Paulo VI e Dom Romero: duas vidas dedicadas à Igreja

O Vaticano promoveu a canonização de sete novos santos, entre eles, destacam-se Paulo VI e Dom Óscar Romero. A oficialização foi realizada por papa Francisco, no dia 14 de outubro de 2018, na Praça São Pedro, em Roma, durante o Sínodo dos Bispos sobre os jovens e as vocações


Homens santos, homens de fé, de oração, de completa dedicação ao Evangelho. Paulo VI (à esquerda) e Dom Romero foram essencialmente o reflexo da luz de Cristo. São palavras do cardeal Angelo Becciu, prefeito da Congregação para a Causa dos Santos  e do cardeal Gregorio Rosa Chávez, bispo auxiliar de San Salvador durante a coletiva na Sala de Imprensa da Santa Sé



O que é canonização?
 
     A canonização é um processo católico através do qual a pessoa é considerada santa a partir de algumas características ou porque demonstra uma vida de virtudes e qualidades. Depois de muita análise e estudos, a pessoa é declarada santa. Neste caso, a pessoa passa a ser venerada, também porque se acredita que ela tenha capacidade de interceder a Jesus por algumas questões específicas. É o que se chama de padroeiro, como se fossem guardiões ou protetores especiais de determinadas causas como doenças, países, igrejas e ocupações trabalhistas. 

     Importa saber que veneração não é adoração. A adoração é reservada somente a Deus, da mesma maneira que a intercessão a Deus é uma atribuição única e exclusivamente de Cristo. Afinal, é como diz a Palavra de Deus: "Porque há um só Deus, e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem" (1 Timóteo 2, 5). 



O milagre de Paulo VI

     A cura de uma bebê no ventre da sua mãe é o milagre que permite a canonização do Beato Paulo VI. A protagonista do milagre é Amanda, uma menina que nasceu em 25 de dezembro de 2014, apesar de uma gravidez complicada, na qual era difícil que a bebê sobrevivesse, segundo afirmavam os médicos.

     Em dezembro do ano passado, o semanário da Diocese de Brescia, ‘La Voce del Popolo’, havia divulgado algumas informações sobre esta cura. “O milagre atribuído à intercessão de Giovanni Battista Montini é a cura de um feto, no quinto mês da gestação”. 
Segundo explicou o semanário, “a gestante, da província de Verona, corria o risco de abortar devido a uma patologia que comprometia a vida da criança e da mãe”.

     Entretanto, alguns dias depois de Paulo VI ser beatificado, a mãe visitou o Santuário delle Grazie, em Brescia (Itália), lugar onde os devotos do Papa Montini costumam ir. Assim, sem uma possível explicação médica, a menina nasceu  com boas condições de saúde.

     Paulo VI foi beatificado pelo papa Francisco em outubro de 2014. Entre outras coisas, é reconhecido como autor da encíclica Humanae Vitae, documento que teve um marco histórico na defesa da vida desde a concepção, cuja publicação completa 50 anos em 2018.



O milagre de Óscar Romero

     A cura inexplicável de uma mulher grávida é o milagre aprovado que permite declarar santo o Arcebispo de San Salvador. Trata-se de uma mulher salvadorenha com uma doença terminal e “condenada a morrer”, mas que foi curada e deu à luz a um bebê saudável.

     Dom Vincenzo Paglia, postulador da causa da canonização de Dom Óscar Romero, contou que o esposo da mulher começou a pedir a intercessão de Dom Romero em 24 de maio de 2015, dia da beatificação do Arcebispo em San Salvador.

     Por volta do final de agosto e início de setembro, a saúde da sua esposa piorou e os médicos realizaram a cesariana, com medo de que a criança pudesse morrer. “Eles fizeram a cesariana e esperavam que ela morresse”, porque todos os exames indicavam que ela não sobreviveria. Dom Paglia não especificou a doença. Indicou que os amigos também rezavam pela intercessão do beato “e depois de cinco dias, de maneira inexplicável, essa mulher começou a melhorar e se curou completamente”.

     Nascido em Ciudad Barrios, El Salvador, em 15 de agosto de 1917, Dom Óscar Arnulfo Romero foi nomeado Arcebispo de San Salvador pelo papa Paulo VI em 1977.

     O seu governo pastoral se destacou pela defesa dos direitos humanos, em meio ao começo de uma guerra civil entre a guerrilha de esquerda e o governo ditatorial de direita.

     Em 24 de março de 1980, Dom Romero morreu mártir por ódio à fé. Em 3 de fevereiro de 2015, o papa Francisco reconheceu seu martírio e foi beatificado no dia 25 de maio do mesmo ano pelo Cardeal Angelo Amato, Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, em San Salvador.
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