocos já falecidos deve nos proporcionar uma ocasião de considerar que o que temos hoje, o devemos e em muito aos nossos falecidos, que são muito mais que simples nomes dependurados numa placa numa parede.

Padre Ailton António dos Santos, pároco
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