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Outubro de 2017 - Sete sistemas de interpretação

     Para o mês de outubro propomos de modo bem sucinto a apresentação de 07 sistemas de interpretação do Apocalipse, que foram surgindo desde os inícios da história da Igreja. Vejamo-los:

     1) Milenarismo: o Apocalipse relataria, segundo esse sistema, a espera de um reino glorioso de Cristo e dos justos sobre a terra por 1000 anos, após o encarceramento de Satanás. Base dessa interpretação foi Apoc 20, 1-6. Foi assumida no século XVI pelos Anabatistas, depois pelos Adventistas, Mórmons e Testemunhas de Jeová. No início do Cristianismo foi seguida por hereges, como os Montanistas e os Ebionitas, mas também por Santos Padres ou escritores da nossa Igreja como Justino, Irineu, Tertuliano, Hipólito... Foi posta em descrédito pelo Concílio de Éfeso (431d.C.).

     2) Sistema da Recapitulação: parte do significado bíblico do nº 7 (plenitude, perfeição). Com o 1º setenário (capítulos 6 e 7) já se concluiria a história humana. Os setenários seguintes apresentariam a mesma coisa de modo diverso. Iniciado por Vitorino, bispo de Pettau e mártir sob Diocleciano, foi seguido por Santo Agostinho e, modernamente, por P.Allo, Bonsirven...

     3) Método das Religiões Comparadas: como certos símbolos do Apocalipse pertencem à literatura universal, houve muitos autores que procuraram a origem de tais símbolos nos mitos e imagens tradicionais: os 04 cavaleiros do capítulo 6º seriam, por exemplo, a indicação dos 04 sinais do zodíaco (Leão, Virgem, Balanças, Escorpião). Mesmo recebendo o beneplácito de autores como H.Gunkel e A.Loisy, é inaceitável como sistema, pois a grande e indiscutível fonte das imagens e temas é a Bíblia, especialmente o Antigo Testamento. 

     4) Sistema da História Universal: esta foi por Joaquim da Fiore dividida em três épocas: a do Reino do Pai (AT), a do Reino do Filho (NT até 1260d.C.) e a do Espírito Santo (a partir de 1260), enquanto a história da Igreja desde os Apóstolos é, por sua vez, subdividida em 07 períodos. Alguns autores modernos se puseram nessa linha: W.Hadorn, J. du Plessis e outros. Nalguns pontos também Lutero e Wiclef, quando identificaram o papa ou o papado com o anticristo ou uma das bestas (hoje, em razão do Ecumenismo, os luteranos pedem disso desculpas aos católicos).

     5) Sistema escatológico: surgiu no século XVI com o jesuíta espanhol Ribeira como reação ao sistema precedente. Segundo ele, o Apocalipse narra os acontecimentos do fim do mundo. Só os 05 primeiros selos se refeririam à história primitiva da Igreja. O sistema foi seguido por Cornélio a Lapide, E.Lohmeyer, A. Wikenhauser e outros.

     6) Método da análise literária: o Apocalipse constaria da elaboração de documentos de épocas diversas segundo diferentes hipóteses (hipótese das redações, hipótese das fontes, hipótese dos fragmentos). Seguiram-no H. von Soden, H. Charles, P.Boismard (que o apresentou na introdução da Bíblia de Jerusalém)...

     7) Aplicação à história contemporânea ao autor: seu principal expoente foi o jesuíta espanhol Alcazar, com o qual, proclama Bossuet, “começa a exegese propriamente científica do Apocalipse. Achamos esse elogio bem merecido” (Feuillet). O sistema iniciou, porém, com o religioso belga de nome Henten no séc. XVI, sendo seguidores seus Bossuet, L.Billot, A.Gelin e outros.

     Concluindo, podemos dizer que cada um desses métodos traz alguma válida contribuição, achando, porém, que merecem maior atenção os três últimos que apresentamos, quem sabe até fundindo-os...

Padre Alcides Pinto da Silva atua na Obra Social São João Bosco, em Campinas
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