Janeiro de 2020 - Filha de Israel e mártir de Cristo

     Edith Stein, filósofa, judia convertida, carmelita descalça, vítima do ódio racial do nazismo e santa. Nasceu em Breslau, na Polônia ocupada pela Alemanha, em 12 de outubro de 1891. Dia em que a família comemorava o Yom Kippur, “Dia da Expiação” para os judeus. Ficou órfã de pai ainda pequena, mas teve a presença da mãe, mulher forte, religiosa que assumiu todo o cuidado da família e dos negócios do marido.

     Aos 13 anos, Edith tornou-se agnóstica, embora continuasse acompanhando a mãe na sinagoga.  Por ter uma grande sede pela verdade, dedicou-se ao estudo da filosofia na Universidade algo ousado para uma mulher. Dedicada não só aos estudos, mas também ao próximo, na 1ª Guerra Mundial tornou-se enfermeira da Cruz Vermelha cuidando dos soldados feridos. Com o fim da guerra volta a seus estudos.

     Muitos professores e filósofos judeus alemães daquela época com quem Edith tinha contato se converteram ao cristianismo, tanto protestante quanto católico. No ano de 1921, visitando um casal amigo convertido encontrou na biblioteca deles a autobiografia de Santa Teresa de Ávila.  Leu o livro durante toda a noite. E encontrou a verdade que tanto procurava. Em janeiro de 1922, foi batizada e em fevereiro crismada. Em 1932 deu aulas numa instituição católica, onde desenvolveu a sua própria antropologia, encontrando a maneira de unir ciência e fé, baseando-se muito no pensamento de Santo Tomás de Aquino. Em 1933, por lei antissemita, foi proibida de lecionar. E em 1934, entrou para o Mosteiro das Carmelitas de Colônia, com o nome de Teresa Benedita da Cruz. 

     Da Alemanha em 1938, por segurança, Edith foi transferida para a Holanda junto com sua irmã Rosa, que se convertera também e ajudava no convento. Neste período sombrio do nazismo, os bispos católicos dos Países Baixos colocaram-se contra as deportações dos judeus. Em represália, a Gestapo invadiu o convento na Holanda e prendeu Edith e sua irmã. Ambas foram levadas, no dia 07 de agosto de 1942, para Auschwitz, juntamente com um grupo de 985 judeus. Dois dias depois, morreram nas câmaras de gás. 

     Seu martírio já se iniciou quando contou para sua mãe sua decisão de se converter ao cristianismo. Sua mãe não a rejeitou, não brigou, mas sentiu como um golpe na alma pois era uma judia extremamente zelosa.  Foi acusada por alguns membros de sua família de estar buscando salvar a própria vida com a força da Igreja. Mas ela não deixou de amar o povo judaico, não abandonou sua cultura e a sua história sofrida, apenas encontrou verdadeiramente o Senhor e no cristianismo compreendeu melhor o judaísmo. Por fim, acabou tendo o mesmo destino de seu povo.

     Edith foi uma mulher à frente de seu tempo, estudando na universidade, sendo independente e tendo um pensamento livre que buscava a verdade pelo caminho da razão e pelo silêncio.  Inteligente, responsável, mas discreta e humilde. 

     Santa Teresa Benedita da Cruz foi canonizada, em 1998, pelo Papa João Paulo II que a chamou “Ilustre filha de Israel”. 

     “Não aceiteis como verdade nada que seja isento de amor. E não aceiteis como amor nada que seja isento de verdade!". 

Por Káthia Kerry
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