Agosto de 2019 - Que os cristãos se abram com docilidade à voz do Senhor

A conversão de Saulo de Tarso no caminho de Damasco é “uma mudança de página na história da Salvação", é "a porta aberta sobre a universalidade da Igreja". Foi o que disse o papa Francisco em homilia celebrada na Casa Santa Marta

     Paulo era um homem forte e apaixonado pela pureza da lei", mas era honesto e, mesmo com um caráter difícil, era coerente porque era um homem aberto a Deus. Se ele perseguia os cristãos era porque estava convencido de que Deus queria isto. Mas como é possível? Estava convencido disto. É o zelo que tinha pela pureza da casa de Deus, pela glória de Deus. Um coração aberto à voz do Senhor. E arriscava, arriscava, ia avante. E outra característica do seu comportamento é que era um homem dócil, tinha a docilidade, não era teimoso.

     Talvez o seu temperamento fosse teimoso, mas não a sua alma. Paulo era "aberto às sugestões de Deus". Com o fogo interior prendia e matava os cristãos, mas, uma vez que ouviu a voz do Senhor, se tornou como uma criança, se deixou levar.

     Todas aquelas convicções que tinha, ficam caladas, esperam a voz do Senhor: “Que devo fazer, Senhor?”. E ele se encaminha e vai ao encontro em Damasco, ao encontro daquele outro homem dócil e se deixa catequizar como uma criança. Se deixa batizar como uma criança. E depois retoma as forças e o que faz? Fica quieto. Vai para a Arábia rezar, quanto tempo não sabemos, talvez anos, não sabemos. Abertura à voz de Deus e docilidade. Paulo é um exemplo para nossa vida. 

     Perseverar. Este é um sinal da Igreja. Eu gostaria de agradecer a tantos homens e mulheres, corajosos, que arriscam a vida, que vão avante, que buscam inclusive novas estradas na vida da Igreja. Buscam novas estradas! “Mas, padre, não é pecado?”. Não, não é pecado! Busquemos novas estradas, isto nos fará bem a todos! Com a condição de que sejam as estradas do Senhor. Mas ir avante: avante na profundidade da oração, na profundidade da docilidade, do coração aberto à voz de Deus. E assim se fazem as verdadeiras mudanças na Igreja, com pessoas que sabem lutar no pequeno e no grande.

     O cristão deve ter este carisma do pequeno e do grande e a oração dirigida a São Paulo é justamente o pedido da graça da docilidade à voz do Senhor e do coração aberto ao Senhor. A graça de não nos assustar de fazer grandes coisas, de ir avante, com a condição de que tenhamos a delicadeza de cuidar das pequenas coisas.

Papa Francisco
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