Fevereiro de 2015 - De volta às aulas

     Passadas as férias, as coisas vão voltando ao normal. Porém, no Brasil se costuma dizer que a vida só começa "depois do carnaval". Solene bobagem! Os engarrafamentos não pararam, sinal da atividade constante na cidade. E, passados uns tantos dias de férias, todos, inclusive as crianças nas escolas, retomaram a batida de sempre, com suas atividades.

     E trabalho é bom, apesar da raiz da palavra. De fato, a palavra "trabalho" - usada em português, castelhano e em francês - tem uma origem muito triste. Deriva da palavra latina "tripalium", um instrumento de tortura romano, composto de três paus, uma espécie de tripé formado por três estacas cravadas no chão na forma de uma pirâmide, no qual eram castigados os escravos. Enquanto isso, as palavras usadas em outras línguas, como "work" em inglês, "werk" em alemão ou "lavoro" em italiano destacam outro aspecto muito mais positivo do trabalho: a "obra", aquilo que resulta da ação. E normalmente a obra enche de satisfação quem a fez, embora tenha custado muito esforço.

     Como ainda é começo do ano, estamos em boa hora para os célebres propósitos de início de um novo ciclo. E um bom propósito é "ocupar ainda melhor o próprio tempo" para fazer coisas úteis para si e para os outros.
Um provérbio inglês diz: "Se você quer uma coisa feita, entregue-a a uma pessoa ocupada".  Porque esses, por mais sobrecarregados que estejam, sempre arrumam mais um tempo. Enquanto os desocupados,  nunca dispõem de tempo.

     E, junto com isso, tomar muito cuidado com gente desocupada que, além de não fazer nada, como tem a cabeça vazia, sempre a enche de coisas negativas e distorcidas. Acaba contaminando e faz a gente adoecer.

     Rico da sabedoria da sua gente, bom camponês, do norte da Itália, piemontês, Dom Bosco queria longe das suas casas "i bevoni, i mangioni, i vitelloni, i testoni, i poltroni", isto é, "os beberrões, os comilões, os vidas-boas (os preguiçosos, os desocupados), os cabeças-duras (aqueles que só eles têm razão), os poltrões (os molões e acovardados)". E não é que ele estava carregado de razões?!

Padre Ailton António dos Santos, pároco
 
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