Outubro de 2019 - O caminho à santidade pela pequena via (Parte II)

     Santa Terezinha do Menino Jesus e da Sagrada Face levou a sério o caminho da perfeição escrito por sua fundadora Santa Tereza de Jesus (Santa Tereza D’Ávila). Porém, revelou ao mundo que a perfeição e a santidade podem estar nas pequenas coisas, nos pequenos gestos e obrigações cotidianas que fazemos com amor. Ela dizia: “Sigamos o caminho da simplicidade. Entreguemo-nos com todo o nosso ser ao amor. Em tudo busquemos fazer a vontade de Deus. Que o zelo pela salvação das pessoas devore nosso coração”.

     Escreveu três manuscritos a pedido de sua irmã Pauline, o que são sua autobiografia. Foram publicados em 1898 com o título de “História de uma Alma”. Em seus escritos ensina a teologia profunda da pureza e da simplicidade: a pequena via, atalho para a santidade. Segundo ela, todos os gestos e sacrifícios, do menor ao maior, devem ser oferecidos a Deus pela salvação das almas e na intenção da Igreja. Um caminho de santidade baseado nas pequenas coisas, nos pequenos atos do cotidiano que, quando feitos com amor, produzem frutos de santidade. 

     Dizia que não tinha forças para fazer as grandes obras heroicas dos santos famosos da Igreja, só conseguia fazer pequenas coisas. Mas nessas pequenas coisas estava o segredo de sua santidade. Pegar um alfinete caído no chão, com amor, produz fruto de santidade. Esteve como criança para o Pai, livre, igual a um brinquedo aos cuidados do Menino Jesus e, tomada pelo Espírito de amor, que a ensinou um lindo e possível caminho de santidade, a infância espiritual. Tornou-se a padroeira das missões sem nunca ter saído do Carmelo. 

     Ficava feliz quando jogava pétalas de rosas ao ver passar o Santíssimo Sacramento no ostensório. Gostava de jogar flores no grande crucifixo que ficava no jardim do Carmelo. Por isso, antes de morrer disse: “Vou fazer chover sobre o mundo uma chuva de rosas, vou interceder a Deus, sempre por todos os povos”. Era uma verdadeira missionária.

     Sofreu por quase 3 anos de tuberculose, que, naquela época não tinha cura. Chegou a dizer que jamais pensou que fosse capaz de sofrer tanto, mas teve paciência e fez tudo por amor, sem jamais reclamar nem murmurar. Faleceu no dia 30 de setembro de 1897, aos 24 anos. No leito de morte, as irmãs rezavam e anotavam tudo que ela dizia. Sua última frase foi: “Não me arrependo de haver-me entregue ao amor”. E com o olhar fixo no crucifixo exclamou: “Meu Deus, eu te amo”. Então, faleceu a jovem que depois foi chamada de a maior santa dos tempos modernos.

     Foi canonizada em 1925 pelo papa Pio XI e em 1927 foi declarada Padroeira Universal das Missões Católicas. Cem anos depois da sua morte, em 1997, na Carta Apostólica, Divinis Amoris Scientia, o papa João Paulo II declarou Santa Terezinha como Doutora da Igreja, devido a sua mensagem singular de Infância Espiritual e Contemplação da Face de Cristo.
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