Abril de 2015 - Poderosa inspiração de Dom Bosco

     Quando Dom Bosco desenvolveu a sua atividade sacerdotal em favor principalmente dos jovens mais pobres e abandonados, na Turim do século XIX, a Itália era um amontoado de pequenos reinos, ducados, que, para se unificarem, precisavam tomar extensas regiões do centro do país, que há mil anos pertenciam à Igreja, e que constituíam os estados pontifícios, sob a direta autoridade do papa. Portanto, unir a Itália significava arrancar propriedades da Igreja, e por isso a Igreja era vista como inimiga do progresso da nação e aproveitadora da situação. Sob influência da mentalidade da Revolução Francesa, os governos fechavam conventos, extinguiam congregações religiosas.

     Pois nesse contexto conflituoso, foi justamente um ministro de estado do Piemonte, Urbano Rattazzi, que aconselhou Dom Bosco a fundar uma congregação religiosa, visto que ele não era eterno, e a sua obra em favor dos jovens devia continuar. Dom Bosco reagiu surpreso: “Excelência, os Srs. fecham as congregações religiosas, e vêm ao mesmo tempo me aconselhar que funde uma nova?!” Mas o ministro não estava dando essa sugestão por devoção. Era por puro interesse público. Um trabalho como o de Dom Bosco só podia fazer o bem para a sociedade. “Dom Bosco, vocês podem fazer uma congregação religiosa em que todos os sócios cumpram diante do Estado todas as obrigações de cidadãos livres, e na hora de tocar a vida, vivam a vida conforme os princípios religiosos de vocês.” Foi esta uma poderosa inspiração para Dom Bosco fundar uma congregação religiosa em moldes modernos.

     Pelas mãos de Dom Bosco, humilde padre nascido na roça, passaram milhões e milhões, que ele sempre fez chegar aos jovens. No leito de morte, pediu ao seu auxiliar direto P. Rua que visse se ele tinha na gaveta alguma moeda: “Nasci pobre e quero morrer pobre. Tudo o que recebemos, foi para os nossos pobres jovens.”

     Hoje o Brasil está convulsionado por ondas sociais e escândalos federais. Por quê? Porque para quem está no poder, tem sobrado ganância, corrupção, propinas e desvios. E tem faltado dedicação à promoção do bem da sociedade, ao bem-comum. Se o governo estivesse fazendo isso, que, aliás, é o que ele se tinha proposto, até a oposição se renderia à evidência dos fatos, e aplaudiria e tiraria o chapéu.

Padre Ailton António dos Santos, pároco
 
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