Novembro de 2019 - Santa Teresa de Ávila, o caminho da perfeição (parte I)

     Teresa de Cepeda y Ahumada – Santa Teresa de Ávila - nasceu no dia 28 de março de 1515, em uma nobre família de Ávila, na Espanha. Filha de Alonso Sánchez de Cepeda, de origem judaica, que escondia a conversão da família ao catolicismo para que não houvesse perseguição da Inquisição, e Beatriz de Ahumada. Pessoas dignas e discretas que deram boa educação religiosa aos filhos. Ficou órfã aos doze anos.

     Quando pequena, desejava muito ir para o céu. Decidiu, junto com um irmão, fugir de Ávila e entregar-se aos mouros para que fossem mortos como mártires. Porém, chegaram apenas até o portão da cidade, onde foram encontrados pelo tio e levados de volta à casa paterna. Quando jovem, concluiu que para atingir seu maior desejo, o melhor modo de isso ocorrer seria se tornando monja.

     Aos vinte anos, decidiu-se pela vida religiosa, apesar da resistência de seu pai, que queria que ela cuidasse da família. Sabendo que não teria permissão, fugiu e entrou no Convento das Irmãs Carmelitas da Encarnação de Ávila. Lá, viveu por vinte e sete anos, com uma grande comunidade religiosa composta por cerca de cento e oitenta freiras, que viviam muito bem com suas próprias rendas, não se sentiam obrigadas à clausura, visitavam seus parentes e amigos e recebiam vários visitantes, que iam até o convento para conversar com as religiosas, levando uma vida pouco voltada para a oração. 

     Na sua permanência no convento, teve uma grave doença que marcou sua existência. Vivenciou fenômenos místicos que fizeram com que fosse vigiada pela Inquisição, além de gerar grandes dúvidas para ela mesma se essas manifestações vinham de Deus ou do demônio

Por volta dos quarenta anos, Santa Teresa sentiu o chamado que mudou o curso de sua vida. Começou o desafio de fundar comunidades religiosas mais reduzidas e reformadas. Enfrentou muitas dificuldades para realizar tal projeto. Foi criticada por muitos religiosos, por suas irmãs de convento, pela sociedade e pelo Poder Púbico, que não queria, no caso de necessidade, assumir financeiramente um convento sem rendas, que vivia de esmolas. 

     Mas ela não desistiu e estabeleceu no seu convento a mais estrita clausura e o silêncio quase perpétuo. O convento não tinha rendas e reinava nele a maior pobreza; as religiosas vestiam hábitos simples, usavam sandálias em vez de sapatos (por isso foram chamadas descalças) e eram obrigadas à perpétua abstinência de carne. Santa Teresa não admitiu no princípio mais do que treze religiosas por convento, mas logo aceitou que houvesse vinte e uma. Em 1567, o Superior Geral dos Carmelitas visitou o convento de Ávila e ficou satisfeito com o trabalho realizado ali pela santa. Assim, concedeu a ela plenos poderes para fundar outros do mesmo tipo e até autorizou a criação de dois para frades reformados (carmelitas contemplativos). Fundou no total dezoito conventos por toda a Espanha no período de 1562 a 1582. 

     Relatou todas as situações vivenciadas, suas visões e experiências espirituais, até seus cinquenta e dois anos no “Livro da Vida”, por obediência a seu confessor. Escreveu também o “Caminho da Perfeição” para orientar a vida de oração de suas monjas dos conventos reformados. 

     Santa Teresa foi uma mulher determinada, corajosa, inteligente e ativa sem deixar de ser fervorosa, humilde, prudente e amável. Enfrentou muitas dificuldades, perseguições e desconfianças desde as suas manifestações místicas no Convento da Encarnação até as fundações de seus conventos reformados. Mas nunca desanimou! Confiava e se entregava a Cristo. Viveu e agiu numa época de grandes e significativos acontecimentos como a Reforma Protestante, a Inquisição, a Contrarreforma que geraram fraturas na Igreja e, consequentemente, o início da desintegração da cristandade.

     Morreu em Alba de Tormes no dia 4 de outubro de 1582. Sua canonização se deu em 1622, mas antes já havia sido escolhida como padroeira da Espanha, considerada uma das maiores personalidades místicas católicas. Foi proclamada Doutora da Igreja em 27 de setembro de 1970 pelo papa Paulo VI, por sua inteligência, forte argumentação e bom senso em seus escritos e vida.
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