Boa tarde!           Sexta 17/08/2018     12:14

Agosto de 2018 - A preciosa presença e o amor que impulsiona

     No começo deste ano, no primeiro dia de aula dos cursos profissionalizantes da obra social da Paróquia São João Bosco, estava a coordenadora pedagógica Therezinha de Souza para receber os alunos na hora do café da manhã, quando vê um pai acompanhando o filho, já no Ensino Médio. É comum os pais irem fazer a matrícula dos filhos, mas não é comum os pais acompanhá-los no primeiro dia de aula. Therezinha foi cumprimentar pai e filho, e convidou-os para tomar café. Felipe, o menino, emburrado, não quis. Na verdade, ele não queria fazer o curso. O pai é que estava forçando a barra. 

     Therezinha tentou motivar: “Felipe, se o seu pai matriculou você, é porque ele vê que é bom para a sua vida. Ele está pensando no seu bem. Fique com a gente. Por que você não quer fazer o curso?”. “Eu não quero fazer o curso porque eu não quero fazer o curso. Só isso!” – respondeu Felipe. E Therezinha pontuou: “Fique conosco hoje, e vá tirando as suas conclusões”. Felipe não tomou o café, mas ficou para as aulas. Ficou carrancudo, mas ao menos permaneceu até o fim daquele período. Depois também não quis almoçar. 

     Nos dias seguintes, começou a se abrir, participando das atividades, das brincadeiras com os colegas, das refeições. No fim do semestre, no mês de junho, trabalhou como voluntário nas três datas da Festa Junina. E foi um dos primeiros a se inscrever para fazer um novo curso no segundo semestre. Pois é!

     A partir da experiência vivencial do Felipe, podemos fazer umas perguntas. Baseados em quê, queremos ou não queremos? Num mundo de tantas opiniões, as nossas opiniões são conclusões que amadureceram das nossas experiências, ou são consequências de preconceitos, ou de fantasmas desconhecidos? Temos motivos para fazer o que fazemos, ou o fazemos, como dizia aquela música antiga do Erasmo Carlos, “só para manter a minha fama de mau”?

     Agora focalizando a atitude do pai do Felipe, vamos perguntar umas coisinhas. Eu me limito a dar conselhos aos meus filhos, e depois deixo que se virem por conta própria? Ou aceito perder o meu tempo, caminhar com ele, ir com ele, e ter paciência com os limites dele, mesmo quando é um temor que se disfarça de agressividade, de irritação, de recusa? Sou presença significativa na vida dos meus filhos, ou me limito a dar-lhe um celular para ocupar o próprio tempo?

     Um dia desses, um técnico de enfermagem da clínica que eu frequento, me disse que o sonho de um dos filhos dele era entrar para o Exército. Depois de um tempo, ele veio me dizendo que no final de semana tinha acompanhado o próprio filho para se alistar, e que ficou do lado de fora sofrendo mais do que o rapaz quando foi para a sala de exames. Ele não disse: “Já é grande, crescido. Que agora aprenda a se virar.” Não. Ficou sofrendo... do lado de fora..., acompanhou e sofreu junto.

     Também a coordenadora Therezinha não simplesmente “ficou na dela”, reagindo na base do “se ele desistir, tem outros na lista esperando”. Não. Ela foi, motivou. Cada um conta. Cada um não é só mais um. Cada um é ele, e precisa ser ajudado a se tornar mais ele.

     Estamos no mês de agosto, mês de Dom Bosco, que vivenciou o amor educativo, a atuação da presença significativa. Que ele nos ajude a nos envolvermos com aqueles que Deus colocou no nosso caminho. Como dizia Dom Bosco: “A educação é obra do coração.”

Padre Ailton António dos Santos, pároco



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