O amor aos jovens mais pobres é fonte de salvação


Welinton Francisco da Costa é diácono salesiano. Nasceu em Várzea Grande - MT, no bairro Água Vermelha. Filho do meio de três irmãos, teve uma infância saudável e feliz: subia nas árvores, jogava bola, soltava pipa na rua, brincava até tarde no quintal com seus irmãos e filhos dos vizinhos. Desde criança foi instruído na fé pelos próprios pais, que o levava à Comunidade Nossa Senhora das Graças, da Paróquia São Sebastião, onde fez catequese. Será ordenado padre no dia 15 de dezembro em Cuiabá - MT


     “Eu descartava a possibilidade de ser presbítero. Na verdade, nunca tinha pensado nisso. Aos poucos Deus foi constrangendo o meu coração e, a partir do encontro com os salesianos do Colégio São Gonçalo – Cuiabá, fui sentindo o Senhor me chamando. Decidir algo assim não é fácil, pois na engendrada missão de servir muitas vezes devemos largar tudo para nos apegar ao tudo que é o Senhor. 

     Em 2006, na figura dos salesianos, senti a presença de Deus mais perto. A partir do sorriso, da acolhida, do amor à liturgia, do encontro com os jovens, àquilo que antes poderia ser um coração duro, agora já estava cheio do amor de Deus. São João Bosco me mostrou que servir é ser feliz. 

     Entrei para o aspirantado em 2008, em Campo Grande - MS. Fiz o pré-noviciado no mesmo local no ano seguinte. O noviciado em Indápolis – Dourados aconteceu em 2010, depois, dois anos de pós-noviciado, Campo Grande. Primeiro ano na etapa do tirocínio em Araçatuba - 2013. Segundo ano de tirocínio em 2014 - Campo Grande. Nestes dois anos de tirocínio fui assistente dos pré-noviços e aspirantes. Desde 2015 moro no bairro da Lapa, em São Paulo, onde faço o curso de Teologia, no Instituto Pio XI. Considero o estudo mais do que reter conhecimento. É preciso transpor o aprendizado para a vida, pois não sendo assim, deixa de ter sentido. 

     Em 2015 fiz pastoral na Paróquia São João Bosco. Em 2016 fui enviado para trabalho pastoral na Paróquia Nossa Senhora de Fátima e Santo Amaro, no Guarujá. Desde 2017 faço pastoral em São José dos Campos, na Paróquia Sagrada Família. Em todos esses lugares aprendi muitas coisas e tive a oportunidade de compartilhar conhecimentos e ensinar.  Os leigos nos ensinam a sermos servidores. Por todos os lugares que passei encontrei gente simples, mas “grandiosas” aos olhos de Deus. Sou feliz por ser salesiano. Vale a pena ser salesiano. 

     Este ano concluo a etapa da formação inicial, mas sei que a formação continua para o resto da vida. Sempre há o que se aprender e ensinar. Os jovens nos ensinam muito e eles são o propósito da vocação de um salesiano. Amar os jovens, especialmente os ‘mais pobres’, é fonte de salvação.

     Se Deus me chamou Ele tem um propósito em minha vida. Acredito que só temos a possibilidade de amar ao próximo a partir do encontro verdadeiro com Cristo.  Peço que o Senhor Jesus permaneça sempre comigo (Cf. Lc 24, 29)! Que meu coração nunca deixe de abrasar por Ele! Que minhas palavras e meus atos sejam para engrandecer o nome Dele.



De graça recebestes, de graça dai


O diácono salesiano  José Tran Thai Hoang é vietnamita. Filho caçula de quatro filhos, nasceu numa família católica na cidade de Ben Tre, perto da cidade de Ho Chi Minh (antiga Saigon), no Vietnã. Durante toda a vida, José Hoang foi participando de vários grupos paroquiais: o grupo de coroinhas e de catequese, o coral, o grupo de animação juvenil da paróquia São José. Aí recebeu os sacramentos de iniciação cristã. Quando estudou na universidade de Ciência, Sociedade e Humanidade de Ho Chi Minh, José Hoang começou a sua vocação salesiana e depois foi enviado à Inspetoria São Domingos Sávio, com sede em Manaus (AM). O diácono José Hoang será ordenado como padre salesiano em Manaus no dia 07 de dezembro de 2018



     “Falar sobre a minha vocação é falar sobre minha mãe, aquela que me ensinou profundamente a vida cristã, principalmente uma vida devotada aos outros. Foi minha mãe que também revelou seu desejo que ter um filho padre, para celebrar a missa pelos falecidos. De fato, eu aprendi muito da minha família no serviço da comunidade paroquial, e do meu pároco diocesano, que tinha um coração muito salesiano, sempre voltado à educação dos jovens. Minha vida foi semeada por tantas pessoas amadas que queriam que eu me tornasse um bom padre. Eu amo tanto a minha paróquia onde vivi toda a minha infância com meus amigos. Participamos da missa juntos, crescendo na fé e na amizade por meio das atividades pastorais interessantíssimas. Com certeza, não somente a palavra da minha mãe, mas também o testemunho precioso do meu pároco me tocou muito. Sinceramente, quero ser padre com ele para ajudar os outros.

     “Para ser um padre, você dever estudar bastante!”, meu pároco me explicou. Por isso, tive ótimas notas e entrei na universidade na cidade Ho Chi Minh, onde meu sonho de ser padre pôde ser realizado. Porque, no Vietnã, ter um diploma universitário é uma das condições para se entrar no seminário. Mas Deus sempre revela uma coisa especial para a gente se surpreender. No primeiro ano de faculdade, encontrei um salesiano, que me contou a vida de Dom Bosco e sua congregação. Eu fui atraído por este santo e sua vida. Logo depois, comecei a participar do grupo de aspirantes para ser salesiano de Dom Bosco.

     Na fase do noviciado, tive uma oportunidade de conhecer o primeiro salesiano vietnamita que trabalhava nas missões estrangeiras. Com efeito, após a conversa com esse padre, eu encontrei um novo espírito do carisma salesiano: “Quero ser missionário, fora da minha terra”. Nessa época, surgiu o projeto de renovação missionária no Sudão, na África, para o qual o Reitor-Mor Pascal Chávez convidou todo o mundo salesiano, e a mim, como noviço. Fui conversar com o mestre de noviciado. Realmente, estava com muita vontade de partir logo para as missões. Eu fiz a primeira profissão religiosa e continuei estudando Filosofia por mais três anos, mas, nunca me esquecendo daquela conversa com o salesiano missionário: “Nos inícios da nossa inspetoria, recebemos muito salesianos estrangeiros. E agora, devemos contribuir com nossas vocações para outras inspetorias como gesto de gratidão!” 

     Ao final dessa etapa, depois de conversar com meu diretor espiritual seriamente, fiz o discernimento pela vocação específica pelas missões ad gentes, isto é, para as nações estrangeiras. Sem dúvida, como Abraão, que não sabia da existência da terra prometida, eu também não sabia do meu destino, até um dia que foi enviado para Manaus (BMA), onde comecei a aprender tudo: uma nova cultura, uma nova língua. 

     Por fim, meus caros jovens, “Coragem! Sou eu! Não tenhais medo!” (Mt 14, 7) é palavra que Nosso Senhor Jesus deixou para nós. Além disso, sabemos que Deus sempre providencia um projeto amoroso para cada um de nós. Portanto, é importante descobri-lo e discerni-lo como nossa vocação na vida. Pode ser a vocação na família ou a vocação na vida religiosa, como um missionário fora do seu país. Que o Espírito Santo nos ilumine para saber a voz do Deus, descobrir nossa vocação no serviço aos outros.
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