Dezembro de 2018 - Então é Natal!

     O ciclo litúrgico do Natal é extremamente bem articulado. Começa com o Advento, tempo de quatro semanas que procuram revivenciar a intensa espera da humanidade pelo Messias, o Deus que era, que é, e que vem. No Advento, até o dia 16 de dezembro, vivenciamos a espera pelo Messias que há de vir no final dos tempos. E a partir daí, com a novena do Natal, nos preparamos para a vinda de Jesus. 

     No dia 25 de dezembro nos concentramos na figura do Menino Jesus, que se revela aos pastores, gente pobre, do trabalho, e desclassificada, cuja palavra nem era considerada nos tribunais, porque era gente sem eira nem beira. No domingo seguinte ao Natal, celebramos a Sagrada Família: Jesus, Maria e José, uma família de trabalhadores aflitos, refugiados.

     Na oitava do Natal, dia 1 de janeiro, celebramos a Solenidade de Maria, Mãe do Salvador, aquela que mais do que ninguém se preparou para a chegada dele, e foi sua maior discípula.

     No Brasil, no dia 6 de janeiro, celebramos os Santos Reis (ou Magos?, ou Sábios?), de qualquer forma, vindos de longe, dos povos pagãos, que em seu coração procuram a Deus, e o seguem qual luz de estrela piscando em meio às trevas.

     Para nós, que vivemos estressados e agitados pela nossa sociedade contemporânea, cada vez mais atraída pela aparência das coisas, pelo ruído e pela pressa, preciosa é a pregação que o papa Paulo VI fez quando de sua visita a Nazaré, no dia 5 de janeiro de 1964:

     “Nazaré é a escola em que se começa a compreender a vida de Jesus, é a escola em que se inicia o conhecimento do Evangelho. Aqui se aprende a observar, a escutar, a meditar e a penetrar o significado tão profundo e misterioso dessa manifestação do Filho de Deus, tão simples, tão humilde e tão bela. Talvez se aprenda também, quase sem dar por isso, a imitá-la. Aqui se aprende o método e o caminho que nos permitirá compreender facilmente quem é Cristo. Aqui se descobre a importância do ambiente que rodeou a sua vida, durante a sua permanência no meio de nós, os lugares, os tempos, os costumes, a linguagem, as práticas religiosas, tudo o que serviu a Jesus para Se revelar ao mundo. Aqui tudo fala, tudo tem sentido.

     Aqui, nesta escola, se compreende a necessidade de ter uma disciplina espiritual, se queremos seguir os ensinamentos do Evangelho e sermos discípulos de Cristo.

     Lição de silêncio - Oh se renascesse em nós o amor ao silêncio, esse admirável e indispensável hábito do espírito, tão necessário para nós, que nos vemos assaltados por tanto ruído, tanto estrépito e tantos clamores, na agitada e tumultuosa vida do nosso tempo! Silêncio de Nazaré, ensina-nos o recolhimento, a interioridade, a disposição para escutar as boas inspirações e as palavras dos verdadeiros mestres. Ensina-nos a necessidade e o valor de uma conveniente formação, do estudo, da meditação, da vida pessoal e interior, da oração que só Deus vê.

     Uma lição de vida familiar - Que Nazaré nos ensine o que é a família, a sua comunhão de amor, a sua austera e simples beleza, o seu carácter sagrado e inviolável; aprendamos de Nazaré como é preciosa e insubstituível a educação familiar e como é fundamental e incomparável a sua função no plano social.

     Uma lição de trabalho - Nazaré, a casa do Filho do carpinteiro! Aqui desejaríamos compreender e celebrar a lei, severa mas redentora, do trabalho humano; restabelecer a consciência da sua dignidade, de modo que todos a sentissem; recordar aqui, sob este texto, que o trabalho não pode ser um fim em si mesmo, mas que a sua liberdade e dignidade se fundamentam não só em motivos econômicos, mas também naquelas realidades que o orientam para um fim mais nobre. Daqui, finalmente, queremos saudar os trabalhadores de todo o mundo e mostrar-lhes o seu grande Modelo, o seu Irmão divino, o Profeta de todas as causas justas que lhes dizem respeito, Cristo Nosso Senhor.”

     Foi esta a mensagem do papa Paulo VI, em 1964. Sem dúvida, ela é mais atual hoje do que no dia em que foi dita. 

Santo Natal do Senhor para você e para os seus amados!

Padre Ailton António dos Santos, pároco
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