Boa tarde!           Domingo 21/10/2018     17:58

Bispos chilenos apresentam renúncia em massa

Todos os 34 bispos ofereceram suas renúncias ao papa Francisco em consequência dos escândalos recentes de abuso sexual e acobertamento dos crimes pela Igreja Católica chilena


     A limpeza no episcopado do Chile, que há algum tempo rondava os pensamentos do papa Francisco, aconteceu. Após encontros privados mantidos pelo Pontífice com os bispos chilenos no Vaticano para apurar responsabilidades pelos casos de abusos sexuais por parte do clero nas últimas décadas, chegou o anúncio de um pedido de demissão em massa sem precedentes.

     Todos os bispos apresentaram no dia 18 de maio a renúncia coletiva e puseram seus cargos à disposição de Francisco “para que livremente decida sobre cada um de nós”.

     Desde 2015, os casos de abusos no Chile por parte do clero gravitam em torno do nome do bispo de Osorno, Juan Barros, acusado de acobertar os abusos do ex-padre Fernando Karadima. Durante sua recente viagem ao Chile, o Papa defendeu Barros, que sempre negou as acusações. Mas os protestos das vítimas desencadearam a investigação que resultou nesse processo de expurgo. O Papa, que inicialmente havia tachado as acusações de “calúnias”, pediu perdão no voo de regresso a Roma e convidou três das vítimas a irem ao Vaticano. Pouco depois, enviou ao Chile uma missão especial encabeçada pelo arcebispo de Malta para averiguar os casos em profundidade. Barros havia apresentado sua renúncia em duas ocasiões, mas o Pontífice não a aceitou. Desta vez, parece claro que será um dos que deixarão o cargo.

     Segundo o Papa, a gravidade da situação requer aprofundar muito mais. “Os problemas vividos hoje dentro da comunidade eclesial não são solucionados somente abordando os casos específicos e reduzindo-os à remoção de pessoas; isto – e eu digo claramente – é preciso fazer, mas não é suficiente, é preciso ir mais além”, escreveu no documento. Também fala que algo não funciona em todo o corpo eclesiástico. “Seria irresponsável de nossa parte não aprofundar na busca das raízes e das estruturas que permitiram que esses acontecimentos específicos ocorressem e se perpetuassem”, acrescenta.

     Recentemente, o papa Francisco reconheceu "graves erros de avaliação" sobre o caso. Ele chegou a defender Juan Barros, que é acusado por vítimas de acobertar os crimes de pedofilia cometidos pelo padre Fernando Karadima, mas depois voltou atrás dizendo que havia cometido "graves erros" na condução da crise de abusos sexuais porque havia sido "mal informado".

     O pontíficie afirmou também que seria duro com bispos chilenos para esclarecer acobertamentos.
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