Junho de 2019 - Santa Odila, reconhecida protetora dos portadores de doenças da visão

     Odila, também conhecida como Otília ou Odília, nasceu na região francesa da Alsácia, no século VII, quando esta região era um ducado da Alemanha. Na época, o soberano do local era o duque Aldarico. Como todo soberano, ele desejava muito ter um filho que o sucedesse no governo de sua cidade rica e poderosa. Aldarico era recém-batizado, mas não era um cristão decidido. Sua esposa, Benvinda, sim, era uma cristã fiel e caridosa. Nesta família nasceria Odila. Porém, em condições muito adversas.

     A primeira filha do casal nasceu com duas desvantagens: a primeira, pelo simples fato de ser mulher. Seu pai, Aldarico, queria um homem para sucessor. Além disso, ela nasceu cega. Quando o pai soube disso, rejeitou-a e expulsou-a de casa. O bebê foi entregue a um mosteiro de religiosas. Lá, ela recebeu cuidados e educação. As irmãs souberam criá-la com amor, alegria e cuidados.

     Certo dia, as irmãs receberam uma visita inesperada: o bispo da diocese, chamado Dom Heraldo. Ele chegou dizendo que teve um sonho no qual um anjo lhe ordenara ir ao mosteiro para batizar uma menina. Surpresas, as irmãs apresentaram a menina ao bispo. Ele a batizou dando o nome de Odila, cujo significado é “luz de Deus”. No exato momento em que a batizava, o bispo foi movido em seu coração a dizer a ela: ”Que os teus olhos do corpo se abram, como foram abertos os teus olhos da alma”. No mesmo instante, Odila começou a enxergar e recebeu o dom da profecia. Mais tarde, ela veio a se tornar uma grande mística da Igreja. O dom da profecia que ela recebeu impressiona ainda hoje. Ela previu, entre outros acontecimentos, a segunda guerra mundial, descrevendo-a com detalhes.

     O bispo Dom Heraldo foi contar o milagre a Aldarico e pedir para que ele recebesse sua filha no castelo. Aldarico só aceitou porque, nessa época, já havia nascido um herdeiro, irmão de Odila, chamado Hugo. Este, tomando conhecimento da história, pediu ao pai em favor da irmã. Aos poucos, com delicadeza e generosidade, Odila conquistou o coração do pai. Arrependido e reconstruindo os laços com a filha, Aldarico quis ajudá-la, como era o costume na época, arranjando-lhe um bom casamento. Odila, porém, sentia-se chamada para a vida religiosa. E, quando soube que o pai estava lhe preparando um casamento, fugiu para o mosteiro. Aldarico, então, compreendeu a profundidade da fé e da relação de sua filha com Deus, e se converteu de vez. Expediu um decreto afirmando que Odila podia seguir sua vocação cristã e que proporcionaria a fundação de um mosteiro para ela.

     Aldarico designou o castelo de Hohenbourg, que ficava no topo de uma montanha, às margens do famoso rio Reno, para ser o mosteiro. A Odila foi a primeira abadessa. Logo, muitas religiosas ingressaram nele. Elas passaram a atender aos pobres, aos doentes e aos abandonados. Por isso, logo Santa Odila fundou ali um importante hospital. Anos mais tarde, o próprio Aldarico e sua esposa Benvinda foram para o mosteiro, onde faleceram recebendo os cuidados da filha. Os castelos que Odila herdou após a morte dos pais foram transformados em hospitais e mosteiros.

     Após vários anos dedicados à caridade, à oração e à penitência, Santa Odila faleceu no final do século VII, num dia 13 de dezembro. Ela foi sepultada ao lado da fonte que fizera brotar por sua oração. Desde então, vários fiéis doentes ficaram curados ao molharem-se nas águas dessa fonte. 

     Todos os imperadores da Alemanha, começando por Carlo Magno no ano 800, renderam homenagens a Santa Odila. O papa São Leão IX e o rei inglês Ricardo I fizeram peregrinação para visitar seu túmulo. Santa Odila é venerada até hoje como protetora dos portadores de doenças da visão, dos cegos e dos oftalmologistas. Ela foi declarada padroeira da Alsácia, território que hoje pertence à França.

     Continuidade da obra

     Os hospitais e os mosteiros fundados por Santa Odila foram passados para a administração dos monges beneditinos. Eles tiveram o cuidado de manter a finalidade principal da obra criada por santa Odila: a assistência e caridade para com os pobres e doentes incuráveis. Além disso, fizeram florescer uma vigorosa Congregação religiosa, que se espalhou pelos cinco continentes.
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