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Papa Francisco decreta canonização de Protomártires e Santos

Na região agreste do Rio Grande do Norte, em meados do século 17, homens, mulheres e crianças foram assassinados por holandeses calvinistas nos massacres de Cunhaú e Uruaçu. O massacre aconteceu porque eles não renunciaram a fé cristã


     No dia 15 de outubro de 2017, papa Francisco presidiu na Praça São Pedro a cerimônia de Canonização dos Mártires brasileiros de Cunhaú e Uruaçu: André de Soveral, Ambrósio Francisco Ferro, Mateus Moreira e mais 27 companheiros. As causas das mortes dos mártires foram diversas, sendo que alguns foram assassinados por espadas, outros, por espancamento e mutilações, e alguns acabaram queimados vivos. 

     No dia 16 de junho de 1989, em reconhecimento aos mártires brasileiros, a Santa Sé iniciou o processo de beatificação. Em 21 de dezembro de 1998, o papa João Paulo II assinou o decreto oficializando o martírio do grupo. Na mesma cerimônia, foram canonizados o sacerdote espanhol, Faustino Míguez, fundador do Instituto das Filhas da Divina da Divina Pastora, e o Frade Menor Capuchinho italiano, Ângelo de Acre.

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Mártires de Cunhaú e Uruaçu

Monumento erguido aos Mártires de Cunhaú e Uruaçu no mesmo local do massacre, em São Gonçalo do Amarante, no RN

     Os brasileiros Beatos Mártires André de Soveral, Ambrósio Francisco Ferro, Mateus Moreira e 27 leigos foram assassinado em 1645, em defesa da fé católica, em Cunhaú e Uruaçu (RN).

     Em 1645, os soldados holandeses, de religião calvinista, ocuparam o nordeste brasileiro, levando consigo um pastor protestante para convencer os residentes a renunciarem à sua fé católica. Ao chegarem a Cunhaú (RN), onde residiam vários colonos, que trabalhavam nos canaviais, soldados e índios tapuias invadiram a Capela do Engenho de Cunhaú, durante a missa dominical, celebrada pelo padre André de Soveral, e os assassinaram em 16 de julho.

      Aterrorizados com o episódio de Cunhaú, muitos moradores de Natal pediram asilo no Forte dos Reis Magos; outros se refugiaram em lugares improvisados. Mas, no dia 3 de outubro, foram levados para as margens do Rio Uruaçú, onde foram massacrados por cerca de 80 índios e soldados holandeses armados. Segundo cronistas da época, o leigo Mateus Moreira teve o coração arrancado pelas costas. Agonizante, Mateus repetia a frase “louvado seja o Santíssimo Sacramento”.

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São Faustino e Santo Ângelo de Acre

     O sacerdote espanhol, padre Faustino Míguez, fundador do Instituto Calazans das Filhas da Divina da Divina Pastora, e o Frade Menor Capuchinho italiano, Ângelo de Acre também foram canonizados pelo papa Francisco.

     Faustino Míguez nasceu em Xamirás, Espanha, em 1831. Frequentando a escola de São José de Calazans, dedicou-se à educação da infância e da juventude, aos sofrimentos e enfermidades da alma e do corpo do povo. Ciente da importância do papel da mulher na família e na sociedade, fundou, em 1875, o Instituto das Filhas da Divina Pastora, para a promoção humana e cristã das meninas, especialmente das mais pobres. Padre Faustino morreu em Getafe, aos 94 anos de idade, no dia 8 de março de 1925.

     Ângelo de Acre nasceu na Calábria, sul da Itália, em 1669. Aos 18 anos, entrou para o Convento dos Capuchinhos, em Acre. Fez a profissão religiosa em 1691 e recebeu a ordenação sacerdotal. Como sacerdote dedicou-se à pregação, simples e fervorosa, acompanhada de milagres e conversões, oração e muitos êxtases.

     Como Provincial Capuchinho, Santo Ângelo de Acre foi chamado de "anjo da paz" e, como verdadeiro filho de São Francisco, achava necessário carregar cinco pedras preciosas: austeridade, simplicidade e observância das Regras, inocência de vida e caridade sem limites. Seis meses antes de morrer o novo Santo foi acometido de cegueira. Em 1739, aos 70 anos de idade, expirou serenamente na sua terra natal, Acre, onde seus restos mostrais descansam em um grande santuário.

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Crianças mexicanas mortas em defesa da fé

     Papa Francisco canonizou também Cristóvão, Antônio e João, crianças que morreram, em 1527 e 1529, por não renunciarem sua fé em Jesus Cristo. Eles são conhecidos como os Protomártires do México.

     As crianças mártires de Tlaxcala canonizadas pelo Papa representam os mártires de toda a América Latina porque foram os primeiros a dar testemunho da sua fé. Eles foram os primeiros nativos de etnia americana, convertidos à fé católica, que derramaram seu sangue por Cristo no Novo Continente.

     Cristóvão nasceu, provavelmente, em 1514 morreu em 1527, com 13 anos; Antônio e João por volta de 1516 e foram mortos em 1529, também quando tinham por volta de 13 anos.
Os três novos Santos Mártires de Tlaxcala declarados como Padroeiros da Infância mexicana foram cruelmente mortos por seus conterrâneos porque, em nome da fé católica, rejeitaram a idolatria e a poligamia.

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Processo de canonização

     O processo de canonização estava na Congregação para a Causa dos Santos, no Vaticano, desde o segundo semestre de 2015, por indicação do Sumo Pontífice. Em setembro de 2016, o Arcebispo Metropolitano, Dom Jaime Vieira Rocha, participou em Roma de uma audiência com o papa Francisco para tratar sobre a canonização.

     Das 150 pessoas mortas nos dois massacres, apenas 30 foram canonizadas. A quantidade foi menor porque, segundo a Igreja Católica, ficou comprovada a identidade apenas deste grupo. Das 30 pessoas, 25 eram homens e cinco, mulheres — alguns deles, bebês.

     Na matança em Cunhaú, onde atualmente está localizado o município de Canguaretama, foram canonizados o padre André de Soveral e Domingos de Carvalho. Em Uruaçú, onde atualmente está a cidade de São Gonçalo do Amarante, o padre Ambrósio Francisco Ferro está entre os santos.

     A canonização, quando se trata de um mártir, deve partir de um fato historicamente comprovado de morte violenta pela fé católica, aceita voluntariamente. Quando trata-se de um não-mártir, deve-se provar o exercício das virtudes cristãs durante toda a sua vida. Além dos 30 mártires do Rio Grande do Norte, o Papa também canonizou três adolescentes mártires do México, um sacerdote italiano e outro espanhol.

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Obra contém dados que embasaram a beatificação

     O livro "Beato Mateus Moreira e seus companheiros mártires", escrito pelo Monsenhor Francisco de Assis Pereira a partir de pesquisas históricas e dados que embasaram a beatificação, afirma que os holandeses contaram com a ajuda de indígenas para invadir uma capela da região, fechar as portas e matar quem estivesse dentro, em uma manhã de domingo. Quase três meses depois desse episódio, em 3 de outubro, outras 80 pessoas também viraram alvos em outro cenário: às margens do Rio Uruaçú, foram despidas e assassinadas por não terem se convertido ao protestantismo. Nem crianças foram poupadas do ataque. Uma delas, com dois meses de vida, foi uma das vítimas, junto com uma irmã e o pai.

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     Você sabia que...

      O ato de canonização é exclusividade do Vaticano – ou seja, a coisa é decidida pelo mais alto escalão do clero e ratificada pelo próprio Papa. Nos primórdios da Igreja, não havia um processo formal de reconhecimento dos santos. Isso porque os primeiros mártires cristãos, como Pedro (apóstolo de Jesus e o primeiro Papa), já eram cultuados popularmente. O primeiro santo canonizado por um Papa foi Ulrich, bispo de Augsburg,. Ele foi declarado santo pelo papa João 15, no ano de 993.
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