Janeiro de 2018 - O heroísmo das pequenas batalhas

     Então, para grande comoção nacional, o adolescente, em Goiás, armado de um revólver ou do pai ou da mãe, que eram ambos policiais militares, entrou na própria sala de aula daquela escola particular, e deu tiros nos colegas para se vingar de bullying que, segundo ele, vinha sofrendo. O pandemônio gerado na escola só não foi maior que a incontrolável curiosidade pública, os acesos debates, mesmo à falta de informações mais detalhadas.

     No fim de semana seguinte, estava lá a reportagem do Fantástico da TV Globo colhendo testemunhos e tentando traçar um painel mais completo dos acontecimentos. E o repórter entrevistou uma educadora da escola, coordenadora das atividades, que tinha sido a pessoa a desarmar o adolescente, de uma compleição física superior à dela.

     O que intrigava era como ela tinha conseguido desarmar o adolescente, uma vez que um professor tem preparo para fazer muitas coisas no trato com os alunos e no trato da transmissão do conhecimento, mas é difícil imaginar que algum tenha se preparado para ter uma atitude em um caso tão extremo como aquele. 

     E a pergunta conclusiva foi esta: “De onde a senhora tirou força e coragem para tomar uma atitude tão acertada e decisiva?” E a professora, na sua simplicidade, respondeu: “Eu trabalho nesta escola há dezessete anos. E diariamente convivo com outros professores, funcionários e serventes que, silenciosamente, sempre dão o melhor de si para o bem dos alunos, apesar de todo o cansaço, apesar das doenças, dos problemas que têm em casa. E aprendi também eu a dar a minha parte, dentro das circunstâncias. E aquela foi a circunstância em que eu não podia falhar, e tinha que agir.”

     Nestes albores do Novo Ano de 2018 vamos também nós saber recolher das pessoas que nos cercam as suas lições de vida, a sua generosidade constante, o seu espírito de trabalho, a sua constância na luta, a sua alegria apesar das contas a pagar, a discreta presença nas horas mais difíceis, a confiante entrega apesar de resultados às vezes tão minguados.

     As ocasiões extraordinárias talvez não se nos apresentem. Mas vamos viver o heroísmo das pequenas batalhas do dia a dia. E vamos nos unir, juntando-nos para fazer dos nossos pequenos defeitos uma grande qualidade.


Padre Ailton António dos Santos, pároco
Voltar Topo Enviar a um amigo Imprimir Home