Boa tarde!           Sábado 21/04/2018     14:19
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Abril de 2018 - Construindo um mundo mais humano

     Na clínica de hemodiálise que frequento três dias por semana tem quatro salas. Cada uma com capacidade para quinze pessoas em cada um dos três turnos de funcionamento. Os pacientes têm poltrona exclusiva, com a máquina de purificação do sangue ao lado. Cada máquina tem seu filtro e recebe frascos de soluções para ajudar na filtragem de elementos que devem ser retidos. Se alguma coisa não funciona, a máquina dá sinal com um apito chato como muito bem sabem fazer os técnicos de eletrônica, que podem ter conhecimento de muita coisa, mas na hora de acionar alarme só sabem escolher os sons mais chatos e irritantes.

     Na assistência aos pacientes e na manipulação das máquinas trabalham vários enfermeiros e auxiliares, entre esses, a dona Vera. Ela troca o curativo que encobre o cateter para evitar irritações e infecções. E o faz com competência, com leveza, tirando o curativo, fazendo a assepsia da região, colocando outro curativo, tudo isso sem arrancar pele e pelos. Enquanto isso, vai brincando e conversando sobre as coisas da vida. E eu pergunto há quanto tempo ela é enfermeira. “Trinta e um anos”, responde. “Nossa! E tem ideia de quanta gente a senhora já cuidou, e beneficiou?”.  E ela comenta: “É de perder a conta”, e acrescenta: “E sempre com um sorriso nos lábios!”

     E eu fico pensando na multidão de pessoas que, como a dona Vera, nos seus postos de trabalho, na sua profissão, na sua convivência social, colocam para rodar essa máquina que se chama sociedade, e que silenciosamente constituem o bem-estar e a felicidade de todos. Desde o padeiro que, de madrugada, já está preparando o pão que a gente come quentinho na padaria, até o motorista e o cobrador de ônibus que levam multidões  para o trabalho, e o vigia noturno na sua guarita ou fazendo a ronda.  Os enfermeiros e médicos plantonistas que socorrem os doentes, os mecânicos que dão manutenção no metrô de madrugada.

     São Pedro, falando de Jesus, disse que Ele “tinha passado fazendo o bem”. Nós, que somos o povo dos ressuscitados com Cristo, temos a nossa rica oportunidade de, no nosso caminho diário, também passar por entre as pessoas fazendo a elas o bem que nos é possível, através do nosso serviço profissional, da nossa convivência familiar ou social. E dessa maneira vamos construindo um mundo mais humano, mais fraterno, mais digno das pessoas e dos filhos de Deus. 

     As dificuldades são inúmeras, e sempre novas. Mas também temos conosco a força e a criatividade para conseguirmos tourear o touro, livrar-nos do mal e livrar o mundo do mal. Muito existencialmente o compositor Gonzaguinha deixou em versos primorosos o ideal que deveria ser de todo cristão:

     “Viver! E não ter a vergonha de ser feliz! Cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz... Ah meu Deus!  Eu sei, eu sei  que a vida devia ser bem melhor e será. Mas isso não impede que eu repita:  é bonita, é bonita e é bonita...” (O que é? O que é?, de Gonzaguinha).
Seja neste mundo injusto e caótico mais uma alegre testemunha da Ressurreição de Cristo.

Padre Ailton António dos Santos, pároco

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