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Outubro de 2017 - A capacidade de se indignar... ou nem tanto?

     De tempos em tempos, artistas prestigiados, a maioria moradores da cidade do Rio de Janeiro, sacodem a nossa sociedade em defesa de espécies animais da fauna brasileira em perigo de extinção: é a ararinha azul do Pantanal, o tamanduá-bandeira, o mico-leão dourado, a onça pintada, entre outras. E as causas apontadas são o desmatamento, as queimadas, a construção de hidrelétricas, a caça predatória, a poluição. 

     Aos artistas se somam os intelectuais, uns de peso nacional, que assinam abaixo-assinados em defesa dos palestinos da Faixa de Gaza, contra os assentamentos judaicos e a criação do muro entre Israel e os territórios palestinos, em defesa dos árabes prisioneiros na base americana de Guantánamo em Cuba. 

     Ficamos admirados com a capacidade que tem esse pessoal de viver sempre tão antenado. 

     Na favela da Rocinha, em julho de 2013, desapareceu nas mãos dos policiais o Amarildo, que virou um símbolo de desaparecimentos não esclarecidos pela polícia. A campanha “Onde está o Amarildo?” foi iniciada nas redes sociais, especialmente pelo Facebook, com o apoio de movimentos como o Rio de Paz, as Mães de Maio e da Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência. Foram organizados atos por moradores da Rocinha, contando com a participação da sociedade civil. A repercussão aumentou! Artistas como MV Bill, Wagner Moura e Caetano Veloso se manifestaram publicamente, assim como a Comissão da Verdade Fluminense. O desaparecimento passou a ser conhecido internacionalmente.

     Mas, e sempre tem um “mas”, estranhamente, essa capacidade e essa prontidão não estão se manifestando na mesma intensidade agora, nestes dias, quando se trata do terror que está sofrendo toda a população da favela da Rocinha, a mais populosa favela do país, com  69.161 habitantes, distribuídos em 25.352 domicílios segundo o Censo Demográfico 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), porém com um número muito maior - entre 180 mil e 220 mil habitantes – segundo o presidente da União Pró-Melhoramentos dos Moradores da Rocinha (UPMMR), Leonardo Rodrigues Lima, 49 anos, que está na favela há 32 anos, e preside a associação há dois. Essa população se vê morta, aterrorizada, refém e ameaçada pelo tráfico, cuja liderança é bem conhecida.

     E ninguém desses artistas e intelectuais dá um pio. Indignação seletiva ou...?

Padre Ailton António dos Santos, pároco
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