Setembro de 2019 - O caminho à santidade pela pequena via (Parte I)

     Santa Terezinha do Menino Jesus e da Sagrada Face nasceu no dia 2 de janeiro de 1873 em Alençon, baixa Normandia, na França. Seu nome de batismo era Marie Françoise Thérèse Martin (Maria Francisca Tereza Martin).  Nona filha de Louis Martin, relojoeiro e joalheiro, que quis ser monge na ordem de São Bernardo de Claraval aos 20 anos, mas não foi aceito, e Zélie Guérin, famosa bordadeira de Alençon. Eram dedicados em seus afazeres profissionais, mas não descuidavam de sua fé e da de sua família, a chave de suas vidas. As irmãs mais velhas de Terezinha, Marie, Pauline, Léoni e Céline enchiam-na de carinho, atenção e presentes. A caçula era o orgulho das irmãs Martin.
 
     Sua mãe, mulher sensível e enérgica, carregando uma grande fadiga física por causa das longas noites passadas trabalhando com seus bordados e da dor constante pela perda de quatro filhos, falecidos quando Terezinha tinha apenas quatro anos. O desejo de sua mãe antes de morrer era que as filhas ficassem próximas à tia, sua cunhada senhora Guérin. Sendo assim, o senhor Martin mudou-se com as filhas para Lisieux.  A menina se apegou à sua irmã mais velha, Pauline, que passou a ser tida por ela como sua segunda mãe. Pauline, porém, depois de um tempo, seguindo a própria vocação, entrou para o Carmelo. Terezinha ficou muito doente causando grande preocupação em seu pai e suas irmãs.
 
     Um dia, porém, olhando para a imagem da Imaculada Conceição de Maria, de quem seus pais eram devotos, ficou curada, segundo ela, após receber um sorriso da Santíssima Virgem.  Alguns anos depois, sua irmã Marie também vai para o claustro, e Léonie ingressa no convento das Clarissas em Alençon.

     Após sua “conversão”, no natal de 1886, quando readquire forças para enfrentar as adversidades, Terezinha decide entrar para a ordem das carmelitas descalças, e obtém a permissão de seu pai. Mas, como tinha apenas 14 anos, não poderia ainda, por causa das regras da Igreja. Mas, ela não desistiu. 
 
     Numa viagem feita à Itália, teve a audácia de pedir autorização ao papa Leão Xlll e teve seu desejo concedido.  Em abril de 1888 ela entra para o Carmelo com o nome de Tereza do Menino Jesus. Fez sua profissão religiosa em setembro de 1890, festa da Natividade da Virgem Maria, acrescentando em seu nome, Tereza do Menino Jesus e Sagrada Face. O motivo para a escolha deste nome foi que, com apenas 6 anos de idade, após a catequese para a primeira comunhão, Terezinha se encantou profundamente pela figura do Menino Jesus e viu esse amor crescer abundantemente em seu coração. 
 
     Anos mais tarde, afirmava amar muito o Menino Jesus, tanto que responde ao chamado para a vida no Carmelo. Durante sua vida Terezinha dedicou muitos escritos, poesias e orações ao Menino Jesus, seus primeiros anos da infância e sua natividade. Em 1894 ela pintou o quadro "O sonho do Menino Jesus", que mostra a figura do Menino Jesus brincando com flores que são oferecidas. No fundo do quadro observa-se a Sagrada Face abaixo da Cruz, sob iluminação da Lua, simbolizando a paixão de Cristo. A pintura representa a inocência e tranquilidade do Menino Jesus, que brinca alegremente com as flores, tem confiança para seguir os planos de Deus e passar pelo sofrimento que a Cruz. 
 
     Santa Terezinha levou a sério o caminho da perfeição escrito por sua fundadora Santa Tereza de Jesus (Santa Tereza D’Ávila). Porém, revelou ao mundo que a perfeição e a santidade podem estar nas pequenas coisas, nos pequenos gestos e obrigações cotidianas que fazemos com amor. Ela dizia: Sigamos o caminho da simplicidade. Entreguemo-nos com todo o nosso ser ao amor. Em tudo busquemos fazer a vontade de Deus. O zelo pela salvação das pessoas devore nosso coração.

     Ela escreveu três manuscritos a pedido de sua irmã Pauline que são sua autobiografia e foram publicados em 1898 com o título de História de uma Alma. Em seus escritos, ensina a teologia profunda da simplicidade, da pureza e da simplicidade: a pequena via, atalho para a santidade. Todos os gestos e sacrifícios, do menor ao maior, devem ser oferecidos a Deus pela salvação das almas e na intenção da Igreja. Um caminho de santidade baseado nas pequenas coisas, nos pequenos atos do cotidiano que, quando feitos com amor, produzem frutos de santidade. Ela dizia que não tinha forças para fazer as grandes obras heroicas dos santos famosos da Igreja, mas só conseguia fazer pequenas coisas. Mas nessas pequenas coisas estava o segredo de sua santidade. Pegar um alfinete caído no chão, com amor, produz fruto de santidade. Ela esteve como criança para o Pai, livre, igual a um brinquedo aos cuidados do Menino Jesus e, tomada pelo Espírito de amor, que a ensinou um lindo e possível caminho de santidade, a infância espiritual.
 
     Santa Terezinha tornou-se a padroeira das missões sem nunca ter saído do Carmelo. Ela dizia: Compreendi que a Igreja tinha um coração, e que este coração ardia de amor. Compreendi que só o amor fazia os membros da Igreja agirem, que se o amor se apagasse, os Apóstolos não anunciariam o Evangelho, os Mártires se recusariam a derramar seu sangue.... Por isso, ela dizia: No coração da Igreja, serei o amor.  Sempre o que conta é o amor, só o amor. É contemplar no outro a pessoa de Jesus. Para ela, ser missionário não é uma questão de geografia e sim uma questão de amor.  Ficava feliz quando jogava pétalas de rosas ao ver passar o Santíssimo Sacramento no ostensório. Gostava de jogar flores no grande crucifixo que ficava no jardim do Carmelo. Por isso, antes de morrer disse: Vou fazer chover sobre o mundo uma chuva de rosas, dizendo assim que iria interceder a Deus, sempre por todos os povos. Era uma verdadeira missionária.
 
     Sofreu por quase 3 anos de tuberculose, que, naquela época não tinha cura. Chegou a dizer que jamais pensou que fosse capaz de sofrer tanto, mas teve paciência e fez tudo por amor, sem jamais reclamar nem murmurar. Faleceu no dia 30 de setembro de 1897, aos 24 anos. No leito de morte, as irmãs rezavam e anotavam tudo que ela dizia. Sua última frase foi: Não me arrependo de haver-me entregue ao amor. E com o olhar fixo no crucifixo exclamou: Meu Deus, eu te amo. Então, faleceu a jovem que depois foi chamada de a maior santa dos tempos modernos.
 
     Santa Terezinha do Menino Jesus foi canonizada em 1925 pelo papa Pio XI e em 1927 foi declarada Padroeira Universal das Missões Católicas. Cem anos depois da sua morte, em 1997, na Carta Apostólica, Divinis Amoris Scientia, o papa João Paulo II declarou Santa Terezinha como Doutora da Igreja, devido a sua mensagem singular de Infância Espiritual e Contemplação da Face de Cristo.
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