Fevereiro de 2020 - Perpétua e Felicidade: fidelidade cristã até a morte

Aconteceu no ano 203 na Arena de Cartago, norte da África. Perpétua, aos 22 anos, no dia 7 de março, junto com a escrava Felicidade, com o catequista e mais seis catecúmenos, foram mortos na perseguição do imperador Septímio Severo

     Víbia Perpétua era filha de um rico nobre de Cartago. Casada, tinha um filho pequeno e esperava outro. Por ser cristã, foi presa com outros catecúmenos como Saturnino, Saturo e Secundo, e dois escravos Revocato e Felicidade. O procurador Hilariano foi encarregado de executá-los.

     O pai de Perpétua lhe suplicou na prisão que apostatasse da fé, sem nada conseguir. Perpétua não se deixava abater, mesmo na masmorra horrível encorajava os demais. Na prisão, escreveu um diário até o dia do martírio (Paixão de Perpétua e Felicidade), cuja narrativa o escritor e teólogo Tertuliano completou.

     No interrogatório, na presença de seu pai, o procurador Hilariano faz um confronto: Tem pena dos cabelos brancos de teu pai, e da juventude do teu filho. Sacrifica aos deuses – dizia friamente, ao que ela respondia: Não sacrifico. És cristã? Sim, sou cristã. Bastou essa confissão! Nada mais foi preciso, estava condenada ao anfiteatro, às feras.

     Felicidade era escrava de Perpétua. Estava grávida de oito meses e deu à luz uma menina, no cárcere, dois dias antes de morrer. Nos seus gemidos durante o parto, um soldado, zombando lhe disse: Se te queixas agora, o que será quando estiveres diante das feras, ao que ela respondeu: Agora sou eu que sofro, mas lá fora, um Outro estará em mim, e Ele sofrerá em mim, eu sofrerei por Ele.

     Na hora de ser lançada às feras não aceitou que lhe colocassem as vestes pagãs: Damos livremente a nossa vida para não aceitar essas coisas. Há um contrato entre nós, e vós não tendes o direito de nos impor essas vestes.

     Revocato e Saturnino foram presas de um urso e um leopardo. Contra Saturo lançaram um javali, e para o sacrifício de Perpétua e Felicidade lançaram uma vaca braba que as lançou aos ares. Depois foram mortas à espada. Perpétua tinha 22 anos.

     Quando Perpétua esperava a morte na prisão, o suboficial da guarda, Pudente, tocado por seu heroísmo, aceitou receber no meio da arena, o anel que Saturo acabara de banhar no seu próprio sangue.

     O heroísmo é contagioso, por isso muitos se convertiam diante do testemunho dos mártires. E os perseguidores já carregavam na alma o sentimento de culpa e de fraqueza. Por isso, Tertuliano escreveu ao imperador Marco Aurélio, em 180: Sanguis martirum, semem christianorum (O sangue dos mártires é semente de novos cristãos). Depois de 260 anos de sangue derramado, a espada romana curvou-se diante da cruz de Cristo. A soberba águia romana fechou as suas asas (Daniel Rops, historiador).

     Dia 7 de março é dedicado à memória de Perpétua e Felicidade, que são veneradas pela Igreja Católica Apostólica Romana, pela Igreja Ortodoxa e pelas Igreja Católicas Orientais.
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