Bom dia!           Domingo 18/11/2018     08:20

Novembro de 2018 - Eu só peço a Deus

     Quem diariamente assiste pelo noticiário televisivo as notícias da violência no Rio de Janeiro, pode ter uma visão distorcida da realidade e nem perceber que essa cidade é apenas a 21ª capital mais violenta do país, com 40 mortes brutais sobre cada grupo de cem mil habitantes. As mais cruéis são Aracaju, Belém e Rio Branco. Comparando-se com esses dados, os números da cidade de São Paulo podem parecer até um oásis: 17,3. Porém, muito longe de países pacíficos, como o Japão (0,31), Portugal (0,97), Itália (0,78). Os dados das capitais são mais severos que os dados das cidades pequenas e médias. 

     Agora estamos acompanhando a marcha de milhares de cidadãos da América Central rumo aos Estados Unidos. Estão percorrendo milhares de quilômetros a pé fugindo de seus países onde imperam a violência e o desemprego.  Os números das mortes sobre cem mil habitantes são estes nesses três países, não mais apenas nas capitais, mas em cada país inteiro: El Salvador (108,64), Honduras (31,21), Guatemala (63,75).

     Para deter esses refugiados, o governo dos Estados Unidos está mobilizando, segundo as notícias, até 15 mil homens armados do Exército para barrar e prender essas cerca de oito mil pessoas refugiadas - homens, mulheres, idosos, crianças, armados de mamadeira, mochilas, tênis gastos, e muito cansaço. Cansaço da marcha, cansaço da vida que tinham em seus países.

     O papa Francisco tem seguidamente advertido a humanidade para a assim chamada globalização da indiferença. Ficamos discutindo os nossos mimimis enquanto os grandes problemas vão se avolumando.

     Portanto, vamos nos desfazer dos nossos pequenos ais, e nos abrir aos grandes e pequenos apelos que a realidade nos apresenta diariamente. Graças a Deus, a nossa comunidade tem-se mostrado solidária aos apelos da realidade que nos cerca. Mas não podemos tapar os nossos olhos. Há muito mais a fazer.

     A cantora argentina Mercedes Sosa gravou a música Solo le pido a Diós, parece-me que do León Giéco, que em português é assim:

     Eu só peço a Deus
     que a dor não me seja indiferente, que a morte não me encontre um dia/solitário sem ter feito o que eu queria.

     Eu só peço a Deus
     que a injustiça não me seja indiferente,/pois não posso dar a outra face/se já fui machucada brutalmente.

     Eu só peço a Deus
     que a guerra não me seja indiferente:/é um monstro grande e pisa forte/toda a pobre inocência dessa gente.

     Eu só peço a Deus
     que a mentira não me seja indiferente./ Se um só traidor tem mais poder que um povo,/ que este povo não esqueça facilmente.

     Eu só peço a Deus
     que o futuro não me seja indiferente,/sem ter que fugir desenganando/pra viver uma cultura diferente.

Padre Ailton António dos Santos, pároco

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