Setembro de 2019 - Cada dia mais distante da civilização!


     No século XIX, os Estados Unidos enfrentaram a Guerra da Secessão (1861-1865), que colocou de um lado os estados da União, e do outro os estados Confederados, do sul. Essa guerra deixou uma marca devastadora e produziu cerca de 600 mil mortes, aproximadamente 360 mil soldados da União e 260 mil dos Confederados.

     Quando finalmente os Confederados, através do General Lee, foram capitular, o presidente da União Abraham Lincoln considerou que não seria nenhum ganho se os Confederados saíssem humilhados e ressentidos. Como verdadeiro estadista, ele os queria participantes da União.  Por isso, orientou o seu general Grant a apresentar condições relativamente generosas para a rendição. Os soldados Confederados não seriam feitos prisioneiros, até porque isso seria mais uma enorme despesa para a União; e quer União quer Confederados já tinham gasto fortunas com a Guerra. 

     Pela rendição, os Confederados deveriam, sim, entregar as próprias armas. Mas os oficiais poderiam reter suas armas pessoais. Todos seriam libertados para retornar a seus lares. Entre outras medidas, poderiam também levar seus cavalos, para ajudar a semear os campos e transportar a família durante o inverno seguinte. Era tempo de reconstrução.

   Sabemos que tudo isso foi insuficiente, pois Lincoln, ele próprio, haveria de ser assassinado por um sulista enraivecido. E a reconstrução da nação seria muito mais sofrida e demorada.

Contudo, atitudes como essas fizeram de Abraham Lincoln um ícone não só dos Estados Unidos como de muitos países.

     Da mesma forma, o Presidente Barak Obama quando foi anunciar a morte do inimigo público número um dos Estados Unidos, Osama Bin Laden, o fez como verdadeiro estadista: muita firmeza e discrição, fazendo questão também de informar que o corpo de Bin Laden tinha sido sepultado no mar seguindo as prescrições da religião muçulmana.

     Estou lembrando isso, porque na terça-feira, 20 de agosto, quando foi abatido um celerado, que tinha sequestrado um ônibus na Ponte Rio-Niterói, o governador do estado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, desceu de um helicóptero na mesma ponte, festejando como um torcedor de futebol, vibrando os braços no ar, comemorando a morte do sequestrador, batendo palmas.
Como estamos cada dia mais, longe da civilização!

     Não vimos um verdadeiro estadista, mas um animador de torcida.  Em vez de um governador do Estado, um Chacrinha perguntando ao seu auditório: “Vocês querem bacalhau?!” 

     Já na Antiguidade Clássica, o senador romano Marco Túlio Cícero dizia: “Elogia em público. E repreende em particular!” Em nossas famílias, em nossos ambientes de trabalho, devemos aproveitar as coisas boas, e fazer alarde delas, “elevando o astral”, como se costuma dizer. E as coisas não tão positivas resolvê-las, discretamente.

     Como dizemos na liturgia: “Corações ao alto! O nosso coração está em Deus!”

Padre Ailton António dos Santos, vigário paroquial
Voltar Topo Enviar a um amigo Imprimir Home