“Preocupo-me com você”: o trabalho dos salesianos com os migrantes menores

     “Durante um mês fiquei fechado em uma casa outras 120 pessoas, tínhamos pouca água e comida. Não era permitido sair. Podíamos ir ao banheiro apenas uma vez por dia, durante a noite piolhos e carrapatos não nos deixavam dormir e todo tempo havia homens armados nos vigiando. Na madrugada de 23 de junho, às 2h30 nos levaram para a praia obrigando-nos a entrar em um barco inflável”. A. S., nigeriano maior de idade, chegou à Itália com 15 anos, e assim recorda a sua última etapa da viagem, na Líbia, do outro lado do Mediterrâneo em 2015. Depois dos primeiros meses passados na comunidade, hoje vive nas ruas em Catânia e é acompanhado pelo serviço na condição de “baixa vigilância” encaminhado pelos Salesianos a partir do projeto “Preocupo-me com você”, que cuida dos migrantes menores que chegam à Itália desacompanhados.

O projeto dos salesianos para “os últimos”

     Há dois anos, primeiro em Roma, depois Turim, Nápoles e Catânia, a Associação dos Salesianos para o Social, Federação SCS/CNOS (Serviços Civis e Sociais – Centro Nacional Obras Salesianas), um instrumento de apoio à pastoral para a educação dos necessitados, que se inspira em Dom Bosco, está engajada ao lados dos menores migrantes presentes na Itália que estão fora dos programas de acolhida do Governo.

     “Os jovens que contatamos definimos como ‘os últimos’: são os que estão fora do programa casa-família, e que andam pelas ruas, dormem fora e vivem inúmeras aventuras, muitas vezes dramáticas e trágicas”, conta padre Giovanni D’Andrea, presidente da Associação salesiana. “O mundo das ruas é cruel e violento: dormem em lugares inseguros não só do ponto de vista ambiental, mas pelas pessoas que podem encontrar nestes lugares. Entre os moradores de rua há particulares códigos de comportamento”.

O primeiro passo: estabelecer relação de confiança

     Desde o início do ano, 387 jovens “invisíveis” já se aproximaram do projeto: “São jovens muito simples e por tudo o que foram submetidos, são muito desconfiados. Não confiam facilmente nas pessoas”, observa padre D’Andrea. “Um dos nossos jovens, Mario, certa vez me disse: recebo muitos sorrisos de muitas pessoas, mas por trás de cada sorriso há sempre uma punhalada. Por isso no início é normal que sejam assim, é preciso muita paciência, conversar muito com eles mesmo de coisas banais”. 

Fonte: Vatican News

Desde o início do ano, 387 jovens “invisíveis” já se aproximaram do projeto dos salesianos que cuida dos migrantes menores desacompanhados. Educadores de rua, psicólogos e voluntários garantem aos menores ajuda de emergência seguida por oportunidade de estudo e formação profissional
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