Julho de 2019 - Madre Mazzarello: um amor fecundo, que gera e transforma vidas

     A história se inicia num humilde povoado, típico das zonas rurais, denominado Mornese, com uma pequena população, situado no interior norte da Itália onde nasceu, no dia 09 de maio de 1837, Maria Domenica Mazzarello, familiar e carinhosamente chamada de Main. 

     Seus pais eram camponeses simples, mas com uma fé madura e é neste contexto familiar que Mazzarello se desenvolve. Era a primogênita de treze filhos e, por isso, desenvolveu em si, desde pequena, um instinto materno, que posteriormente aguçaria com as meninas e irmãs que Deus colocaria na vida dela.

     Main, além de ajudar sua mãe em casa com os afazeres domésticos, ajudava também seu pai na vinha, com trabalhos braçais e pesados. Na vinha e em todo trabalho que desempenhava, buscava manter-se constantemente na presença de Deus. Assim, não havia distinção entre trabalho e oração. 

     Em sua formação humano-espiritual contou com o acompanhamento de Padre Pestarino, o pároco de Mornese. No Catecismo, Mazzarello gostava de sobressair-se aos demais por seu conhecimento. Pe. Pestarino, que foi seu guia por 27 anos (de criança a religiosa), percebendo tanto suas qualidades quanto defeitos, a ajudou a ressignificar seu temperamento forte e vaidoso, canalizando-o numa espiritualidade e abertura maduras e saudáveis. Assim, numa intensa atividade e presença paroquial, Mazzarello adquiria uma profunda vida cristã na vivência sacramental e em sua missão apostólica. Possuía especial devoção à Santíssima Eucaristia, unificando seu itinerário de fé. Via esse sacramento como um meio de estar sempre intimamente ligada a Jesus. Pensava constantemente no Cristo Eucarístico que havia recebido pela manhã e ansiosamente se preparava para o Cristo Eucarístico que receberia no dia seguinte. 

     Na flor de sua juventude fez, livremente, o voto de castidade. Seus princípios básicos sempre foram: Deus, a família, as amizades, o trabalho, o dom de si para a alegria e cuidado com os outros e a busca pela santidade. Ângela Maccagno, a jovem professora de Mornese e uma das poucas mulheres que havia ido estudar em Gênova, e, por isso, suficientemente instruída, contou com o apoio de Pe. Pestarino na fundação do grupo das Filhas de Maria Imaculada, que tinha como principal intuito uma intensa atuação social e eclesial. O grupo foi fundado numa reunião com as cinco jovens que desejavam ingressar na associação. Consagraram-se a Deus explicitamente no exercício contínuo da caridade entre as jovens, mães, doentes e necessitados, ligadas por um intenso espírito de família.

     Mazzarello aplicava seu vigor físico no trabalho no campo e sua fervorosa piedade na  vidaoração, dois pontos profundamente harmonizados entre si. No entanto, aos 23 anos, uma experiência fundamental e decisiva a marcaria por toda a vida. Maria foi acometida pela epidemia do tifo, que se alastrou por Mornese durante a guerra, após passar um tempo entre seus familiares auxiliando-os em sua recuperação, mesmo ciente do risco de contrair tal enfermidade. Este tempo é marcado por uma dura, mas fecunda experiência de provação. Se via diante da perda constante de sua força física, às vezes à beira da morte e certa de que as consequências ameaçariam sua vida e seu futuro. Porém, com os olhos e o coração intimamente ligados e disponíveis aos desígnios de Deus para sua vida, o momento se constituiu num projeto de amor e uma aventura fascinante. Ela se entrega confiante e deve agora retomar sua vida de uma forma diferente, pois já não possui a mesma força física de antes e não poderá mais ajudar seu pai na vinha, o que a faz, de certa forma, sentir-se “inútil”.

     Não se fechou em si mesma e em sua fragilidade e assim acolheu um novo projeto. Atenta aos sinais dos tempos, desejou responder às necessidades emergentes na sociedade, na qual as meninas estavam expostas a riscos morais e sociais e tendo em vista que não frequentavam as escolas, que eram destinadas exclusivamente aos meninos. Em tal contexto e certa de que tudo que fizesse devia ser retamente voltado a Deus, convidou sua amiga Petronilla para juntas aprenderem a costurar com o alfaiate da cidade. A jovem Petronilla era sua grande companheira e também Filha da Imaculada e, apesar de receosa principalmente com a ausência que faria nos afazeres domésticos em sua casa, aceita o convite empreendendo-se nesta jornada com sua amiga. O objetivo primordial era ensinar as meninas de Mornese um ofício e aproximá-las do amor de Deus e de Nossa Senhora, para que elas também os amassem e servissem com fidelidade. Começam então uma “oficina-família” com as meninas mornesinas. Como lema, invocavam: “Que cada ponto seja um ato de amor a Deus”. 

     Maria Mazzarello mal sabia escrever e pouco sabia ler, pois ao contrário de algumas meninas com mais condições, não teve a chance de estudar. Em Mornese não havia escolas e o trabalho na vinha para ajudar a família, que era simples e pobre, a impossibilitou de buscar uma formação. No entanto, esta dificuldade não a impediu de tornar-se educadora e empreender projetos audaciosos.

     Em Turim, Dom Bosco já havia iniciado com os meninos um trabalho semelhante ao das duas amigas e, ao visitar Mornese, e conhecer o trabalho que desenvolviam com as meninas e o bem que faziam a cada uma, idealiza um novo projeto. E os caminhos que Deus traçou seguem rumo à concretização de um ideal de vida totalmente doado a serviço da evangelização e educação das juventudes. O pai e mestre dos jovens Dom Bosco não perdeu o grupo de vista e o acompanhou e orientou aquele grupo das Filhas da Imaculada a um projeto de vida numa perspectiva educativo-evangelizadora. Foi nascendo progressivamente uma oficina, um oratório e um lar, no qual as meninas eram educadas com amor preventivo. 

     São João Bosco escolheu Maria Mazzarello e suas companheiras também desejosas de aderir a este projeto, para serem as primeiras pedras vivas fundamentais do monumento que desejaria dedicar a Maria Auxiliadora. O dia 5 de agosto de 1872 é marcado pela fundação do Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora, do qual Maria Domenica Mazzarello tornou-se co-fundadora. Consagrou-se a Deus emitindo os votos de pobreza, castidade e obediência, já em sua maturidade adulta, aos 35 anos, reafirmando o seu “sim” pelo apostolado a favor da salvação das jovens. 

     Ao ser nomeada Superiora Geral do Instituto pelo fundador exclamou: “A verdadeira diretora é Nossa Senhora!” e sentindo-se incapaz de desempenhar tal função solicita-o que mande outra diretora. Dom Bosco sorriu e pediu que se abandonasse e confiasse no Senhor.  À frente do Instituto atuou primeiramente com seu testemunho de vida em busca constante pela santidade e salvação das jovens que lhes foram confiadas, na contínua busca pela imitação de Maria Santíssima e no zelo pela formação das irmãs. Exortava a todas para que vivessem com fidelidade e criatividade o Sistema Preventivo de Dom Bosco. 

     Madre Mazzarello faleceu aos 44 anos, no dia 14 de maio de 1881. Esteve à frente do Instituto pelos primeiros 9 anos de fundação. Fundou diversas casas na Itália, na França e na América, perpetuando na história a predileção pelas jovens mais pobres e desfavorecidas. Seu testemunho alcançou os 5 continentes e a missão das FMA continua a traçar no hoje, o rosto de Deus por meio da atuação entre as juventudes, embasadas na Espiritualidade e Carisma Salesiano e no Amor-Doação.
 
Thaísa Mara de Souza - Noviça
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